19ª Sessão Extraordinária - 20/07/2010
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, na semana passada esta Casa aprovou uma indicação defendendo o serviço de cirurgia bariátrica que é realizado no Hospital Regional, no Hospital Governador Celso Ramos e no Hospital Universitário - HU.
Só no Hospital Governador Celso Ramos, de 2005 até agora, ou seja, em cinco anos, foram realizadas 1.118 cirurgias de estômago para provocar o emagrecimento daqueles que possuem um peso mórbido, um peso que prejudica a saúde. No Hospital Celso Ramos as cirurgias são realizadas por uma equipe multidisciplinar de médicos: psicólogos, cirurgiões, clínicos, UTI etc. Enfim, é uma grande equipe que presta um serviço reconhecido no Brasil inteiro.
O dr. Raul Chatagnier Filho, chefe da equipe de cirurgia bariátrica do Hospital Celso Ramos, recebeu, inclusive, uma homenagem especial do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. E hoje o deputado Jailson Lima, com o meu apoio, também faz um pedido de informação, porque a secretaria da Saúde quer acabar com esse serviço de cirurgia bariátrica oferecido pelo Hospital Celso Ramos. Dizem que esse serviço vai ser transferido para o Hospital Universitário. A fila do HU tem mais de 500 pessoas. Agora nós vamos botar mais 500 pessoas na fila, vindas do Hospital Celso Ramos? Então, essa fila vai ficar com um quilômetro.
Ora, é muito difícil conseguir fazer essa cirurgia quando encontramos uma equipe de médicos benevolentes, altamente qualificada, com destaque nacional, como a equipe do dr. Raul Chatagnier, que é professor da Universidade Federal de Santa Catarina, aliás, ele já poderia se aposentar pela sua experiência, mas não se aposenta justamente porque gosta de fazer isso.Erem acabar com esse serviço?
Transferir significa fechar, obstruir, impedir que um grande número de pacientes, mais de 200, sejam operados no Hospital Celso Ramos. Esses pacientes vão fazer fila no HU, ou seja, emendar a fila já existente lá, porque naquele hospital também é oferecido um grande serviço, coordenado pelo dr. Ricardo Baratieri, também professor. Mais da metade, talvez 70%, dos médicos formados recentemente passou pelas mãos desses dois professores, o dr. Raul Chatagnier e o dr. Baratieri, que está lá no HU.
Quero aplaudir o deputado Jailson Lima, que apresenta esse pedido de informação para impedir o término desse serviço no Hospital Celso Ramos.
O Sr. Deputado Valmir Comin - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Pois não.
O Sr. Deputado Valmir Comin - Deputado Serafim Venzon, parabenizo v.exa. pela iniciativa, pelo pronunciamento. É um caso de saúde pública. Hoje, no estado de Santa Catarina, temos uma demanda de mais de 250 mil obesos e aproximadamente 30 mil a ponto de se fazer cirurgia. Realmente, por falta de conscientização, de um trabalho mais eficiente de divulgação sobre os hábitos alimentares, a obesidade mórbida está causando uma série de consequências. Não sou médico, mas tive a oportunidade de abrir esse debate, através de uma audiência pública, que acabou se transformando numa filha única no estado de Santa Catarina, porque o único hospital que fazia esse tipo de cirurgia, pelo SUS, era o HU, mais ou menos duas cirurgias por mês. E hoje estamos com, aproximadamente, seis hospitais no estado fazendo esse tipo de cirurgia.
Além de causar uma série de consequências, como artrite, artrose, doenças cardiovasculares, aposentadoria precoce, problema de autoestima, há também o deslocamento do obeso, que é realmente um problema sério para a sociedade. O estado tem que estar à frente, na vanguarda, para diminuir toda essa demanda que ainda está represada no estado de Santa Catarina, proporcionando a verdadeira descentralização que o governo tanto aplica, oportunizando o credenciamento de mais hospitais pelo Sistema Único de Saúde, para a cirurgia de redução do estômago.
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Muito obrigado, deputado Valmir Comin.
Quero também saudar os catarinenses que nos ouvem pela Rádio Alesc Digital, que nos assistem pela TVAL e, especialmente, aqueles que nos acompanham aqui nas galerias.
Temos hoje a presença do dr. José Luiz de Jesus, advogado e jornalista, que foi aluno da Udesc. Há sete ou oito anos ele não havia cursado uma faculdade, um curso superior, e quando era adolescente foi chamado de pobre da favela. Hoje, advogado e jornalista, é dono de jornal, de televisão e cresceu graças à oportunidade de fazer uma faculdade.
E aqui lembramos a importância do nosso art. 170 para os catarinenses, a importância do projeto que aprovamos hoje, da redação final, que garante aos carentes, àqueles que ganharem bolsa, a responsabilidade somente pela parte excedente ao valor concedido. Quem ganhar 40% da bolsa, pagará 60%, os outros 40% o reitor poderá reclamar com o deputado, com o governador, com o secretário. Há caminhos, sim, caminhos abertos.
A pessoa mais fraca, dentro da universidade, que tem menos voz, é justamente o aluno, principalmente o carente. E não podemos atribuir a ele a responsabilidade de transferir dinheiro do governo do estado para a universidade.
Neste ano o governo do estado acabou de transferir todo o compromisso que tinha com as universidades. Apenas algumas não receberam por alguma questão de CNDs, que ainda não foram regularizadas.
E por último, sr. presidente, esta semana comemoramos o Dia do Agricultor, o dia daqueles que de fato multiplicam o pão dos catarinenses e dos brasileiros, que colaboram na produção de arroz, de milho, de feijão etc. Enfim, os nossos agricultores, os nossos produtores rurais são exemplo para o Brasil. Nesta semana praticamente todas as regiões, todas as cidades, comemoram a grande contribuição que o agricultor dá para a economia, para a estabilidade da sociedade. Celebramos esta semana o Dia do Agricultor, que muitas vezes é chamada também de Festa do Colono. Hoje o governo tem dado incentivos à inovação tecnológica à agricultura.
Tive a grata satisfação, nesta semana, de visitar um pequeno agricultor, o sr. Adari José Vavassori, sua família e sua esposa, a sra. Neolides Vavassori, de Rio do Campo. Assim como esse pequeno agricultor a história se repete para muitos. Um agricultor, plantador de arroz, que possui 20 ou 30 hectares, que possui uma casa bem estruturada, com piscina, com carro etc. Ou seja, há condições para o agricultor viver no campo com uma boa qualidade de vida.
Por isso, temos dito, que se melhorarmos a escola, como temos feito, se melhorarmos os postos de saúde, fazendo com que o médico lá do interior possa executar os procedimentos clínicos e cirúrgicos, aqueles que são cabíveis conforme a capacidade técnica dos hospitais, se melhorarmos as condições de energia, com boa qualidade, se houver telefone, internet, se melhorarmos um pouco a estrada, ninguém vai querer sair do interior. As pessoas vão querer continuar morando lá no campo, mantendo a atividade dos seus pais, porque lá o agricultor também poderá ter uma extraordinária qualidade de vida.
Quero, em nome do sr. Adari Vavassori, saudar todos os produtores rurais que têm dado a sua grande contribuição para o desenvolvimento de Santa Catarina.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)