Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Joares Ponticelli

16ª Sessão Ordinária - 17/03/2009

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente e srs. deputados, eu vou abordar outro assunto, mas com relação às fotos do governador, deputado Silvio Dreveck, lá em Braço do Norte, no dia 28 de fevereiro, sábado da eleição, o governador, que estava hospedado em Gravatal, passou os últimos dois dias fazendo campanha; no sábado de manhã montaram um estúdio de fotografia na casa da candidata e os carros da candidata transportavam cidadãos, naturalmente peemedebistas, para tirar fotografia com o governador. Era um entra e sai de cabos eleitorais para tirar fotografia com o governador!

É claro que aquilo impactava. E nós pensamos: isso vai produzir votos e a candidata do governador vai ganhar a eleição. Mas quando abriram as urnas no domingo, deputado Elizeu Mattos, o nosso candidato venceu com 606 votos de diferença.

Então, vejam que nem sempre tirar fotos com o governador significa que ele esteja tão bem assim. Em Braço do Norte, os carros de campanha da candidata Zalene transportavam eleitores do morro, da baixada, do centro, da periferia e das comunidades. E dá-lhe fotos e nada de votos! No voto, o Vânio Uliano ganhou, e ganhou bem, com 606 votos de diferença, tanto que ontem fizemos uma bela festa de posse. E inclusive estava lá o prefeito José Roberto Martins, secretário-geral do PSDB de Santa Catarina, e o presidente da Amurel, participando com toda a tucanada de Braço do Norte, pois o PSDB também foi decisivo e extremamente importante para aquela vitória consagradora no município de Braço do Norte.

Portanto, os nossos agradecimentos, mais uma vez, ao PSDB, ao PR e ao PT, que nos ofereceu o vice, Valberto. Foi uma bela festa de posse, ontem, do nosso companheiro Vânio, que iniciará a administração de Braço do Norte.

Por falar nisso, amanhã voltarei a abordar o assunto de Braço do Norte, porque o nosso adversário parece que ainda não assimilou a derrota, deputado Sargento Amauri Soares. O ex-prefeito Ademir Matos, marido da candidata derrotada, tem feito grande esforço para tumultuar o processo, fazendo pressão, tentando coagir pessoas a irem à delegacia dizer que tiveram votos comprados, que fizeram oferta em troca de votos. Eles ainda não assimilaram a derrota, é claro, ainda mais com aquele aparato político todo que apresentaram, com o governador pessoalmente comandando a eleição, tirando fotografia e sofrendo uma acachapante derrota lá no município de Braço do Norte.

Mas o assunto que trago agora - e quero chamar a atenção de v.exas., notadamente da deputada Ada De Luca, com quem abordei rapidamente o tema - é ainda acerca da matéria do bullying, do qual trata aquele projeto de lei que apresentamos e que v.exas., por unanimidade, ajudaram-nos a aprovar no ano passado, uma matéria que cada vez mais ganha repercussão nacional.

Peço a nossa assessoria que rode a matéria veiculada em rede nacional. Amanhã traremos outras matérias para que possamos popularizar mais a discussão sobre esse tema.

(Procede-se à exibição de vídeo.)

Srs. deputados, é aquilo que eu tenho dito sempre que me refiro a essa matéria: o bullying é um termo novo, é um nome novo de um problema velho.

Quem não se lembra da época de escola dos apelidos pejorativos, chamados de brincadeira de criança e que ajudaram, deputada Ada De Luca, a elevar os índices de evasão escolar, porque a criança introvertida que é chacoteada, que é vítima do bullying, que é maltratada pelos colegas, dificilmente revela o fato para a família ou para o próprio professor.

Isso acaba gerando traumas que depois na adolescência, na juventude podem tornar essa pessoa violenta e praticar excessos, como já ocorreram em escolas onde adultos voltam depois de anos para promover verdadeiros massacres contra as crianças da época, ou então fazer com que o rendimento escolar caia, provoque evasão escolar. Enfim, as conseqüências maléficas desse fenômeno são muitas e estudos da professora Cléo Fante demonstram, deputado José Natal, que aproximadamente 45% das crianças da rede pública e particular no Brasil são vítimas diárias do bullying escolar.

Portanto, é um problema que nós precisamos discutir. Esta Assembléia aprovou a lei no ano passado, o estado de São Paulo também já tem a lei, está distribuindo essa cartilha agora e nós precisamos debater e popularizar essa discussão, para que possamos coibir esse tipo de violência silenciosa que diariamente acontece nas escolas do Brasil.

A Sra. Deputada Ada De Luca - V.Exa. nos concede um aparte?

O SR. DEOUTADO JOARES PONTICELLI - Pois não!

A Sra. Deputada Ada De Luca - Deputado Joares Ponticelli, parabéns. Essa campanha não é silenciosa, é um fato que eu mesma fui vítima. Sempre tive fama de braba, mas não era. É que na infância, chamavam-me de Ada dentuça. Então, eu não ria e custei muito para superar isso. Eu não sorria, por isso me chamavam de braba, o que eu não era. Isso tocou profundamente lá atrás na minha vida. Eu custei muito para superar, mas consegui.

Muitas crianças sofriam caladas. Hoje em dia já é mais comum a criança se abrir, contar para a professora, falar com o pai, falar com o tio. Agora, na minha época, era assim, a gente sofria calada.

Parabéns, deputado!

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Obrigado, deputada Ada De Luca.

Temos mais um depoimento importante de uma colega nossa, que foi vítima. Cada um de nós tem uma história ou vivida conosco ou com algum familiar ou com algum conhecido.

Repito: os efeitos são os mais diversos. O que nós queremos agora com essa lei é discutir esse tema, criar uma política estadual de combate, envolver a comunidade escolar, os professores, o conselho deliberativo, a APP, a comunidade escolar como um todo, o próprio aluno, como ouvimos o depoimento de uma criança que disse: eu sempre apelidava. E os apelidos pegam quando o outro não gosta! Quando nitidamente ele faz mal, aí é que o apelido vinga, como se diz.

Então, nós precisamos começar a debater esse tema, popularizá-lo, porque o bullying continua provocando muitas vítimas nas nossas escolas e, como estamos vendo, no Brasil inteiro.

Por isso espero que amanhã possamos continuar esse debate.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)