Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Herneus de Nadal

23ª Sessão Solene - 11/07/2006

O SR. DEPUTADO HERNEUS DE NADAL - Excelentíssimo sr. desembargador Pedro Manoel de Abreu, governador do estado de Santa Catarina em exercício;

Excelentíssimo sr. conselheiro José Carlos Pacheco, neste ato representando o Tribunal de Contas do Estado;

Excelentíssima sra. professora Elisabete Nunes Anderle, secretária de estado da Educação, Ciência e Tecnologia e esposa do homenageado;

Excelentíssimo sr. professor Lúcio José Botelho, magnífico reitor da Universidade Federal do Estado de Santa Catarina;

Excelentíssimo sr. professor Adélcio Machado dos Santos, presidente do Conselho Estadual da Educação;

Excelentíssimo sr. Wilmar Anderle, vice-reitor da Universidade da Região de Joinville - Univille;

Srs. deputados Djalma Berger e Reno Caramori;

Ex-presidente desta Casa, deputado Francisco Küster;

Sr. conselheiro Moacir Bertoli;

Senhoras e senhores, familiares, autoridades.

Não poderia, de forma alguma, deixar de utilizar a tribuna neste instante nesta sessão solene por várias, por inúmeras razões. Mas quem sabe a maior, a mais forte delas é de que agora, no mês de janeiro, completarei 25 anos de atividade na vida pública. E o início da minha modesta trajetória neste área se deu com o acompanhamento do professor e do sociólogo, de memória inesquecível, professor Jacó Anderle, que aqui neste local, aqui nesta Assembléia, onde os senhores e as senhoras têm assento, proferia os cursos e as palestras preparatórias para os prefeitos do meu partido, da minha grei partidária, para que tivéssemos o mínimo de capacitação e de formação para levar adiante a missão que nos era conferida pela população para administrar as nossas comunidades. Por isso e por várias razões, pelo apreço, pelo respeito, pela consideração que cultuava e cultivo há tantos e tantos anos, entendi que deveria, senhores e senhoras, ocupar esta tribuna para fazer esta modesta manifestação.

(Passa a ler)

"O escritor germano-americano Erich Fromm disse que a principal tarefa do ser humano nesta vida é dar à luz a si mesmo. Jacó Anderle construiu sua trajetória de vida, iluminada pelas suas reconhecidas virtudes de religiosidade e de pai de família exemplar; homem discreto, paciente, tolerante, politicamente correto e diligente em todas as missões que encampou, principalmente no universo da educação. Alheio às vaidades pessoais, afeito à simplicidade, o professor Jacó Anderle, no entanto, sempre foi grandioso na sua capacidade de ouvir, questionar e nas suas ações maiores visando a busca de promover o bem comum.

Lutou bravamente contra as dificuldades que a severidade da doença lhe impôs. Com invejável coragem, com tenacidade, ultrapassou limites e buscou forças até os seus últimos dias de vida, para contribuir com suas ações para o estado e para a sua gente, na 'implantação dos alicerces de uma educação inclusiva e de qualidade', como ele próprio apregoou. Não há como se falar em educação em Santa Catarina sem incorporar e recolher, nesse contexto, a experiência e a figura desse mestre, Jacó Anderle.

A amplitude de sua visão na área da educação, que se dissociava e não se resumia a aparatos materiais e burocráticos, pois era provida de conotações e conteúdos que implicam em transformações mais profundas. Comprometido com o momento histórico e com a complexidade das mudanças que se impunham, ele próprio, como reconhecido sociólogo e vocacionado educador, afirmou que ao assumir a secretaria da Educação em 2003, deparava-se com um duplo desafio. 'O primeiro era promover a democratização da educação, não apenas expandindo as oportunidades de aprendizagem, mas permitindo que dentro de uma proposta universal se abrigassem diferentes visões e experiências pedagógicas'. O segundo desafio 'era construir, na pluralidade de públicos e de concepções, uma identidade para a escola média catarinense, o que significava superar a frágil posição de 'império do meio' a que foi relegada durante todo século XX'.

Assim, o professor Jacó Anderle, deixa um legado de ensinamentos, realizações e idealismo. Sempre acreditou com firmeza na verdade e beleza de seus sonhos, na esperança de um dia vê-los transformados em realidade. Pelos seus exemplos e inegável paixão pelas pessoas, sentimo-nos todos compromissados com as suas destemidas idéias e com a operacionalidade da sua grandiosa obra, em reverência à sua memória, respeito aos jovens e aos educadores catarinenses.

É verdade, ficou um vazio, a saudade de sua ausência tão sentida por toda a sociedade, pelos seus colegas, amigos e, sobretudo, pela sua esposa, a professora Elisabete, pelos seus filhos Ricardo, Fernando, Elisa e demais familiares, mas ficou a recompensa de termos convivido com alguém que marcou, indelevelmente a sua presença nesta vida, semeando um canteiro de bondades e de exemplos que só dignificam os homens de bem e que, com certeza, deixou um exemplo para todos nós."

Muito obrigado pela atenção!

(Palmas)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)