7ª Sessão Ordinária - 22/02/2012
O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Sr. presidente, quero, nesta tarde, render a minha homenagem à família Bernardes, de Iraceminha, pelo falecimento de um grande líder daquele município, daquela região de Maravilha. Foi líder do nosso partido, vice-prefeito durante três mandatos, professor, agricultor, um lutador de fato, que faleceu no último sábado, de madrugada. Ele sofreu um acidente de carro na última sexta-feira à tarde quando estava saindo da sala de aula, retornando de carro para a sua propriedade no interior de Iraceminha, na BR-282, vindo a falecer depois.
Assim sendo, queremos deixar registrados nossos sentimentos à família Bernardes pela perda do seu único filho homem. Além de professor, era líder do município e cuidava de seus pais na propriedade como agricultor, produtor de suínos, de leite e de outras atividades.
O número de pessoas que compareceram ao velório no último sábado demonstrou o respeito e o valor dessa liderança que, infelizmente, não resistiu aos ferimentos no acidente na BR-282, vindo a falecer. Mas certamente este ano ele estaria novamente presente na campanha política.
Então, a nossa homenagem, os nossos sentimentos a esse grande líder Carlos Bernardes, falecido no último sábado de madrugada, no município de Iraceminha.
Queremos também aqui desejar pronta recuperação ao nosso escritor catarinense Salim Miguel, que sofreu um acidente doméstico e está hospitalizado, em recuperação. Esperamos que logo saia do hospital para continuar o seu trabalho, a sua rotina. O nosso grande amigo Salim Miguel contribuiu muito no trabalho dos anistiados da ditadura militar e de outros temas que está tratando em Santa Catarina.
Mas assomei à tribuna, deputado Nilson Gonçalves, que neste momento está presidindo a sessão, para trazer um tema relacionado à região norte do estado, que é o problema dos abandonados pela Marfrig, de Jaraguá do Sul. São quase 200 agricultores familiares que fizeram investimentos em suas propriedades para produzir frangos. São 860 funcionários, trabalhadores, colaboradores, deputado Sargento Amauri Soares, que perderam seus empregos em Jaraguá do Sul. Setenta por cento são pessoas da região, de São Bento do Sul e de outros municípios, que estavam trabalhando nessa empresa.
O sistema agroindustrial catarinense, brasileiro, tem trazido investimentos importantes e estamo-nos tornando liderança em várias áreas de produção, inclusive na avicultura do nosso estado. Mas daqui a pouco teremos um sério problema. E quem sofre mais com essas mudanças, com essas incorporações, com esses megaprojetos da incorporação da Sadia, por exemplo, com a Perdigão, da Seara pela Marfrig, são os trabalhadores. A própria Câmara dos Deputados já discutiu esse tema em 2009. E o que será dos agricultores e dos trabalhadores?
Esse é mais um exemplo, como foi o da época da crise da Chapecó Alimentos, quando também os agricultores, principalmente os trabalhadores, pagaram essa conta. E temos aqui mais uma situação complicadíssima: mais de 30 famílias, em Jaraguá do Sul, em Apiúna, em torno 35 famílias, e em outros municípios, simplesmente de uma hora para outra receberam a notícia da empresa de que teriam que sair dali, que a empresa iria fechar e que teriam de se virar. Claro que foram pagos aos trabalhadores os seus direitos, temos que fazer justiça, mas avisar de uma hora para outra que perderam o seu emprego gera para um pai e para uma mãe de família uma situação caótica.
A segunda questão são os agricultores. Foram exigidos investimentos para melhorar a produção, melhorar o aviário. Os agricultores investiram até R$ 300 mil num aviário. E agora, em vez de seis lotes, serão apenas quatro lotes por ano, sendo que o agricultor está com essa dívida. E com apenas esses quatro lotes jamais conseguirá pagar a dívida. E ainda vão levar o produto, o frango, para o Paraná. Quem vai pagar essa conta, esse custo de transporte? Nem se sabe para qual cidade do Paraná vão levar essa produção. E quem vai pagar essa conta, essa distância toda?
Então, os agricultores dos municípios de Apiúna, de Jaraguá do Sul, de Pomerode, de Massaranduba, de Guaramirim e de São João do Itaperiú é que estavam integrados à empresa Marfrig que, de uma hora para outra, fechou a indústria de Jaraguá do Sul, deixando todo esse grande número de trabalhadores numa situação extremamente preocupante.
Vamos encaminhar, a partir de amanhã, que seja feita uma reunião na região ou convidar todos os interessados para vir aqui acompanhar um debate ou uma audiência pública sobre esse tema, porque temos a responsabilidade de acompanhar esse problema sério com esses trabalhadores, esses agricultores, essas pessoas de responsabilidade que tiveram esse impasse, essa situação criada por uma empresa do nosso país.
Por isso, sr. presidente, exigimos o cumprimento dos contratos. E, segundo o contrato, são seis lotes por ano que a empresa garante a compra, a assistência técnica. Então, isso está sendo cobrado, inclusive, pelas organizações e pelas entidades.
Era isso que queria registrar hoje, nesta tribuna, ou seja, que de fato a empresa Marfrig respeite esses trabalhadores, esses agricultores que estão numa situação preocupante.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)