83ª Sessão Ordinária - 02/09/2014
O SR. DEPUTADO DANIEL TOZZO - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital, público presente, venho à tribuna hoje para parabenizar, com um pouquinho de atraso, o município de Chapecó que completou 97 anos, no dia 25 de agosto.
Chapecó, em 1950, tinha pouco mais de 5.000 habitantes, e a divisa do município era com Joaçaba até a Argentina e o Rio Grande do Sul até o Paraná. No último senso divulgado Chapecó superou a marca de 202 mil habitantes.
Acabo de ver agora, no Click RBS, no site de notícias, que o município foi atingido por uma chuva de granizo e tempestade, aliás, nos meses de setembro e outubro Santa Catarina é premiada, pois quando não é uma região é outra, quando não são todas as regiões atingidas por vendavais.
Parabéns, Chapecó, povo chapecoense e povo do oeste, pela história que começou com a extração da madeira, na metade do século passado, e depois veio a plantação de grãos, a criação de animais, as indústrias de alimentos, a indústria metalmecânica. Tudo isso trouxe esse crescimento acelerado, mesmo com dificuldades, porque o oeste, primeiro, teve que ser construído pelo povo trabalhador, para depois o governo dar atenção. A verdade é que aprendemos a planejar e a prever os acontecimentos, principalmente o crescimento ordenado de Chapecó e de todo oeste.
Nós enfrentamos diversos problemas para escoar a nossa produção. O governo anterior iniciou o projeto de asfaltar todos os municípios de Santa Catarina, principalmente os do oeste do estado, e o governo de Raimundo Colombo conseguiu finalizar esse processo. Houve melhorias nos acessos, foram realizadas grandes obras em escolas, em hospitais, de forma acelerada, mas é necessário mais do que isso.
A nossa cadeia produtiva, as nossas grandes empresas que lá produzem alimentos ameaçavam, deputado Dirceu Dresch, de ir para o centro do país, na região produtiva de grãos. Muitas foram para lá e outras conseguimos, com o esforço dos produtores, com o esforço das cooperativas, dos empresários, do governo, segurar no oeste de Santa Catarina. E quem ficou está feliz, porque o crescimento continua acontecendo. Exemplo disso é a carne suína que há pouco tempo, quando a Rússia trancava a compra, estava um caos, ninguém mais queria produzir suíno, o preço caía muito, era pouco mais de R$ 1,00 o quilo. Mas com o esforço dos governos estadual, federal, do ministério da Agricultura, de empresas bem organizadas conseguimos abrir mercado, principalmente para o Japão e outros países. Hoje, a realidade da suinocultura em Santa Catarina é outra, graças ao trabalho da secretaria da Agricultura e de todos os órgãos governamentais que contribuíram para esse processo.
O oeste olhou para frente e foi buscar união, conversa e diálogo entre os governos para construir esse caminho da produção com continuidade de crescimento, muitos investimentos de infraestrutura foram feitos nos últimos anos, temos três situações que já iniciaram o processo, mas é fundamental que aceleremos ao máximo tudo isso. E venho falar sobre esta questão depois de reuniões com entidades, com produtores, com empresas, com o povo de Chapecó e da região.
Ano que vem eu não estarei nesta Casa porque não sou candidato à reeleição, mas venho fazer este apelo para os deputados, para toda a Assembleia, no sentido de que lutem para que aceleremos ao máximo esses três grandes projetos que vou citar, que já estão em andamento, que se fazem necessários para que o oeste catarinense continue escoando sua produção, crescendo e fixando o homem ao campo, para atender também o crescimento da cidade de Chapecó de uma forma organizada e decente, porque se em 64 anos saímos de 5.000 habitantes, reduzimos o nosso espaço de cidade e passamos para 200.000 habitantes, o crescimento lá vai continuar, com certeza.
Primeiramente, quero falar sobre o projeto que a Casan está desenvolvendo e que o governo já deu o primeiro passo da água do rio Chapecozinho, que abastece o município de Xanxerê, de Xaxim, de Cordilheira Alta e de Chapecó. É importante esse projeto porque nós preservamos o Aquífero Guarani, que talvez seja o maior patrimônio que este estado tenha hoje. Isso tem que ser acelerado e tem que ser continuado o mais breve possível, para que a população não sofra com a falta de água.
Outro projeto é o da duplicação da BR-282. O projeto iniciou no município de Xanxerê, no perímetro urbano, ficou um tempo paralisado, mas agora foi retomado e tem que ser concluído em toda a extensão da BR-282. Mas, pelo menos, para os próximos anos, que seja concluído o trecho da BR-282 de Xanxerê ao trevo de Chapecó, e por que não até Pinhalzinho? Esse trecho é de extrema importância para que, além da segurança e de salvar vidas, tenhamos melhores condições para escoar a nossa produção. Água e rodovia!
Outro projeto é sobre a questão da energia. É verdade que em Santa Catarina, pelos dados que temos, pelo trabalho que a Celesc e tantas outras empresas fazem, temos índices aceitáveis de interrupções, de quedas, melhores até do que os índices em nível nacional. Mas Chapecó, especificamente, tem tido quedas frequentes. Esses índices lá não são essa realidade. E não é culpa das empresas que fornecem energia e dos seus funcionários. Mas necessitamos de investimentos para que esse sintoma de crise não venha a crescer e causar uma crise no fornecimento de energia do oeste de Santa Catarina também.
As subestações de Pinhalzinho e Concórdia - e por sinal quero parabenizar o engenheiro eletricista Nelson Akimoto pela excelente entrevista na revista da Acic de Chapecó, na qual muito bem explanou esse problema que pode acontecer, se não houver planejamento -, devem ser concluídas ainda em 2015, e não em 2016, como está previsto, para que o abastecimento de energia elétrica - e hoje 50% da energia atende às indústrias e o meio rural - não sofra com quedas e não atinja as 250 milhões de cabeças de frangos e as 7,5 milhões de cabeças de suínos que temos, e também a produção da nossa agroindústria do oeste de Santa Catarina.
É indispensável que a rodovia para escoar a produção; a água para atender a população, as indústrias e o meio rural, principalmente na produção e criação de animais; a preservação do Aqüífero Guarani e o fornecimento de energia elétrica sejam pensados e planejados de uma forma muito eficiente para que o oeste de Santa Catarina, que ficou conhecido no mundo todo como o grande produtor de alimentos, continue exercendo a sua função social e econômica com todo o sucesso e com a ordem e organização que sempre foram as características do povo do oeste de Santa Catarina.
Muito obrigado, sr. presidente!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)