Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Volnei Morastoni

86ª Sessão Ordinária - 30/08/1999

O SR. DEPUTADO VOLNEI MORASTONI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, o meu objetivo ao me inscrever em Breves Comunicações no dia de hoje é para manifestar o meu repúdio a uma matéria veiculada no jornal da Sindalesc - Sindicato dos Funcionários da Assembléia Legislativa de Santa Catarina -, sob o título "Viagem dos Deputados à Europa: Ida - buscar Anita. Volta - sem Anita."

Esta matéria, pela forma como foi redigida e apresentada, lamentavelmente quando parte de representantes dos servidores dos funcionários desta Casa, através do seu sindicato, e dá-me a certeza de que nessa condição esse sindicato não representa a opinião nem a vontade da maioria dos servidores, eis que é uma matéria falsa, mentirosa, pejorativa, deturpada, ofensiva e, acima de tudo, ignorante.

É lamentável que esse sindicato que é filiado à CUT, que eu defendo, faça um sindicalismo de várzea, de baixa qualificação. Primeiro demonstra um nível subcultural, um nível cultural abaixo da crítica, abaixo da média, que, tenho certeza, não representa a opinião da maioria dos servidores desta Casa. Só que a maioria ou todos pagam por alguns, infelizmente!

É uma espécie de provocação medíocre o que aqui está. A matéria diz o seguinte: "A viagem do Presidente da Alesc, Gilmar Knaesel, e de mais dez Deputados, inclusive o petista Volnei Morastoni, à Europa causou muita indignação na sociedade catarinense e foi foco de discussão entre os servidores da Casa". Mentira! Indignação na sociedade catarinense o quê?! Isso é uma fantasia, para começar! E desafio que mostrem aqui essa dita-cuja indignação!

(Continua lendo)

"Os argumentos utilizados para a viagem foram muitos e o motivo central seria a busca dos restos mortais da heroína catarinense Anita Garibaldi."Esta é uma outra mentira. Em nenhum momento a delegação oficial desta Casa que foi à Itália colocou que o objetivo da viagem era o de buscar os restos mortais de Anita Garibaldi. Isso é um absurdo!

Gostaria de dizer que antes de eu viajar (e não embarcamos assim de araque em missão dessa natureza) a minha Bancada fez uma reunião com a presença de dirigentes e até do Presidente Estadual do Partido. Só depois de várias considerações é que decidimos quão importante era compor essas viagens, que fazem parte de um trabalho de relações diplomáticas, de relações exteriores, de convivência com organizações de outras nações, de outros povos. Isso é fundamental até na política, por uma sociedade sadia.

O meu Partido, o PT, tem uma Secretaria Nacional de Relações Exteriores. A CUT também tem uma secretaria nacional neste sentido. E acho importante cultivar esse tipo de convivência.

Em segundo lugar, gostaria de dizer que já no início daquela viagem surgiu aqui a balela que uma das razões da viagem seria a seguinte (tenho aqui até matérias de jornais do dia 29/06, poucos dias antes da viagem): "Deputados farão contatos com movimentos separatistas".

História para boi dormir, balela! Inventaram que a delegação de Deputados catarinenses estava viajando à Itália com a "subintenção" de contactar Deputados separatistas do Norte da Itália, Deputados da Liga Norte.

Em nenhum momento da nossa viagem à Itália, desde a nossa partida até a nossa chegada, houve qualquer contato neste sentido (estão aqui alguns Deputados que participaram da comitiva: Romildo Titon, Ronaldo Benedet e Onofre Santo Agostini). Muito pelo contrário, o que se verificou é diferente disso. Vários Deputados que antes eram da Liga Norte, que já estiveram em Santa Catarina em missão de intercâmbio, estão agora em outro movimento, lutando pela questão da autonomia de regiões como a do Vêneto, que não tem nada a ver com o movimento separatista propriamente dito.

Essa balela provocou vários problemas antes da viagem. Isso foi feito com segundas intenções, para desviar o objetivo. É lógico que a viagem à Itália tinha um objetivo principal.

Até admito que o sindicato ou qualquer instituição da sociedade catarinense questione se essas viagens são válidas ou não, se esse intercâmbio que temos, que é um intercâmbio cultural, social, político e econômico com a Itália, deva ou não prosseguir.

Nós só temos a ganhar com esse intercâmbio, Srs. Deputados. Primeiramente porque Santa Catarina detém hoje a maior colônia de italianos no Brasil. Este um dos grandes motivos. Temos que aprofundar os laços e as relações diplomáticas com a Itália em todos os campos. Santa Catarina, terra de Anita Garibaldi, tem mais uma razão para usufruir desse intercâmbio com a Itália, porque Anita Garibaldi é tida como a Mãe da Pátria italiana.

Realmente estivemos, sim, aproveitando a oportunidade desta viagem, cuja razão principal é o intercâmbio. Desde 1995 delegações do Parlamento do Vêneto ou do Trento têm vindo para cá e delegações da nossa Assembléia têm ido para lá.

Então, a nossa viagem tinha como primeiro objetivo encaminhar uma série de protocolos e de determinações desse intercâmbio em várias áreas. Fizemos visitas, sim! Aproveitamos a viagem, estivemos em Roma, visitamos o Ministério das Relações Exteriores da Itália, assim como estivemos na Associazione Reducci Garibaldini com familiares de Anita Garibaldi. Estivemos também com o Embaixador brasileiro Flexa de Lima, em Roma, entregando um dossiê que continha muitos registros, manifestações culturais e cívicas, que foram organizadas por lagunenses e por outros catarinenses, demonstrando o respeito, o afeto e a admiração que dedicamos a nossa maior heroína, Anita Garibaldi.

É óbvio que não fomos à Itália buscar os restos mortais de Anita! Isso é uma questão que vai ser tratada em nível de Governo brasileiro com o Governo italiano, de Ministério das Relações Exteriores do Brasil com o Ministério das Relações Exteriores da Itália. Mas a nossa missão, a missão dos Deputados catarinenses nesses contatos com o Ministério das Relações Exteriores da Itália e com essas outras entidades que citei, é fundamental nesse processo. Levamos um dossiê, informações, abrindo caminho nesse processo.

Aliás, até acho que ainda estamos muito curtos, muito pequenos para receber os restos mortais de Anita Garibaldi. Mais importante do que trazer os restos mortais de Anita Garibaldi é esse movimento no sentido de resgatar a nossa história, pois resgatando-a, resgatamos também a memória, a nossa auto-estima. Aí, sim, amanhã ou depois, realmente teremos condições de receber os restos mortais dessa heroína que também é considerada a Mãe da Pátria italiana.

A nossa missão cumpriu outros objetivos importantes. Na pauta, protocolos de intenção, implementação de projetos entre a Assembléia Legislativa do nosso Estado e o Conselho Regional do Vêneto e do Trento; implementação de um fórum permanente entre a Alesc e o Conselho Regional do Vêneto, tanto que ficou estabelecido para o mês de novembro, agora, um encontro na cidade de Verona, que vai reunir as regiões do Vêneto e do Trento, e, daqui, representantes do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná para tratar sobre a agricultura, especialmente o modelo de agricultura da Itália, que tem muito a nos ensinar nesse sistema de agricultura familiar e de organização em cooperativas.

Aliás, gente do mundo inteiro vai a essa região da Itália para aprender, pois é uma das regiões mais ricas e mais organizadas.

Visitamos também as universidades, o Grupo Marcegaglia(?), que está implantando uma indústria de 120 milhões de dólares na cidade de Garuva, e o Instituto San Michelli, centenário instituto com muitas informações na área da pesquisa agrícola.

Gostaria de dizer que até admito a crítica, seja do sindicato ou de qualquer outra instituição, sobre esse tipo de viagem, mas não essa crítica imbecil. Vamos debater! Na semana seguinte à viagem, participamos de uma entrevista coletiva com a imprensa, quando foi distribuído um relatório. Vamos questionar em cima do relatório!

A nossa viagem foi acompanhada pelo jornalista Moacir Pereira, que de lá mandava mensagens, matérias, diariamente. Nada era feito às escondidas. Então, vamos fazer aqui um debate sério sobre essa questão, mas não nessa condição de baixa qualificação. Infelizmente o sindicato trouxe a matéria dessa forma pejorativa.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)