Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sérgio Godinho

60ª Sessão Ordinária - 25/08/2005

O SR. DEPUTADO SÉRGIO GODINHO - Sr. Presidente, sra. deputada Ana Paula Lima, srs. deputados, membros da mesa, funcionários da TVAL, da rádio AL, povo serrano, povo catarinense e povo lageano, uso a tribuna para parabenizar a Rádio Clube, de Lages, Deputado Antônio Ceron, que completa, hoje, 59 anos de existência.

(Passa a ler)

"Carlos Jofre do Amaral sempre foi um empreendedor: do serviço de alto-falantes instalado em 1944, na cidade de Lages, na praça João Costa, partiu para a criação da primeira emissora do planalto serrano, que deu origem à primeira emissora FM da cidade de Lages, depois à Rádio Coral e posteriormente à TV Planalto. Seguindo os passos do pai, o engenheiro Roberto Amaral, instala mais quatro emissoras de rádio e consolida o SCC - Sistema Catarinense de Comunicação.

Moacir Pereira, no estudo que fez para o livro Imprensa & Poder a comunicação em Santa Catarina, registra que a TV Planalto teve sua concessão oficializada em 13 de outubro de 1977 e entrou no ar no dia 10 de julho de 1980, retransmitindo a programação da TVS, embrião do Sistema Brasileiro de Televisão. E acrescenta: ‘Roberto Amaral marca presença na fundação da União Brasileira de Emissoras Integradas de TV, que resultará no SBT’. A TV Planalto foi a primeira afiliada da rede criada por Sílvio Santos.

Em entrevista ao Tá na Mídia, Roberto Amaral lembra as motivações que levaram à instalação do serviço de alto-falantes em Lages: a II Guerra Mundial foi o maior acontecimento do século passado e as pessoas precisavam saber notícias da guerra, o que os aliados estavam fazendo, a quantas andavam os conflitos e por aí adiante. Um sistema de alto-falantes também foi instalado no Rio Grande do Sul, na cidade de Passo Fundo, por Maurício Sirotsky, que acabou sendo o embrião da RBS. Em Santa Catarina, o meu pai fez esse serviço que comunicava às pessoas o que estava acontecendo em Lages e no mundo.

Quando tocava na praça a musiquinha que precedia uma notícia ou um comunicado importante, as pessoas vinham para ouvir. Além disso, havia também os noticiários que iam ao ar algumas vezes por dia; também havia espaços onde as pessoas dedicavam músicas, o que possibilitava que elas namorassem e se comunicassem através do serviço de alto-falantes. Como bom pioneiro, seu Carlos Jofre do Amaral também levava esse equipamento, os amplificadores e os alto-falantes, para as festas, especialmente as festas de igreja. E não ficava só nisso, era comum ele levar a novidade para cidades como Caçador, Curitibanos, Videira ou Campos Novos e com isso, muitas vezes, acabava se tornando a grande atração das festas.

Foi numa dessas festas, conta Roberto Amaral, que ele conheceu a minha mãe. Ele, um paulista, acabou conhecendo minha mãe numa dessas festas, nas quais era o ‘homem do microfone’, e acabaram casando.

Ricardo Medeiros e Lúcia Helena Vieira, quando da pesquisa para escrever a História do Rádio em Santa Catarina, em 1999, traçaram um perfil da Rádio Clube, de Lages e acrescentam mais informações sobre as suas origens.

O paulista Carlos Jofre do Amaral se mudou para Lages em 1939, oriundo de São Bernardo do Campo, São Paulo. Na região serrana, juntamente com José Botini e Oswaldo Lenzi, criou A voz da cidade, um serviço de alto-falantes instalado na praça João Costa. Na programação, música, notícias e anúncios comerciais, transmitidos do estúdio improvisado na sede do Lages Tênis Clube.

Era Carlos Jofre do Amaral também quem, em 1947, recebia sinal verde do governo federal para instalar a Rádio Clube. Mas na prática a emissora iniciou suas atividades dois anos depois, sob o prefixo ZYW-3, freqüência 1.390 Khz e potência de cem watts. Essa empreitada do pioneiro dos campos de Lages contou ainda com a ajuda dos sócios Osni de Medeiros Régis e João Dias Brascher.

Em clima de festa, em 1951, a Rádio Clube inaugurava o novo transmissor, com mil watts de potência. Para o evento foi contratado o cantor Vicente Celestino, estrela do mundo artístico da época.

Manoel Vicente, radialista que ingressou na emissora em setembro de 1949, relata que a estação servia de elo de comunicação entre os moradores da região. Eles utilizavam a rádio para mandar avisos. Dentro do espírito de utilidade pública, consta do folclore da Rádio Clube que o morador de um sítio se deslocou até a cidade para buscar umas tripas para fazer lingüiça, pois tinha carneado um porco. Ao chegar, o caipira se sentiu mal e foi ao médico. Examinado, constatou-se um problema sério, necessitando de cirurgia. O interiorano, preocupado em despachar a encomenda, foi até a Rádio Clube dar um aviso aos familiares, que costumeiramente acompanhavam a programação da emissora. Ao microfone o caipira saiu com essa: ‘Pessoal, baixei hospital e fui operado. As tripas vão de ônibus’ (depoimento em 14/06/1999).

Um dos slogans mais conhecidos da Rádio Clube foi ‘Se a Clube não deu é porque não aconteceu’."

Deputado Francisco Küster, deputado Antônio Ceron, quero parabenizar a emissora pelos 59 anos de existência, nas pessoas do grande Maneca, locutor daquela rádio, que está desde a fundação, do sr. Evaldir Nascimento, que também está desde a fundação, também o nosso grande amigo Zanella Sobrinho, que tem um programa maravilhoso, uma voz maravilhosa, além do Sevilho Ferreira e do Silva Müller.

Com essas saudações, com esses parabéns a esses locutores da rádio, que são a estrutura dessa emissora, quero remeter a minha saudação e os meus parabéns a toda diretoria da rádio, a todos os funcionários e também a todos aqueles que ajudam a manter essa rádio através do patrocínio, através da divulgação dos seus negócios.

Os empresários lageanos mantêm aquela rádio há 54 anos, que, sem desmerecer as demais, é o ícone da comunicação do estado de Santa Catarina e da cidade de Lages. Através daquela emissora temos a oportunidade de levar a informação, de levar constatação de fatos, de levar a oportunidade ao povo carente, ao povo humilde a fazer suas solicitações.

Hoje, pela manhã, quando parabenizava a rádio, havia lá cerca de dez pedidos: passagem, cesta básica, cadeira de rodas... Aquela rádio oportuniza ao político, aos executivos, aos empresários, à população carente, às associações de moradores, o seu espaço para pedir, para solicitar, para fazer valer a sua cidadania. Através da rádio pode-se constatar e pode-se ter a verdadeira oportunidade que muitas vezes o povo não tem. Sabemos que 5% da população não tem do que reclamar, deputada Ana Paula Lima, mas 95% da população muitas vezes não tem a quem reclamar.

Então, a rádio passa a ser um veículo. A Rádio Clube é, em Santa Catarina, reconhecida como uma emissora maravilhosa. Parabéns à Rádio Clube. Parabéns a todos aqueles que eu citei aqui. E em nome deles quero saudar todos os funcionários.

Sr. presidente, sra. deputada, srs. deputados, quero aproveitar também os minutos que me restam e fazer aqui uma saudação. Não o fiz ontem por falta de tempo hábil, mas faço-o neste momento. Trata-se de uma homenagem ao nosso Getúlio Dornelles Vargas, que nasceu em São Borja, em 19 de abril de 1883 e foi levado ao suicídio no dia 24 de agosto de 1954. Com uma bala no peito ele atrasou o golpe militar em dez anos e saiu da vida para entrar na história.

Contrariamente ao que muitos governantes fizeram antes dele e vêm fazendo depois dele, o governo Vargas conquistou, por exemplo, a vinda de técnicos estrangeiros para incrementar a nossa economia, dentre outras ações que o imortalizaram. Muitos governantes brasileiros, antes e depois de Vargas, colocaram em menor grau a economia brasileira a serviço dos interesses estrangeiros. Por isso, consideramos Getúlio Vargas o melhor presidente que o Brasil já teve em toda a sua história.

Dessa forma, faço aqui a minha singela homenagem, em nome do PTB catarinense, a esse grande político, a esse grande presidente que construiu o trabalhismo no Brasil, o nosso grande Getúlio Vargas.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)