Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Joares Ponticelli

3ª Sessão - 19/01/2006

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, ainda acerca da desorganizada viagem de sua excelência, o governador, para a Rússia, deputado João Henrique Blasi, v.exa. leu no Diário Catarinense apenas uma parte da notícia. V.Exa. lê de forma rotineira e atenciosa a coluna do Fabian Lemos, assim como todos nós, e penso que no Diário Catarinense é a primeira página que se lê todo dia, mas v.exa. esqueceu de ler a coluna do Fabian Lemos com o título Temperatura.

Diz a nota:

(Passa a ler)

"Lendo os jornais é possível indagar se o governador Luiz Henrique da Silveira não embarcou numa fria nessa viagem à Rússia. Viajou com os números da pesquisa do Ibope não muito alentadores para o governo. Chegando lá encontrou o pior inverno dos últimos anos e teve que esperar para se avistar com autoridades russas. Ontem, Luiz Henrique da Silveira conseguiu conversar com o vice-ministro da Agricultura."[sic]

O que acabamos de ler consta da coluna do jornalista Fabian Lemos, não contestada pelo deputado João Henrique Blasi!

Lemos na matéria que a Rússia vai analisar o controle de Santa Catarina contra a aftosa. Aí novamente o deputado João Henrique Blasi só leu a parte que lhe convém. E diz o segundo parágrafo, da mesma matéria, que o governador Luiz Henrique achou positivo o resultado do encontro e acredita que o fim do embargo não vai demorar. E aí a resposta, a afirmação do governador é a seguinte: "O que tinha de ser feito, foi feito". Esta é a resposta. Não sei o que quer dizer "o que tinha de ser feito, foi feito". É positivo isso? É negativo? Não sei. "O que tinha de ser feito foi feito." Mas continua.

Deputado João Henrique Blasi, v.exa. é um homem muito inteligente. E aqui está a prova de que o governo viajou sem agenda, sem programação. Diz a mesma matéria que v.exa. trouxe: "O encontro foi viabilizado pelo prefeito de Moscou, político mais importante do país", que deve ter sociedade com Luiz Henrique no negócio do Bolshoi, essa sociedade de Joinville com Moscou no Bolshoi. Ou seja, não tinha pedido de audiência. Ele deve ter ido lá, no sócio do Bolshoi, e dito: "Ajude-me. Estou aqui numa friagem, literalmente numa friagem. Vim sem audiência e agora preciso que me ajude, como meu sócio lá no Bolshoi". E aí, na tarde de quarta-feira, o prefeito de Moscou, que deve ser convidado para ser secretário de Relações Internacionais de Santa Catarina...

Eu acredito que na saída agora, na mudança dessa penca de secretários, deve entrar o prefeito de Moscou como secretário de Relações Internacionais, porque ele conseguiu nesta semana marcar a audiência.

Então, no próprio Diário Catarinense está a prova de que não havia agenda, de que não havia nada programado. Foram para bater na porta. "Vamos lá, vamos bater na porta para ver se conseguimos alguma coisinha na sexta-feira santa dos ortodoxos". Foi mais ou menos essa relação. "Vou lá bater na porta para dizer que quero uma audiência. Dá para liberar o negócio da carne aí"?

Foi mais ou menos assim. É uma piada. É a imprensa que está dizendo, é o Fabian Lemos, é o Renato Igor que está lá, é o Cacau Menezes. Só não vê quem não quer, quem está cego, quem está cumprindo ordem e defendendo de qualquer jeito. A imprensa está dizendo. Salta aos olhos. Não havia organização nenhuma de viagem, não havia agenda. E a agenda do vice-governador barrou o deputado Lício Silveira de participar.

O deputado Lício Silveira foi convidado e desconvidado. Não podia ficar no mesmo hotel do vice-governador por quê? O deputado Lício Silveira chegou a comprar mala, comprar terno quente e teve que devolver. Foi ou não, deputado Antônio Carlos Vieira? Teve que devolver! Trocou os dólares para viajar e foi desconvidado, num desrespeito, deputado João Henrique Blasi, a este Parlamento! Não foi uma agressão ao deputado Lício Silveira, foi uma agressão ao Parlamento, que teve um representante convidado para viajar, que aceitou, que comprou mala, paletó, trocou os dólares, recebeu as diárias, deputado Nilson Gonçalves, converteu o dinheiro e foi desconvidado, porque o vice-governador mandou dizer que o deputado Lício Silveira como representante do Parlamento só poderia ficar no mesmo hotel durante dois dias. Depois tinha que sair, ir para um outro hotel e deslocar-se de carro todos os dias. Não podia participar da viagem da comitiva e tinha que ficar na lista de reserva para poder voltar. Ou seja, queriam dar só uma passagem de ida para o deputado Lício Silveira para o Japão. Só deram uma passagem de ida!

O que é isso? Isso é um desrespeito. E o deputado Lício Silveira, que é um gentleman, que é um homem muito reservado, extremamente educado, não quis contar. Mas esse assunto agora vai ser colocado. Agora tem que contar. Santa Catarina precisa saber por que o vice-governador não queria o deputado junto, por que esse deputado só poderia ficar junto durante dois dias. O que vai acontecer no restante do tempo? A que lugares vão que um deputado não pode participar?

Quero a resposta, a lista dos integrantes dessa comitiva e a agenda; quero descobrir o que está acontecendo nessas excursões. Não é a primeira excursão turística que este governo faz. Eu nunca critiquei viagem ao exterior, nunca! quando as viagens são sérias, quando trazem resultados positivos para Santa Catarina, mas não quando são feitas na base da mentira que a imprensa está retratando, sem agenda, sem compromisso, sem respeito a quem está pagando essa conta.

Quanto custa uma viagem para o Japão? Quanto custa para levar colunista social junto? Não tenho nada contra colunista social, pelo contrário. Acho que eles fazem o seu papel. Mas colunista social numa viagem internacional paga pelo erário não dá para compreender, enquanto que o deputado, representante do Parlamento, deputado Lício Silveira, foi desconvidado. Teve que devolver as diárias, a mala e o terno de lã que comprou na Estoril. Essa é a loja em que ele comprou roupa quente. Que respeito é esse que tem o governo, presidente Nilson Gonçalves? Que respeito é esse que tem o governo por este Parlamento? Não tem respeito. E agora querem contestar trazendo só o que lhes interessa.

Quando o deputado Dionei Walter da Silva traz uma denúncia séria, comprovada, como trouxe ontem... Foram R$ 12 mil de coquetel com recurso do Fundo Social! Que fossem R$ 12,00 somente. O que há nesse coquetel que não está discriminado? A cerveja está discriminada. Será que no coquetel não está o uísque junto, o vinho? O que mais? Por que esse alvoroço todo? É porque não querem abrir essa caixa preta. É porque não querem deixar investigar o Fundo Social. Esta é a verdade. Porque tem muita coisa para esconder nesse negócio.

Já existem cinco denúncias. Deve ter coisa muito grave. Por isso esse esforço. Por isso essa tentativa de desqualificar, enfileirados! Quando se faz uma denúncia que pega, que entra na veia, aí a reação é como se um enxame de abelhas fosse alvejado. É porque tem coisa grande para esconder nesse negócio. Isso só me dá mais certeza, mais convicção de que tem que ser profundamente investigado esse negócio das subvenções. Existe muita preocupação. Existe parlamentar que fica ouriçado. Deve ser a lista das subvenções sociais. Existe gente que fica irritada, dá urticária, quando fala nesse negócio, especialmente quem mudou de partido. Quem trocou de partido é quem fica mais assustado. Quem estava de um lado e entregou-se. E não é a primeira reação que vejo desse tipo nesta Casa. É porque há coisa para esconder.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)