34ª Sessão Ordinária - 30/04/2009
O SR. DEPUTADO LÍCIO MAURO DA SILVEIRA - Sr. presidente, sra. deputada e srs. deputados, eu estava pensando no que falar hoje e escolhi um assunto. Quero fazer alguns comentários sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias, que já está na Casa. Mas como amanhã é o Dia do Trabalho, acima de qualquer coisa resta a este deputado tentar, neste pronunciamento, fazer uma homenagem de forma oficial, escrita, ao trabalhador, para que fique definitivamente registrada nos anais desta Assembléia Legislativa.
(Passa a ler.)
"O dia 1° de maio, Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador, é uma data comemorativa usada para celebrar as conquistas dos trabalhadores ao longo da história. O Dia do Trabalho é essencialmente importante, porque é nessa data que lembramos o esforço humano realizado para modificar a natureza, explorando-a para o progresso da humanidade.
Todas as pessoas, cada uma na sua profissão, são igualmente necessárias. A comunidade depende tanto de engenheiros e médicos quanto de pedreiros, serventes, seguranças, padeiros, pescadores, agricultores e de todos os profissionais hoje existentes no mercado de trabalho.
Nessa mesma data, em 1886, ainda não éramos República, ocorreu uma grande manifestação de trabalhadores na cidade americana de Chicago. Milhares de trabalhadores protestavam contra as condições desumanas de trabalho e a enorme carga horária à qual eram submetidos (13 horas diárias). A greve paralisou os Estados Unidos. No dia 3 de maio houve vários confrontos dos manifestantes com a polícia. No dia seguinte esses confrontos se intensificaram, resultando na morte de diversos manifestantes. A manifestação e o protesto realizados pelos trabalhadores ficaram conhecidos como a Revolta de Haymarket, nome da praça onde ocorreu o movimento em Chicago.
Em 20 de junho de 1889, em Paris, a central sindical chamada Segunda Internacional instituiu o mesmo dia das manifestações como data máxima dos trabalhadores organizados, para, assim, lutar por oito horas de trabalho diário. Em 23 de abril de 1919, o Senado francês ratificou a jornada de trabalho de oito horas e proclamou o dia 1° de maio como feriado nacional.
Após a França estabelecer o Dia do Trabalho, a Rússia foi o primeiro país a adotar a data comemorativa, em 1920. No Brasil, a data foi consolidada em 1925, no governo de Rodrigues Alves, mas só foi institucionalizada com o Estado Novo, em 1938, e declarada feriado nacional pelo governo do Marechal Gaspar Dutra, com a Lei n.662, de 6 de abril de 1949.
Além disso, a partir do governo de Getúlio Vargas as principais medidas de benefício ao trabalhador passaram a ser anunciadas nessa data. Atualmente, inúmeros países adotam o dia 1° de maio como o Dia do Trabalho, sendo considerado feriado em muitos deles.
Hoje, todo o conforto de que a comunidade goza é fruto do trabalho de muitas pessoas, através de várias gerações. Todo trabalho honesto dignifica, por mais humilde que seja. Quem faz do trabalho o maior prazer de vida, vê que só tem a lucrar, pois além de manter-se com orgulho e honestidade não tem vontade, nem tempo para a ociosidade, que quase sempre leva aos maus hábitos.
Temos como exemplo característico da falta de ociosidade, deputado Reno Caramori, o nosso agricultor, responsável pelo alimento à mesa de cada um de nós. É um trabalhador e um sofredor que ainda trabalha do amanhecer ao anoitecer, quando não tem que dispor das horas da madrugada para manter a sua colheita e não perder tudo o que plantou. Mas esses trabalhadores não vivem a reclamar das suas tarefas, pelo contrário, exercem-nas com a maior dignidade, pois acima de tudo está o prazer pelo trabalho.
Outro exemplo é o professor. Além de ensinar, é obrigado a assistir aos problemas de responsabilidade da família, como os problemas de saúde, alimentação, amparo psicológico, dentre outros, mas segue, com brio e responsabilidade, cumprindo a sua tarefa.
Outro exemplo digno de respeito é o médico. Na verdadeira acepção da palavra, médico é aquele que honra o juramento, que vive nos hospitais socorrendo e salvando vidas, não se importando com as horas. Se preciso, fica revirando o corpo humano noites adentro com um único intuito, o de salvar a vida que tem em suas mãos.
Assim, deputado Reno Caramori, eu poderia ficar a enumerar uma imensidade de classes de trabalhadores que se dedicam integralmente as suas atividades, colocando-as acima do salário e além de suas capacidades. Mas hoje, através dos três exemplos citados e pela exigüidade do tempo, quero homenagear e parabenizar o trabalhador brasileiro e, em particular, o trabalhador catarinense, pelas lutas e pelas conquistas em todo o decorrer dos tempos. Quero afirmar e reafirmar que todo trabalho é digno e todos nós precisamos de todos os serviços, pois o ser humano já nasce dependente e assim continuará até o fim dos tempos.
Por isso, quero parabenizar todos aqueles que desempenham as suas atividades com carinho, amor e respeito mútuo aos outros profissionais."
Quero ainda ler a Oração do Trabalhador:
(Continua lendo.)
"Jesus, divino trabalhador e amigo dos trabalhadores, volvei Vosso olhar benigno para o mundo do trabalho. Nós Vos apresentamos as necessidades dos que trabalham intelectual, moral ou materialmente. Bem sabeis como são duros os nossos dias cheios de canseira, sofrimento e insídia. Vede as nossas penas físicas, morais e repeti aquele brado de Vosso coração: 'Tenho dó deste povo'. Dai-nos a sabedoria, a virtude e o amor que Vos alentou nas Vossas laboriosas jornadas, inspirai-nos pensamentos de fé, de paz e moderação, de economia a fim de procurarmos, com o pão de cada dia, os bens espirituais, para transformarmos a face da terra, completando assim a obra da criação que Vós iniciastes. E que a Vossa luz nos ilumine na busca de melhores leis sociais e ilumine os legisladores a estabelecer uma sociedade de justiça e amor. Amém."[sic]
Parabéns, trabalhadores! Hoje fazemos este pronunciamento, mas devemos comemorar essa data amanhã, dedicando esse dia para refletir sobre o nosso trabalho, o que significa para a nossa família e, como conseqüência, para a nossa sociedade.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)