Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Wilson Vieira - Dentinho

23ª Sessão Ordinária - 19/04/2005

O SR. DEPUTADO WILSON VIEIRA - Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, público que nos prestigia, funcionários deste Poder, telespectador da TVAL.

Semana passada, eu fiz uma visita aos dois principais hospitais de Joinville: o Hospital Regional Hans Dieter Schmidt e o Hospital São José. E, para minha surpresa, deparei-me, nesses dois hospitais com fatos que me deixaram bastante preocupado. No Hospital Regional deparei-me com problemas sérios de faltas que chegam a somar um total de 1.300 faltas por mês. Grande parte dos funcionários daquela instituição sequer trabalha, vivem de atestado médico literalmente, e a administração, em Florianópolis, da Secretaria da Saúde, não faz nada para corrigir essa distorção, para acabar com essa mamata que há no hospital, o que prejudica em muito o funcionamento daquela instituição.

Outra questão que me chamou atenção foi o fato de que os médicos vivem reclamando que ganham pouco, mas vendo, pesquisando sobre pró-labore que recebem naquele hospital, há médico que recebe de R$ 50 a 75 mil por ano só de pró-labore, fora salário e hora/plantão que eles executam.

Então, isto demonstra que os médicos ganham muito bem do Sistema Único de Saúde, mas vivem reclamando de barriga cheia e a maioria deles sequer comparece para trabalhar; normalmente são substituídos por um residente, por um colega qualquer que acaba fazendo a substituição em algum plantão em que deveriam estar presentes.

Outra questão que me chamou atenção, também, foi o estado daquele hospital, que está, simplesmente, caindo aos pedaços! O hospital está totalmente sem oferecer condições mínimas de segurança a quem lá está internado, a quem lá trabalha. Para piorar a situação, a casa de força do hospital é embutida dentro do hospital e há anos não se faz manutenção. Existem transformadores com vazamento de óleo, correndo o risco de explosão. E sabe-se que se explodir um equipamento daqueles, acabará detonando boa parte do prédio do hospital, além de ceifar muitas vidas que trabalham ali por perto, em cima ou embaixo, próximo à casa de força.

Outra questão que me chamou atenção, ainda, foi o sistema hidraúlico, sistema de água. Toda a tubulação tem vazamento, vazamento grande, e chega a aumentar, a onerar a conta de água daquele hospital em cerca de R$ 300 mil por ano! Repito, R$ 300 mil reais por ano é o valor em que chega a onerar a conta daquele hospital por conta dos imensos e contínuos vazamentos que há na rede hidraúlica daquele hospital.

É inadmissível que o Governo não tenha feito um projeto para refazer toda a rede, porque não dá para aproveitar nada daquela rede que está lá toda entupida, toda enferrujada, vazando não só nas emendas, não só nas conexões, mas vazando em toda a tubulação! E grandes vazamentos! E quando se fecha um vazamento, aparecem mais três ou quatro, o que coloca o hospital em risco de a qualquer hora ficar sem água e entrar em colapso.

Chamou-me a atenção, também, o fato de um hospital, numa cidade que necessita de tantos leitos, estar sendo ocupado por uma empresa de iniciativa privada, tipo a Pró-rim, que utiliza uma ala que poderia ser transformada em mais dez leitos ou, em pelo menos, numa UTI de cinco ou seis leitos, para garantir melhor atendimento ao povo de Joinville. Da mesma forma, a Univille também utiliza outra ala, onde poderia ser criada uma UTI com cinco ou dez leitos ou mais uma ala com dez, doze leitos para adultos, pois Joinville tem bastante necessidade de ter leitos para adultos.

Infelizmente, são instituições que estão utilizando aquele espaço, no caso a Univille, que praticamente não o utiliza, ficando vazio o tempo todo. Alguma coisa tem que ser feita para liberar aquele espaço, para que se construa mais leitos hospitalares em Joinville.

Também me chamou a atenção o fato de que não há nenhum controle por parte do hospital na entrada e na saída das pessoas. Portanto, é muito comum sumir objetos daquele hospital. Têm pessoas que entram com uma bolsa e saem com duas, três e sabe-se lá o que estão carregando ali dentro, além de pessoas que não são autorizadas, que não fazem parte do quadro poderem entrar com facilidade naquele hospital. Então, é necessário que se faça o controle da entrada e da saída através do sistema digital, em que as pessoas tenham que se identificar, de forma digital, para não terem acesso livre àquela instituição.

Além desses aspectos já levantados, é necessário fazer uma reforma estrutural no prédio do hospital, pois ele está deteriorando-se. Há qualquer hora vai começar a cair o telhado, já chove dentro em diversos locais, principalmente na cozinha, que não oferece a menor condição de segurança e higiene, ainda mais se tratando de um estabelecimento hospitalar.

Por outro lado, no Hospital São José deparamo-nos com uma situação caótica, onde grande parte dos pacientes atendidos no sistema de emergência daquele hospital acaba nos corredores. Ficam internados nos corredores porque não há mais leitos. A falta de leitos é imensa. É um hospital que atende, de forma regional, diversos Municípios do Estado.

A UTI de queimados só existe no Hospital São José. Fiquei admirado ao saber que não existe UTI de queimados em nenhum outro Município de Santa Catarina, nem mesmo em Florianópolis. Em Florianópolis, só há UTI de queimados para crianças. Para adultos só há no Hospital São José. Então, qualquer pessoa que é queimada e precisa da UTI de queimados tem que ser transferida para Joinville, o que é lamentável, demonstrando um descaso, por parte dos Governos que passaram por este Estado, com a saúde de Santa Catarina. Além disso, a UTI de queimados que lá existente só tem cinco leitos, o que é um número bastante pequeno para atender a necessidade de todo o Estado.

O Sr. Deputado Antônio Aguiar - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO WILSON VIEIRA - Pois não!

O Sr. Deputado Antônio Aguiar - Gostaria só de relatar a V.Exa. que na Comissão de Saúde foi realizada uma audiência pública, onde se aprovou um requerimento no sentido de se fazer um levantamento de como se encontra a saúde no Estado de Santa Catarina.

O SR. DEPUTADO WILSON VIEIRA - Gostaria de sugerir, então, que a Comissão comece por Joinville, porque o Hospital São José daquela cidade está em uma situação parecida com a do Rio de Janeiro, ou seja, quando lá começou o colapso nos seus hospitais, com um índice altíssimo de pessoas nos corredores. Não são um ou dois pacientes, mas 20, 30, 40 pacientes que em determinadas semanas ficam nos corredores esperando tratamento.

Para piorar a situação, existe a proposta de reforma das alas A e B, onde o Governo Federal está entrando com R$ 1.300.000,00 para a reforma daquela ala, a fim de liberar leitos para atender os pacientes daquele hospital, mas o Governo Estadual até agora não apresentou nenhuma contraproposta, nenhuma contrapartida para garantir a realização ou a criação de mais leitos para atender a população de Joinville e região e a população de todo o Estado.

Outra coisa que me chamou atenção, além da questão dos leitos no Hospital São José, é a necessidade de mais UTIs e de reforma estrutural também no prédio principal, de tal forma que se possa possibilitar a criação de mais leitos, que é uma grande necessidade em Joinville. O São José acaba sendo um hospital que atende de forma regional porque todo mundo vai para lá. Ao invés dos pacientes irem para o Regional, acabam indo para o São José, porque fica mais próximo da entrada da cidade e mais fácil para que o cidadão de outro Município tenha acesso ao atendimento de emergência, pois ele atende casos de fraturas.

Portanto, 90 a 95% dos acidentados da BR-101 e de outras BRs acabam indo para o Hospital São José. Infelizmente, ele está próximo de entrar em colapso e é preciso urgentemente que o Governo do Estado disponibilize verbas para a reforma das alas A e B para poder garantir os leitos que aquele hospital necessita.

Em relaçãoa outras questões, quero dizer também que existem rumores de que há a intenção de o Governo do Estado repassar o Hospital Regional e a Maternidade Darci Vargas para o Município. Só que antes de fazer isso, o Governador tem que pensar muito bem porque terá que repassar, inicialmente, os oito hospitais que existem em Florianópolis - e que são gerenciados pelo Estado - ao Município para depois pensar em repassar os dois hospitais para Joinville. E isso seria um absurdo, pois aquela cidade já tem uma despesa muito grande com a Saúde, sendo que diversas regiões já estão atuando por conta própria, com recursos do Município. Portanto, Joinville não tem condições de suportar ainda o gasto com mais dois hospitais.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

(SEM REVISÃO DO ORADOR)