29ª Sessão Ordinária - 15/04/2010
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sra. deputada, pessoas que nos acompanham pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital ou neste plenário, na manhã de hoje, quero cumprimentar, de forma especial, a camarada e novamente colega de tribuna, deputada Angela Albino, dizendo-lhe que será muito bom podermos fazer dobradinha neste plenário ao longo dos próximos meses; o presidente estadual do Partido dos Trabalhadores e também os integrantes da direção estadual do PCdoB, aqui presentes para acompanhar a posse ou a "reposse" ou a segunda posse da referida deputada.
Nós queremos falar ainda um pouco sobre a questão salarial, que é a polêmica do último mês na Assembleia. Os jornais de hoje têm divulgado que 50 mil servidores estaduais ficaram de fora de qualquer benefício salarial. Eu creio que os jornais estão novamente sendo informados erroneamente pelo governo, pelo palácio, por alguém de alguma secretaria ou por alguém até que andou-nos vaiando esta semana e que tem cargo de confiança, vamos dizer assim, numa das secretarias de estado, porque na verdade são mais de 50 mil servidores que foram alijados do processo.
Só da Educação, do magistério estadual, já passam de 50 mil os que ficaram de fora de qualquer gratificação. Na Saúde, 13 mil ficaram de fora. Na Segurança Pública, se formos considerar o aumento da discriminação salarial, com R$ 2 mil para alguns, para 5%, e R$ 250,00 para a maioria, que são os praças, temos mais 17 mil fora ou que estão-se sentindo discriminados pelo governo. Isso sem contar as demais secretarias! Então, mais ou menos 100 mil servidores ficaram de fora ou se sentiram discriminados, desprestigiados e ultrajados pela política salarial que está em debate neste Poder Legislativo.
Como foi anunciado ontem, por decisão da assembleia da categoria, na última segunda-feira, organizada pelo SindSaúde, houve, na manhã de hoje, a paralisação de todas as Unidades de Saúde da Grande Florianópolis, de Mafra e de Lages, das 7h às 21h. As informações que recebi, quando estava vindo para a Assembleia, dão conta de que parou praticamente tudo. Só não parou aquilo que comprometia diretamente a vida de alguém naquele momento. Ou seja, a base da Saúde pública está indignada, pronta e apta para uma paralisação maior se não houver uma saída negociada dessa situação.
O Hospital Florianópolis está fechado para reforma há alguns meses e decerto vai continuar fechado mais um tempão, acumulando problemas nos Hospitais Celso Ramos, Universitário e Regional de São José. E agora uma última notícia: vai fechar a emergência do Hospital Celso Ramos, no centro da capital, ou seja, só vão ficar funcionando os Hospitais Universitário e Regional de São José.
Parece que há alguém dentro do governo querendo derrubar o governo, porque a cinco meses da eleição começar a fechar as emergências dos hospitais é, no mínimo, falta de planejamento, para não falar em estupidez mesmo. Estupidez porque não houve planejamento e agora estão fechando tudo! Se já era caótica a situação nas emergências dos hospitais na Grande Florianópolis, com o fechamento do Hospital Florianópolis inteiro e da emergência do Hospital Celso Ramos, com certeza vai haver revolta popular em função dessa situação no estado.
Mas eu tenho outro assunto para a manhã de hoje, que é uma ocorrência policial - mais uma. Viemos aqui para falar dessa questão porque há necessidade de educação social com relação a esse assunto, já que é muito fácil jogar pedra na polícia por qualquer motivo.
Então, vamos mostrar uma matéria jornalística da nossa imprensa, do último final de semana, e depois iremos fazer alguns comentários a respeito do assunto.
Eu peço à assessoria do plenário que, por gentileza,rode essa matéria.
(Procede-se à apresentação de vídeo.)
Então, como temos pouco tempo para fazer os comentários, dois minutos apenas, quero perguntar ao amigo Hélio Costa o seguinte: e a versão dos policiais?
O gurizão estava dirigindo um Opala em alta velocidade pelas ruas do bairro Saco dos Limões e foi para casa. A Polícia foi falar com ele porque tinha passado dois semáforos com sinal vermelho naquele bairro, que é uma região movimentada. Ele, com um Opala, a Polícia, com um Corsinha. A Polícia achou a sua casa, o rapaz estava com o carro estacionado na frente da garagem, numa oficina, como foi falado na reportagem. Ele embarcou no carro, saiu jogando pedra na cara dos oficiais e tocou para dentro da oficina. Os policiais foram lá e pediram os documentos e ele disse que não daria. Então, recebeu voz de prisão por desobediência. Foi quando apareceu a irmã dele cheia de razão, dizendo tudo quanto era tipo de impropério. Além de cuspir e morder, chamou a Polícia de todos aqueles nomes "bonitos" que são comuns, e aí acabou recebendo voz de prisão dos policiais. Ela resistiu à prisão e deu aquele "bolo", como foi mostrado no vídeo.
Alguém viu alguma agressão dos policiais contra a moça? Apareceu três vezes a menina no vídeo. Alguém viu alguma agressão dos policiais? É óbvio que, se ela se atira no chão, não se deixa ser algemada e alguém segura o seu braço, vai ficar alguma mancha. É óbvio! Acontece isso com qualquer pessoa. E aí aparece o pai do cidadão ligando para a ex-autoridade dizendo que na próxima eleição talvez vire autoridade e venha para este Parlamento: "Olhe, eu estou ligando para dizer que eu falei com fulano de tal". Vai falar com o bispo, vai falar com o papa! "Olha, e tu vas ser chamado para conversar com o comandante-geral, o coronel Eliésio". Chame o papa!
Os policiais militares, felizmente, estão cada vez mais cientes do que estão fazendo. E tem que deixar de ser moda, neste estado, o cidadão pensar, porque conhece um vereador, um deputado, um ex-secretário, um comandante, que pode dar "carteiraço", pode dizer o que quiser! E aí ficam esses moleques fazendo rachas na capital! Quando o policial não faz nada, a culpa é da Polícia, a Polícia é inoperante, e aí acontecem os acidentes, isso que está aqui colocado.
Não houve nenhuma agressão por parte de nenhum policial contra essas pessoas envolvidas nessa ocorrência. Foram levadas, como manda a lei, para a delegacia. Mas é preciso que a comunicação social da Polícia Militar não sirva apenas para dizer que vai punir os policiais. Que exija uma resposta dos meios de comunicação, para que passe a versão da Polícia, a versão dos policiais.
Acredito nos policiais que estavam nessa ocorrência e não naquele cidadão que ficou falando um monte de barbaridades.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)