98ª Sessão Ordinária - 10/11/2010
O SR. DEPUTADO FLAVIO RAGAGNIN - Sr. presidente, srs. deputados, sra. deputada, ouvintes da Rádio Alesc Digital, telespectadores da TVAL, queremos fazer um comentário sobre uma questão, qual seja, a diminuição demográfica da nossa região.
Fizemos um pequeno estudo no que se refere à região oeste de Santa Catarina, mais especificamente ao alto Uruguai catarinense e à região próxima ao município de Chapecó, o maior do nosso oeste, e vimos que a situação é preocupante, que há de ser analisada com vagar não só por este deputado, como por muitos deputados e, principalmente, pela sociedade como um todo.
Preocupa-me muito que o oeste de Santa Catarina esteja vivendo um momento tão preocupante como esse no sentido de crescimento. E é importante que as pessoas permaneçam onde estão, uma vez que ouvimos o que se apregoa acerca da alta qualidade de vida em muitas regiões do oeste de Santa Catarina. Vemos governos que dizem da diminuição da distância com a criação das SDRs, mas olhem o apoio que lhes dá.
Enfim, eu considero que a proximidade do governo do estado com o cidadão é muito importante. Agora, eu vejo com preocupação - e repito aqui - o que está acontecendo, por exemplo, no alto Uruguai catarinense. Dos 16 municípios daquela região, 11 tiveram sua população diminuída. Quer dizer, o pessoal continua saindo das pequenas cidades, não existe freio e não vejo solução imediata. Por isso o meu pensamento de se fazer um estudo aprofundado sobre o assunto.
Mas quem cresceu mais? Chapecó cresceu 24%, Concórdia, que é um município próximo, cresceu 8,54%. Os outros municípios, na sua grande maioria, diminuíram a sua população.
Conversando com lideranças, procurando nos aprofundar sobre o assunto, ficamos sabendo que aquelas pessoas estão-se deslocando para outros lugares em busca de mais recursos, não recursos financeiros, e sim recursos no atendimento à saúde, à educação, à qualidade de vida.
Os municípios mais próximos da capital foram os que mais cresceram, e lá no interior o pessoal está preocupado com o que está acontecendo.
Conversando com um casal de idosos aposentados ficamos sabendo que eles iam morar em Chapecó porque lá há medicamentos, assistência melhor, mais recursos.
Ora, qual o objetivo de evitar o êxodo rural? Qual o objetivo de uma secretaria de Desenvolvimento Regional? Qual o objetivo de fazer com que se tenha mais qualidade de vida? É fazer com que as pessoas permaneçam nas suas regiões!
Isso me preocupa muito porque há pessoas que plantaram uma vida há 50 anos em Seara, por exemplo. Lá elas têm os compadres, as comadres, os amigos, a sua origem, a sua raiz, a essência da sua vida, a sua história, mas têm que abandonar, talvez, a sua casa para ir em busca de mais recursos.
Penso que as pessoas precisam fazer essa análise e não ir em busca de mais recursos. Não são as pessoas que têm que sair do seu habitat, da sua região, para procurar recursos. É o estado como um todo que tem que levar mais recursos ao interior, aos municípios pequenos. São as secretarias de Desenvolvimento Regional que têm que dar esse ambiente, essa segurança, esse sentido de uma vida melhor às pessoas nos municípios menores.
Daí vê-se Florianópolis e muitos municípios maiores com problemas de trânsito. Até aonde vamos com isso? Se as pessoas continuarem migrando para o litoral catarinense, para as cidades maiores, isso vai criar um problema social muito grande.
E digo mais: quem conhece a pequena propriedade rural lá do alto Uruguai catarinense - e nós a conhecemos bem, assim como o deputado Moacir Sopelsa -, sabe que é um local extremamente bom para se viver, com segurança, mais calmo, mais tranquilo, longe de todo esse agito. E assim foi formada a nossa população: pelos imigrantes italianos que vieram lá do Rio Grande do Sul, pelos alemães e poloneses. Enfim, é assim que se vive lá!
Então, eu acho de fundamental importância que se faça uma análise profunda sobre essa desproporção da densidade demográfica do oeste e dos municípios pequenos de Santa Catarina, com as pessoas vindo inchar as cidades do litoral catarinense.
As cidades do litoral, que são importantes e fazem parte da economia catarinense, estão inchando em detrimento de uma região lá do oeste, uma região produtora de carne, de suínos, de frangos, de leite. Enfim, as pessoas estão começando a sair daquela região.
Dessa forma, eu quero propor que, no ano que vem, coloque-se em pauta essa preocupação, principalmente porque tenho acompanhado a plataforma de governo do governador eleito Raimundo Colombo, que conheço há muitos e muitos anos e sei que é uma pessoa sensível. Seu discurso foi pautado nas pessoas. Ele falou muito no ser humano, dizendo que primeiro viriam as pessoas.
Então, é necessário que se veja isto: primeiro as pessoas, para que isso possa ser uma realidade. E também que se olhe muito para o nosso oeste catarinense, que se olhe para as pessoas, que se olhe para a economia, que se olhe muito o porquê e que se olhe, principalmente, o atendimento às pessoas.
Não é possível que um casal que tenha trabalhado durante toda uma vida precise sair do seu habitat para ir trabalhar numa cidade maior porque lá há mais recursos - o seu remédio, o médico especialista, um lazer melhor. Eu acho que não podemos permitir que isso aconteça!
Então, cada vez mais vamos diminuir a população de uma região produtora, com as pessoas saindo de lá. Mesmo que essas pessoas não possam mais trabalhar, com a sua experiência, com a sua formação, com a sua raiz, com a sua força e com o seu trabalho podem ensinar principalmente aos jovens como é o princípio de vida, como é a formação de uma pessoa lá naquele meio.
Dessa forma, eu trago esse assunto para que se analise muito.
Na parte da manhã, eu acompanhei o debate do deputado Silvio Dreveck e do deputado Antônio Carlos Vieira sobre o Orçamento, e devo dizer que também vou trazer a minha contribuição. A sorte, deputado Silvio Dreveck, é que v.exa. é um estudioso no assunto e que o deputado Vieirão conhece a matéria.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)