63ª Sessão Ordinária - 12/07/2006
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, sra. deputada, srs. deputados, alguns dias atrás, eu assomei à tribuna, como outros deputados, especialmente o deputado Afrânio Boppré, para me manifestar sobre as coligações em Santa Catarina e algumas coligações, pelo que estamos lendo e ouvindo, carecem de poder de convencimento até para os seus.
Falar de uma determinada coligação de Santa Catarina que mais parece uma penca de siris, se partir da Oposição, deputado Paulo Eccel, parece coisa de despeitado. Mas eu recebi hoje uma entrevista de um candidato a deputado do PMDB de Balneário Camboriú - não estou aqui para fazer propaganda do diarinho, mas recomendo, deputado Moacir Sopelsa, a leitura da entrevista concedida pelo candidato Periquito a todos os parlamentares desta Casa -, que é muito interessante, pedagógica, elucidativa e necessária.
Esse cidadão tem o meu respeito pela sua coragem, pela sua transparência de colocar tudo que pensa. A entrevista dele, deputado Moacir Sopelsa, vale a pena ler! O que ele diz é preocupante! Mas não vou detalhar, vamos ter tempo para repercutir essa e outras manifestações de candidatos já da coligação penca de siris.
Mas eu quero falar, hoje, de custo de campanha. Acho que precisamos voltar a falar sobre isso. O deputado Afrânio Boppré puxou no assunto, ontem, já discutimos um pouco sobre isso e precisamos voltar a falar, até porque agora consegui um levantamento oficial, deputado Antônio Ceron, do custo de campanha nos três estados do sul do país e realmente isso chama muito a atenção.
O Rio Grande do Sul tem mais que o dobro de população do nosso estado, ele deve ter algo em torno de dez milhões de eleitores, deputado Narcizo Parisotto. O governador Germano Rigotto, do PMDB, que é do Rio Grando do Sul e é candidato à reeleição, estimou o custo da sua campanha em R$ 7 milhões, deputado Antônio Ceron, para um estado que tem mais que o dobro dos nossos eleitores.
A candidata favorita no Rio Grande do Sul Yeda Crusius, que também tem uma coligação enorme, são dez partidos, estimou o custo da sua campanha também em R$ 7 milhões.
O candidato do PT Olívio Dutra, que também é um candidato forte, o PT também tem uma estrutura grande no Rio Grande do Sul, estimou o custo da sua campanha em R$ 7 milhões também.
O candidato do meu partido, Francisco Turra, estimou o custo da sua campanha em R$ 4 milhões; o Partido Verde em R$ 1,5 milhão; o Alceu Colares, do PDT, em R$ 5 milhões.
Deputado Vânio de Oliveira, o custo das campanhas favoritas no Rio Grande do Sul oscila na casa de R$ 5 milhões a R$ 6 milhões.
Custo da campanha no Paraná: o candidato Flávio José Arns, do Partido dos Trabalhadores, estimou o custo da sua campanha em R$ 4,9 milhões. O Paraná também tem o dobro de eleitores de Santa Catarina.
Custo de campanha do candidato favorito do Paraná, Osmar Dias: R$ 11 milhões.
Custo de campanha do candidato do PPS, Rubens Bueno, uma candidatura forte, também R$ 4,9 milhões.
Então, a média, deputado Narcizo Parisotto, do custo de campanha no Paraná está em torno de sete a oito milhões.
Santa Catarina: custo de campanha da Coligação Nova Santa Catarina, que é a coligação que o seu partido integra, deputado Narcizo Parisotto: R$ 3 milhões.
Candidatura do candidato Maneca Dias, do PDT: R$ 2 milhões.
Candidatura do candidato José Fritsch, do PT: R$ 3,4 milhões.
Candidatura Salve Santa Catarina, do governador Esperidião Amin: R$ 2,7 milhões.
As candidaturas do P-Sol, do PSTU, do PCB, do PTC e do PSDC, todas, não chegam a R$ 1 milhão.
Portanto, deputado Antônio Ceron, o somatório das outras sete candidaturas ao governo de Santa Catarina fica na faixa de R$ 12 milhões. E a candidatura do governador Luiz Henrique está em torno de R$ 15 milhões.
Por que será que somente o candidato Luiz Henrique da Silveira, dos três estados do sul, apresenta um teto tão alto? Qual será o segredo, deputado Paulo Eccel? Por que somente para um candidato, no sul do Brasil inteiro, é tão fácil assim arrumar dinheiro?
Deputado Antônio Ceron, v.exa. lembra que o governador Luiz Henrique passou o governo todo dizendo que ele fez uma campanha muito humilde em 2002, que era só ele e um tal de Zequinha, Zequinha, Huguinho, Luizinho, Zezinho, o motorista dele. Era só ele e o motorista varando noite, os dois revezando o volante, dormiam no carro, ficavam em um hotelzinho barato, comiam pão com mortadela, porque não tinham dinheiro para comer nada melhor do que isso, e chegou ao governo do estado.
E agora ele sozinho vai gastar mais do que todos os outros candidatos? Não é normal isso! Teria que haver uma explicação! Como é que só um candidato consegue ter tanta facilidade para arrumar dinheiro?! Será que nesses quatro anos que ele foi governador ele descobriu- talvez nessas viagens dele improdutivas, como essa que ele fez para a Rússia no feriado, nessas viagens para a Europa, para trazer aerobarcos e os aerobarcos não chegaram - uma árvore que produz dinheiro, tenha plantado no seu quintal, em Joinville, uma árvore que produz dinheiro, porque nenhum outro candidato consegue isso.
Como é que o estudante, o cidadão catarinense, trabalhador, que conhece a história da nossa política, que sabe que Santa Catarina nunca teve essa gastança de dinheiro, como é que o eleitor vai compreender tudo isso?
Será que você que nos assiste agora, pela TVAL, não está, também, com a dúvida e pensando de onde virá esse dinheiro?Será que é de uma árvore frutífera? Deve ser, não há outra explicação.
Eu só não entendo, deputado Antônio Carlos Vieira, por que o governador, que consegue com tanta facilidade arrumar essa dinheirama toda para campanha, não consegue arrumar dinheiro, por exemplo, para pagar a bolsa de estudos dos estudantes que está atrasada! Dinheiro para campanha jorra, dinheiro para bolsa de estudos desaparece; dinheiro para campanha jorra, dinheiro para os agricultores some, estão falidos. Dinheiro para campanha sobra, deputado Antônio Ceron, dinheiro para acabar com a "ambulancioterapia" desaparece.
O custo de campanha do Lula e do Geraldo Alckmin, que são os dois presidentes que podem se eleger, é algo em torno de R$ 80 milhões.
Um dos menores estados do país, em número de eleitores, gasta com campanha R$ 15 milhões, 20% do custo de uma eleição para presidente da República! Não é sério isso! Tem alguma coisa errada. Essa dinheirama toda não está dando em árvore e não está caindo do céu. Isso está vindo de algum lugar e alguém vai ter que pagar essa conta. Ninguém é tão bilionário assim em Santa Catarina para colocar tanto numa campanha.
Quero voltar a discutir isso, quero voltar a discutir a fixação de valores, porque não dá para compreender.
Os candidatos, juntos, do Rio Grande do Sul e do Paraná não vão gastar tanto em campanha quanto o candidato Luiz Henrique da Silveira. Só ele consegue essa dinheirama toda?! Há alguma coisa mal contada. Nós precisamos ficar atentos, porque não é da tradição de Santa Catarina...
(Discurso interrompido pelo término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)