Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

106ª Sessão Ordinária - 30/11/2010

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, pessoas que nos acompanham nesta sessão de terça-feira, pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital. O pronunciamento da deputada Ana Paula Lima, que leu a carta do dr. Antônio Ermírio de Moraes, faz algumas reflexões a respeito do que parece a tão sonhada aliança dos trabalhadores com o grande empresariado. As multinacionais de fato são problemas, mas os monopólios também fazem parte do bloco de poder, de dominação, neste país, junto com o latifúndio, com a dominação e a subordinação ao imperialismo internacional.

Então, só há uma diferença com relação ao dr. Antônio Ermírio de Moraes e os outros grandes empresários deste país e do mundo: ele é daqui, mas o método e a forma são os mesmos utilizados por todos.

Eu quero fazer o registro, e não poderia passar sem fazê-lo, na tarde de hoje, da vitória espetacular do Avaí sobre o Santos Futebol Clube, no último domingo, no estádio da Ressacada. O Avaí ganhou o jogo e garantiu a permanência na Série A, na elite do futebol nacional, para o ano que vem. Foram três golaços do meio de campo Caio, o que, aliás, surpreendeu muitos, inclusive os avaianos, porque não é um atleta que geralmente faz muitos gols. Aliás, o ataque do Avaí vem sofrendo ao longo do ano inteiro, porque chega 300 vezes, deputado Onofre Santo Agostini, para fazer gol e não consegue, mas no domingo o meio de campo foi lá e meteu três gols no Santos. Foi numa hora difícil, pois estávamos perdendo de dois a zero. Pode-se imaginar que o Santos veio para não jogar, mas não, o Santos veio e jogou, marcando dois gols no primeiro tempo. E ainda no primeiro tempo o Caio empatou. Evidentemente, estavam os 11 jogadores em campo. E no segundo tempo, já faltando alguns minutos para terminar o jogo, aconteceu o terceiro gol, também do Caio, que garantiu a permanência do time na Série A.

Ainda falta a última rodada no próximo domingo, e o Avaí até pode, dependendo da combinação de outros resultados, conseguir uma vaga na Copa Sul-Americana, mas garantir a permanência na Série A é muito importante para o futebol catarinense.

Também temos o Figueirense, time do Estreito, deputado Vieirão. E eu, como avaiano, não tenho nenhuma dificuldade de falar da importância do Figueirense ter ficado em segundo lugar na Série B e retornado também à primeira divisão do futebol nacional.

Então, há duas boas notícias para o futebol catarinense. No ano que vem Avaí e Figueirense estarão na Série A, na elite do futebol nacional. E outra boa notícia para o futebol de Santa Catarina foi o Criciúma ter conseguido neste ano subir da Série C, para onde havia sido rebaixado há algum tempo, para a Série B. O Criciúma, o Tigre, lá do sul do estado, da cidade de Criciúma, está voltando para a Série B. E quiçá, no ano que vem, o Criciúma também consiga voltar para a Série A do Campeonato Brasileiro, ele que já esteve lá por vários anos consecutivos e outras vezes no passado.

Então, quero fazer o registro da importante vitória do Avaí, do crescimento do futebol catarinense, parabenizando todas as pessoas que honestamente trabalham com o esporte, todos os clubes, especialmente o Avaí, o Leão da Ilha, que fez bonito, tem feito bonito e com certeza no ano que vem continuará fazendo mais bonito ainda para toda a torcida azurra deste estado, para todos os torcedores do Avaí. Quero parabenizar também os atletas, torcedores, principalmente, e por que não também a diretoria do clube, os conselheiros, enfim, toda a equipe que participou desse processo.

Registro mais uma vez a campanha que têm feito os trabalhadores do Banco do Estado de Santa Catarina, Besc, na verdade, extinto, e é preciso que se encare isso. Eu já falei desta tribuna, no começo deste ano, sobre isso: o Besc deixou de existir, a plaquinha, a chamada marca, vai existir por mais quatro anos, depois desaparecerá, inclusive a plaquinha de que faz parte do Banco do Brasil. Menos mal que foi incorporado por um banco público, e essa é uma posição que se tem defendido e que se precisa continuar defendendo.

O Sindicato dos Trabalhadores dos Estabelecimentos Bancários da Grande Florianópolis e Região está fazendo uma campanha mostrando como os trabalhadores do Besc têm sido discriminados no Banco do Brasil; os trabalhadores do Besc incorporados ao Banco do Brasil têm sido discriminados pela direção deste banco. Estão sofrendo discriminação e assédio, é o que diz o documento do sindicato. Inclusive, participamos de uma assembléia da categoria, num sábado, dez dias atrás, de forma que ouvimos vários depoimentos de vários trabalhadores e trabalhadoras atestando nessa direção.

Os trabalhadores, por exemplo, que não aceitaram os termos da migração do Besc para o Banco do Brasil, porque foi feita a incorporação e aí houve uma campanha estadual que todos nós apoiamos para que o Besc não fosse privatizado, para que o Banco do Brasil o incorporasse... Houve a incorporação, mas o tratamento e as relações de trabalho não ficaram definidos neste momento.

O Banco do Brasil buscou impor uma norma para a migração dos trabalhadores do Besc para esse banco, evidente que essas normas, aliás, evidente não, não precisava ser assim, mas por razões que ainda precisamos descobrir o Banco do Brasil colocou cláusulas que retiravam direitos dos trabalhadores do Besc, especialmente daqueles com mais tempo de serviço, e vários, diversos, ou inicialmente nenhum quis aceitar os termos impostos pelo Banco do Brasil. Por exemplo: os que não aceitaram os termos ficam estagnados na carreira, como se não estivessem trabalhando.

Quem veio do Besc não aceitou os termos do Banco do Brasil para o piso salarial, é menor do que dos trabalhadores deste banco, provocando assim uma discriminação, ou seja, para que os trabalhadores do antigo Besc sejam aceitos pelo Banco do Brasil é preciso que estes, os besquianos, abram mão de direitos históricos conquistados nas lutas de décadas, do movimento dos trabalhadores do Besc, aqui no estado de Santa Catarina, como o anuênio, por exemplo, que era uma conquista de várias lutas, de várias jornadas desses trabalhadores, além de discriminações na hora de cumprir o acordo coletivo de trabalho.

Então estamos fazendo essa manifestação aqui porque é justamente aqueles trabalhadores que lutaram contra a privatização, que resistiram, que se mantiveram firmes, dentro do Besc, que não aceitaram o PDVI, para defender o Besc público, esses trabalhadores estão se sentindo e sendo discriminados.

Vamos conversar com a superintendência do Banco do Brasil, inclusive na data de amanhã, e buscar uma saída negociada para que não haja perda para os trabalhadores besquianos que estão no Banco do Brasil.

A Sra. Deputada Ana Paula Lima - V.exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Pois não.

A Sra. Deputada Ana Paula Lima - Nós também recebemos os trabalhadores do Banco do Brasil, do Besc, em nosso gabinete, e levei esse assunto para a bancada do Partido dos Trabalhadores. E no mesmo entendimento, deputado Sargento Amauri Soares, nós temos que abrir o diálogo com a superintendência, resolver, de uma vez por todas, essa situação constrangedora pela qual estão passando esses trabalhadores, mas a bancada do Partido dos Trabalhadores vai interceder junto à superintendência do Banco do Brasil para que se possa fazer a abertura desse diálogo.

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Muito obrigado, deputada Ana Paula Lima, pelo seu aparte que recebo com alegria e com satisfação, justamente para que se fortaleça os mecanismos da busca de um acordo, de um consenso, em que se preserve o direito dos trabalhadores besquianos, agora trabalhando no Banco do Brasil.

Amanhã pela manhã vamos receber a superintendência para conversar e ver o que está acontecendo. E a partir disso evidentemente nos reportaremos aos trabalhadores e trabalhadoras e ao sindicato para que se busque abrir ou reabrir esta porta, este canal para uma solução que seja interessante para os trabalhadores e evidente também para todas as partes envolvidas.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)