Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Dirceu Dresch

86ª Sessão Ordinária - 04/09/2014

O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Sr. presidente, srs. deputados, funcionários da Casa, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital e público aqui presente, quero fazer neste dia de hoje uma reflexão sobre um tema que entendo de grande importância para o nosso país, que é a reforma política.

No dia Sete de Setembro, no próximo domingo, Dia da Independência, entidades, organizações, movimentos sociais, centrais sindicais, lideranças políticas estão chamando para um plebiscito popular o tema da reforma política.

Estou muito feliz de ver esta movimentação aqui em Santa Catarina. Temos a Central Única dos Trabalhadores que vem fazendo um trabalho, a linha de frente, junto com os movimentos, com as demais centrais, os sindicatos, organizações, movimentos sociais e com a sociedade, debatendo o tema da reforma política, a importância de termos no país uma mudança no sistema político eleitoral de fato, que traga uma nova perspectiva da construção democrática da política brasileira.

Estamos num momento, inclusive, muito importante para essa discussão. Entendo que sem uma reforma profunda do sistema político brasileiro a democracia nossa estará extremamente ameaçada.

Cada dia cria-se novos partidos. Partidos de aluguel, partidos para em época de eleição vender os seus partidos por alguns cargos, ou vender o partido por uns minutos, ou segundos, de horário eleitoral. Isso não traz futuro.

O que o povo brasileiro tem a ver com isso? Lamentavelmente, está em curso em nosso país um processo de negação à política. É verdade que por um lado temos uma grande parcela dos políticos brasileiros que acabam sujando, manchando a política brasileira, mas não por isso ou por causa de pessoas, de figuras, precisamos rejeitar a política, porque não inventaram no mundo ainda outro sistema a não ser o de representação, de eleição direta, democrática, mas não a democracia que temos hoje.

Isso não é democracia, deputado Silvio Dreveck! Mais uma vez vivemos essa disputa violenta, não democrática, das grandes máquinas econômicas ditando as regras no processo eleitoral, ou com o dinheiro público, ou com o dinheiro privado.

Por isso, a sociedade se organiza e entende que é urgente uma reforma política no Brasil para resolver, inclusive, um dos temas mais cruciais, que é a privatização de lideranças políticas por grupos econômicos que vêm para o espaço político/ público dirigido pela iniciativa privada, financiado pela iniciativa privada.

Isso precisa urgentemente ser proibido em nosso país. E está aí um dos grandes focos da corrupção brasileira, ou seja, o investimento na política como um negócio, em candidatos a deputado, em candidatos a senador, em candidatos a governador e até a Presidência da República.

Quando as centrais sindicais, os movimentos, vêm para um grande debate me deixa muito feliz, porque há setores econômicos brasileiros, da elite financeira do país, setores da imprensa brasileira, que estão trazendo à população...

Os movimentos de junho passado foram muito fortes no sentido de negar a política. Agora o que se quer colocar no lugar da política, se ela não serve? A anarquia. O que se prega? O que se quer?

O que nos assusta é uma figura que hoje vem despontando nas pesquisas, que aglutina essa força, essa visão contra a política brasileira, como foi nas mobilizações, onde cartazes de partidos, de sindicatos, foram rechaçados, foram negados, foram destruídos.

Para onde vamos? Que Brasil queremos? Que futuro queremos? Essa é a grande pergunta. Para mim a política é essencial, pois militei nela e entendo-a como uma estratégia de uma decisão de futuro.

Quem nega a política e quem nega os partidos que projeto tem? Que segurança tem de rumo? É um risco muito grande você votar numa pessoa. Mas um partido é uma instituição que tem que ter projeto, e esse é o grande problema do Brasil hoje, porque os partidos estão perdendo o rumo e os projetos.

Temos que recompor no país, porque o partido é uma instituição. A pessoa pode se perder no caminho. É muito fácil um ser humano, uma pessoa, se perder no caminho. Então, tem que ter um partido que segure o projeto e a estratégia. Esse é o grande risco dessa eleição.

Eu quero dizer que estou muito feliz, porque estamos construindo no Brasil um governo que tem opção, um governo que tem lado, um governo que reverteu prioridades.

O Brasil sempre teve governos que governava para a elite brasileira, quando olhamos que lá atrás, para termos um financiamento, era preciso provar que ganhava bem. Hoje, para ter uma habitação, você precisa provar que ganha, mas bem menos. O agricultor, por exemplo, que tem uma renda menor do que três salários mínimos, tem um valor a fundo perdido de R$ 28 mil para construir a sua casa. Nos programas habitacionais urbanos, a família pode receber, a fundo perdido, até R$ 40 mil. Isso, sim, é pegar os impostos, é pegar o bolo e redistribuir como direito social para o conjunto da sociedade, não pegar o bolo dos recursos e deixar crescer mais, como sempre diziam, para depois distribuir. Mas nunca chegava essa hora para os trabalhadores brasileiros.

Então, essa é uma estratégia, uma política de partido. Não dá para simplesmente dizer que irão tratar todos igualmente, porque há pessoas que precisam mais do estado.

São necessárias políticas públicas para distribuir a renda e construir um país justo. É isso o que viemos fazendo nesses últimos anos. Temos dificuldade de conversar com a sociedade sobre política porque se construiu uma visão de que todos os políticos são corruptos e sujos. Isso foi construído por pessoas que não têm interesse no desenvolvimento de um país justo. Esse é o grande debate que precisamos fazer nessa eleição. E fico preocupado com a juventude que está negando toda e qualquer questão política aos partidos, às organizações sindicais, onde eu construí a minha vida. Nós íamos para a luta e tínhamos uma pauta de projetos.

Então, quero parabenizar as organizações, os movimentos sociais e as lideranças que assumiram esse plebiscito no dia 7 de setembro, que é o dia da Independência do Brasil. E precisamos continuar na luta pela independência brasileira do grande poderio econômico, da grande mídia que quer estar acima do governo, do Poder Judiciário e de qualquer coisa.

É necessário que discutamos isso. Por isso, a reforma política é uma das grandes reformas necessárias.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)