24ª Sessão Ordinária - 19/04/2006
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, catarinenses que nos acompanham ao vivo participando da nossa sessão, catarinenses que nos acompanham através da TVAL e da Rádio Digital, naturalmente que o assunto sobre o qual devo manifestar-me, hoje, não é outro senão aquele que desde ontem norteia todas as rodas políticas e jornalísticas. Certamente é o assunto mais comentado em todo o estado: a deflagração do processo de falência, de fechamento, de liquidação, de extinção do Besc, patrocinado por ninguém menos do que o governo do candidato Luiz Henrique da Silveira.
Quem diria, deputado Antônio Carlos Vieira! Nunca imaginei, confesso a v.exa. e a todos os catarinenses que nos acompanham, pudesse ter, em tão pouco tempo, deputado Paulo Eccel, a oportunidade de, num amplo debate, como se vai travar a partir de agora, poder ver, deputado Lício Silveira e deputado Celestino Secco, meu líder, lavada a nossa honra, a honra do nosso partido, a honra do ex-governador Esperidião Amin, tão incompreendido, tão injustamente atacado, tão criticado por esses que imitam governar Santa Catarina, hoje.
Eu lamento a ausência até o momento do deputado Jorginho Mello, porque sei que v.exas., que tanto se empenharam na defesa do banco público, não se furtarão diante dessa tentativa de liquidação, de extinção, de venda, de falência do Besc, patrocinada por um governo falido, por um governo irresponsável, por um governo que mentiu, que inventou, que gerou expectativas e agora não as consegue honrar, premido que está pela campanha eleitoral, deputado Vieirão; premido que está pelos prefeitos com mais de dois mil convênios sem fundos em Santa Catarina; premido que está pela ameaça real e concreta de faltar dinheiro para três folhas de pagamento, conforme anunciado pelo diretor do Tesouro, sr. Ricardo Rabelo, no jornal ANotícia, do último dia 19 de março.
Este governo irresponsável e politiqueiro, que não planejou, que não pensou, que só fez política nesse período, não tendo como honrar seus compromissos, assume a sua verdadeira face e inicia o processo de extinção do Banco do Estado de Santa Catarina!
Quem diria, deputado Pedro Baldissera, que me seria dada, em tão pouco tempo, esta oportunidade de vir aqui não para fazer o meu discurso, não para inventar nenhuma palavra, mas para resgatar palavra por palavra, frase por frase ditas aqui por esses que defendem o governo hoje. Nós não precisaremos dizer nada de novo, deputado Paulo Eccel. Deputados Antônio Carlos Viera e Celestino Secco, não teremos que acrescentar nenhuma palavra nova em defesa do Besc. Vamos apenas repetir o que disseram aqui os deputados que tanto criticaram a federalização, que salvou o banco, que manteve as quase 50 agências pioneiras funcionando nos pequenos municípios deste estado, que manteve o emprego, não ficou quem não quis, porque aderiu a um PDI que valorizou, que reconheceu e que prestigiou o servidor.
Agora, este governo falido e irresponsável quer vender as contas do servidor público, descumprindo o que determina a legislação, pela bagatela de R$ 250 milhões! Bagatela, sim, deputado Celestino Secco, pois se a prefeitura de Blumenau vendeu suas contas por R$ 8 milhões, como é que o estado, com 130 mil contas, vai vender por apenas R$ 250 milhões?!
Tem coelho nesse mato! Não é o objetivo só de botar dinheiro no caixa, não! O objetivo não é só cobrir a folha de pagamento ameaçada. O objetivo não é só cumprir e honrar os convênios politiqueiramente distribuídos por este estado. Há outros interesses! Porque este governo nós conhecemos, a forma de agir dessa gente nós conhecemos. Eles fazem qualquer negócio, mas a verdadeira face está aparecendo.
Não vou acrescentar, já disse e repito, nenhuma palavra nova. Vou também resgatar o que estou dizendo aqui há três anos, há dois anos, há um ano: nós alertamos. A nossa bancada, deputado Celestino Secco, está cumprindo com o dever atribuído pelas urnas de fazer oposição com coerência e com responsabilidade, sem se curvar, sem se entregar. É verdade que para isso tivemos que expulsar um deputado do nosso partido. Como foi dolorido cortar alguém da própria carne! Foi um momento difícil para o nosso partido ter de expulsar um membro histórico, com mais de 30 anos de serviços prestados ao nosso partido! Mas expulsamos para preservar o discurso, para cumprir com o papel que as urnas nos delegaram de fazer oposição com responsabilidade.
Nós estamos alertando esse tempo todo: vai faltar dinheiro algum dia! Essa irresponsabilidade administrativa não vai dar certo! Quantas vezes vim a esta tribuna para dizer isso. E agora a realidade dos fatos, deputado Vânio dos Santos, está estampada em todo o noticiário de hoje. Começou pela Casan. A abertura da porteira, eminente conselheiro Luiz Suzin Marini, foi o edital para vender as contas da Casan. E hoje já se anuncia a venda, o leilão, à entrega das contas de todos os servidores públicos catarinenses.
E o Besc, o banco público tão defendido apaixonadamente, intransigentemente defendido pelo PMDB nesta tribuna, como ficará agora?! Como irão comportar-se os arautos defensores do Besc? Eles irão mostrar a sua verdadeira face agora! Irão mostrar que aquela defesa era interesseira, era eleitoreira, era demagógica, era mentirosa! Agora está chegando a hora da verdade. Que bom não precisar mudar o discurso!
Acusaram-nos, irresponsavelmente, de querer privatizar, porque lutamos para defender o emprego, lutamos para defender as agências pioneiras, lutamos para manter as portas do Banco do Estado de Santa Catarina abertas! Do contrário, ele teria sido liqüidado, sim, deputado Paulo Eccel, pela irresponsabilidade da gestão do governo Paulo Afonso, desse mesmo time, dessa mesma gente!
E agora eles vão liqüidar as contas. O que irão vender depois, deputado Antônio Carlos Vieira? Irão vender as contas para pagar três folhas de salário, irão vender as contas para pagar uma parte dos convênios que distribuíram, eleitoralmente, pelo governador fujão, que sabendo que isso iria acontecer, foi embora de licença. Foi embora de licença para a campanha antecipada, aliás, nunca terminada, ele não desceu ainda do palanque.
Vão vender o quê, depois do Besc? Será que a ponte Hercílio Luz está na fila? Estou falando da ponte Hercílio Luz, do patrimônio de Santa Catarina, será que vão vendê-la? Ou irão pedagiar as pontes Pedro Ivo Campos e Colombo Salles para cobrar de quem entra na capital? Vão vender mais o quê? O palácio já está aqui, abandonado; o que eles habitaram não pagaram a conta - está no jornal de hoje. Nós avisamos: não vão pagar essa conta! E depois disso, o que será vendido?
O que enfrentará o novo governo, mesmo que desgraçadamente seja esse fujão?! O que vai enfrentar? Como ficará o futuro do servidor público de Santa Catarina? Eu sou servidor de carreira, estou deputado temporariamente, mas sou professor, sou membro efetivo do Magistério. O que vai acontecer com os os meus colegas servidores públicos já está escrito. Agora, eles vão vender as contas, daqui a pouco, a ponte Hercílio Luz, depois eu não sei mais o que vai sobrar para vender e honrar a folha.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)