2ª Sessão Ordinária - 18/02/2003
O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Sr. Presidente e Srs. Deputados, desejo cumprimentar os Colegas Celestino Secco e Nelson Goetten pelos pronunciamentos feitos aqui, nesta tarde, que me induzem a usar esse espaço para falar nesse mesmo assunto que hoje envolve todos nós, brasileiros, e diz respeito a todo cidadão.
Ontem ouvi Deputados falarem em um País dos sonhos, dos milagres, dos espetáculos, que já estão acontecendo, Deputado Manoel Mota.
Ontem à noite procurei ouvir e assistir à imprensa nacional. Hoje procurei ler os jornais nacionais para ver e sentir qual é a realidade das coisas.
E tanto o depoimento de V.Exa., Deputado Nelson Goetten, como o do Colega Celestino Secco trazem números e dados que nos fazem refletir. Falam do País das maravilhas, de um Governo exitoso, mas os números não dizem isso. A realidade não é essa.
Os únicos números que vão mais ou menos ao encontro, Deputado Paulo Eccel, do raciocínio oportuno de V.Exas. são aqueles que falam da queda do Risco Brasil, da queda da taxa de juros e da queda do valor do dólar. Mas é uma queda em cima de uma alta proporcionada pelo medo do Governo do PT, não é herança do Governo anterior.
A vitória e a chegada do PT ao poder disseminaram esse temor não só no Brasil como na comunidade mundial do risco. E qual era o risco? Que o PT colocasse, implementasse aquilo que ele falava. E todos nós imaginávamos que o governo da mudança, uma vez empossado, iria exatamente trabalhar em cima das mudanças, mas aí houve o crescimento do Risco, do dólar, dos juros, etc.
Então, neste aspecto, na mesma política ortodoxa do Governo Fernando Henrique Cardoso, de Pedro Malan e Armínio Fraga, até por que o Ministro do Desenvolvimento e o Presidente do Banco Central são eleitores do Fernando Henrique Cardoso, não são eleitores do Lula, eles não tiveram uma política, estão por aí mais ou menos está mantendo a mesma coisa...
Além dos depoimentos ontem no Senado, na Câmara, procurei olhar hoje a imprensa e eu vou fazer aqui alguns comentários a respeito da matéria da Folha de S.Paulo, na coluna do Fernando Rodrigues, que fala em desorientação patética.
(Passa a ler)
"É quase catastrófica a atuação do PT e do Governo Lula na atual crise. Há erro de estratégia e tática. O principal e único coordenador político, José Dirceu, está abatido, enfraquecido. Abriu-se um vácuo. Ninguém teve competência nem coragem para preencher.
Um exemplo é uma pérola existente entre os argumentos contra uma CPI para o caso Waldomiro Diniz. Para o Governo, não é necessário CPI, por que o fato ocorreu em 2002.
‘Não foi apontada nenhuma irregularidade durante o atual Governo’, disse José Dirceu. Ainda não foi possível precisar de qual cabeça saiu esse raciocínio. O fato é que Dirceu o encampou. A indigência do argumento se dá por duas razões. Primeiro, por que se aparecer algum indício de que Waldomiro Diniz aprontou em 2003 o Planalto estaria obrigado a apoiar uma CPI. Segundo, a estratégia também é ruim, porque os petistas no Congresso decidiram apoiar a CPI de Waldomiro somente se for possível ampliar a investigação para o financiamento de outras campanhas, inclusive dos anos de Fernando Henrique Cardoso no Planalto."
Aí vale, Deputado Nelson Goetten, o argumento de procurar os delitos, os crimes anteriores a 2003.
(Continua lendo)
"Como assim? Não se deve investigar porque o caso é de 2002, mas, se houver CPI, deve-se voltar até o início da década de 90? Eis aí o pensamento petista em estado puro.
Essa desorientação patética, até cínica na sua estrutura, ocorre porque prevalece nos últimos dias mais o pensamento petista, do Partido, do que o do Palácio do Planalto. É um paradoxo."
Temos aqui Folha de S. Paulo:
(Passa a ler)
"Resultado Medíocre
Editorial
O IBGE divulgou ontem os dados finais de 2003 relativos ao emprego e aos salários da indústria. Mesmo tendo encerrado o ano com uma pequena alta da produção - de 0,3% em relação a 2002 - o setor industrial cortou 0,5% dos postos de trabalho, e a renda média dos trabalhadores caiu 3,8%.
Valor Econômico
Industria fechou 2003 com emprego e renda negativos." (Coluna da Vera Savedra)
E aí, Deputado Antônio Carlos Vieira, com a economia em queda, o desemprego aumentando, só tem um dado que cresceu lá e aqui, em Brasília e Santa Catarina, ou seja, o aumento da arrecadação.
Deputado Onofre Santo Agostini, tentam dizer, os químicos da comunicação governista, que não houve aumento da taxa tributária, e aí eu não entendo. O comércio vende menos, a indústria produz menos, o povo ganha menos, o Governo arrecada mais, e não teve aumento da carga tributária?
O comércio está sentindo nesses dias o reflexo do aumento da Cofins de 3% para 7.6%. Este aumento, Deputado Nelson Goetten, foi instituído sob o argumento da não-cumulatividade e seria para desonerar o setor produtivo. Santa ingenuidade é acreditarmos nessas questões, e o reflexo o povo brasileiro está sentindo.
E pior do que estarmos sentindo o naufrágio do aspecto econômico, principalmente sob a bandeira principal que era gerar 10 milhões de empregos, é vermos que no campo ético o mundo veio abaixo.
Ontem assisti de maneira constrangida à Senadora Ideli Salvatti tentar, no grito, superar a humilhação, dizendo que não há motivos para criar uma CPI. Logo ela, que desta tribuna, Deputado Nelson Goetten, batia, falava alto, esbravejava e dizia que todo mundo era bandido, menos o Partido dos Trabalhadores, o mesmo Partido, Deputado Sérgio Godinho, que nos últimos 10 anos entrou com 49 propostas de criação de CPI.
Não foram uma, duas ou três, não se conta nos dedos, foram 49 pedidos de CPI, e muitas delas subscritas por José Genoíno e José Dirceu, a dupla de Zé. Os dois que foram companheiros de quarto de Waldomiro Diniz por 10 anos e que em 10 anos não conseguiram saber se ele tinha boa ou má índole. Em 10 anos dormindo no mesmo quarto! Mas ele tinha processos correndo na Justiça.
Então, são essas questões que nos entristecem E entristecem-nos mais ainda ao saber, Deputado Onofre Santo Agostini, que os trabalhos na semana que vem serão normais. Sabem como é que vai trabalhar o Senado em Brasília para fugir da discussão? Lula, José Dirceu, Ideli Salvatti e José Sarney, juntos, suspenderam os trabalhos do Senado até o dia 1º de março. Por que carnaval de Brasília é um fato? Não, é para fugir da discussão.
O Sr. Deputado Nelson Goetten (Intervindo) - Brasília nem tem carnaval, não é, Deputado Antônio Ceron?
O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - O Carnaval está no Senado! Exatamente para deixar o desfile das falcatruas!
O Sr. Deputado Nelson Goetten - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Pois não!
O Sr. Deputado Nelson Goetten - Deputado Antônio Ceron, nós estamos perdendo muito a credibilidade. Esperávamos que o PT, na Presidência do Congresso, poderia dar um pouco de moralidade àquela Casa. Mas nós vemos que a bagunça continua. Começam a dizer que são, todos, farinha do mesmo saco. E aí o povo vai perdendo aquilo que é mais importante, que é a esperança, e isso é preocupante.
A SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Quero dizer que foi constrangedor para nós, de Santa Catarina, anteontem quando José Dirceu foi ao Senado levar a mensagem do Presidente, ter um catarinense que finalmente apareceu na grande mídia, o Secretário José Fritsch, papagaio de pirata número um, descontando José Dirceu, no seu lado esquerdo, na frente de todos tentando esboçar um sorriso, forçado, é evidente, porque o desconforto deveria ser grande.
Estava lá José Fritsch de papagaio de pirata e Ideli Salvatti, tentando se esforçar para encontrar um argumento que todos nós sabemos que não existe. E quando não tem argumento, grita, berra, fala alto, para ver se assustando tenta não convencer, mas amedronta...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)