Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Afrânio Boppré

71ª Sessão Ordinária - 08/08/2006

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. presidente, srs. deputados, eu gostaria de entrar aqui na polêmica que foi apresentada pelos deputados Francisco de Assis e Onofre Santo Agostini porque, de fato, se nós pegarmos qualquer jornal ou prestarmos atenção no rádio e na televisão, veremos que as notícias estão cheias de escândalos.

O deputado Dentinho, na semana passada, quando eu estava falando aqui do escândalo das sanguessugas, aparteou-me. V.Exa. foi até o microfone de apartes e disse: "Deputado Afrânio, quero aqui fazer um registro. Lembre-se que do meu partido, o PT, não há nenhum parlamentar no escândalo das sanguessugas". Isso foi na quarta-feira ou na quinta-feira. Quando cheguei em casa, à noite, fui assistir ao jornal, deputado Onofre Santo Agostini, e estava lá - e aí lembrei do deputado Dentinho - o registro de uma senadora e de um deputado federal do PT indiciados no escândalo das sanguessugas.

Então, quando alguns vêm fazer esse discurso, esse bota-fora, dizendo: "Não, porque o Brasil está jorrando escândalos por todos os lugares", às vezes eu penso o seguinte: a eleição é no Brasil, a eleição é em Santa Catarina, mas tem gente que parece que chegou de Marte ontem! Porque não tem explicação, as causas não são fundamentadas. É assim, parece que foi só um desvio casual de conduta de um político, e não é! É um sistema e hoje o principal protagonista dos escândalos no país, sem sombra de dúvida, é o governo federal.

O presidente Lula recebeu 53 milhões de votos fresquinhos da urna e eles tinham uma mensagem clara, nítida, um endereço: o voto era para mudança. O problema é que o missionário, aquele que recebeu a missão, negou, mudou de rumo, desmobilizou a sociedade, mandou o povo ficar em casa e trouxe para governar exatamente aqueles que não queriam mudança, aqueles que nem votaram nele.

Por exemplo, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deputado federal eleito pelo PSDB, foi agraciado nada mais, nada menos com a presidência do Banco Central. E o Branco Central não é um banco qualquer, é a única autoridade monetária do país, é quem define a moeda circulante, é quem define a taxa de juros, é quem define câmbio. As principais variáveis macroeconômicas estão na mão de um tucano eleito pelo PFL, na eleição de 2002. Valdemar Costa Neto, Roberto Jefferson, Renan Calheiros, José Sarney, enfim, todos esses que sempre se opuseram às mudanças, viraram os governantes.

Então, como acreditar num partido e num projeto de governo que, na campanha, assume compromisso de mudar e no ato de governo assume compromisso de conservar, de manter, de tornar-se um partido da ordem. Portanto, às vezes soa estranho, dói o ouvido quando se ouve um discurso valente, a pessoa falando e tal.

A eleição está aqui, nós estamos a menos de 60 dias dela, ela está chegando, mas parece que as cabeças ainda não entenderam o que está acontecendo. Não é à toa que a senadora Heloísa Helena desponta substantivamente nas pesquisas, porque aquele eleitor que se decepcionou está encontrando a possibilidade de se reencontrar com a esperança, com a coerência e com a trajetória de luta que sempre foi o que nós apontamos para este país.

Então, era este o registro que eu gostaria de fazer no horário do Partido Socialismo e Liberdade.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)