Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Serafim Venzon

80ª Sessão Ordinária - 21/10/2008

O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente e srs. deputados, ouvintes da Rádio Alesc Digital e telespectadores da TVAL, na verdade, queria comentar aqui um assunto que todos os dias vemos pela televisão, a quebra das bolsas de valores que iniciou nos Estados Unidos.

O que se observa, em resumo, é que aqueles que ganham muito dinheiro, o sistema financeiro, na hora em que rende, divide, partilha os lucros, entre os maiores acionistas. Contudo, quando dá prejuízo, ele é dividido com todo mundo. Foi isso o que vimos anteriormente no sistema financeiro brasileiro e hoje vemos bancos no país com lucros extraordinários. Porém temos a certeza de que na hora em que eles apresentarem prejuízos, esses vão ser divididos com toda a sociedade.

Na verdade, o mundo passa por um processo de desnudamento, passa por um processo em que se retira a farsa, o capuz.Certamente a quebra das bolsas não passa de um sistema virtual, de uma falsidade, de uma especulação, da venda de algo irreal que de repente volta ao real. Porque os que venderam, os que comercializaram, os especuladores estão muito bem, obrigado, agora aqueles que são donos de algumas ações, a grande massa da população americana e européia, os chineses, os asiáticos, os brasileiros, enfim, aqueles que foram na conversa do paradigma americano do capitalismo triunfante, digamos, do sistema neoliberal, de que tudo pode ser vendido e que dependem daquela propaganda toda, agora voltam à realidade e voltando à realidade, deu no que deu.

(Passa a ler.)

"Contudo alguns fatos dissonantes perturbaram aquela harmonia. Em primeiro lugar, o contraste entre o auge consumista e o quase desaparecimento da poupança pessoal. Os cidadãos do Império gastavam todos os seus rendimentos e contraíam dívidas porque, de maneira direta ou através de fundos de investimento ou de pensões, ganhavam muito dinheiro na bolsa, ganhavam muito dinheiro especulando na Bolsa." Até com aqueles que não podiam comprar.

"As empresas, especialmente as chamadas tecnológicas, viam como dia após dia valorizavam-se as suas ações - o que lhes permitia (sobre)investir e (sobre)endividar-se. Tudo isso fazia subir as cotações na bolsa sem grande ligação com a rentabilidade real das firmas."[sic]

Ou seja, venderam por muito tempo a falsidade para uma porção de inocentes e esses agora estão pagando a conta. Aqueles que venderam já ficaram com o lucro.

(Continua lendo.)

"A bolha desinchou no ano 2000, Clinton entregou o seu posto a Bush e instalou-se a recessão.

[...]

Não faltaram observadores, especialmente do campo progressista, para assinalar o antagonismo entre um Bush arbitrário e imperial e um Clinton multilateral, negociador, apegado ao jogo das instituições."[...][sic]

Eu quero destacar, sr. presidente, que quem impulsionou todo esse sistema do irreal foi o sistema econômico, foi ele que deu sustentabilidade a tudo isso.

(Continua lendo.)

"Aparentemente os Estados Unidos empurram para o pântano o conjunto das áreas dominantes do mundo, mas se aprofundássemos a reflexão poderíamos ver esse processo de outra maneira. A dívida externa total da América do Norte (a pública mais a privada) ronda os 4 milhões de dólares e os seus principais credores são os japoneses, chineses e europeus. Estes últimos aceitam dólares e compram títulos do Tesouro estadunidense, ajudando assim a superpotência a cobrir o seu déficit fiscal e a comprar bens e serviços ao resto do mundo (potenciando o seu déficit de comércio exterior). Também adquirem na Bolsa ações das empresas dos Estados Unidos e propriedades no referido país, alentando as especulações bursáteis e imobiliárias. Por que o fazem? Porque necessitam sustentar o primeiro cliente do planeta, se este afundar também afundarão as exportações e as colocações de excedentes financeiros dos referidos países. O Japão vem amortecendo já há três lustros uma crise de sobreprodução que não pôde superar, sobram-lhe mercadorias e fundos que sem o mercado norte-americano seriam incolocáveis, não existe no mundo um comprador com o porte da superpotência."[sic]

Enfim, sr. presidente, para concluir, queria colocar que na verdade o que está acontecendo é que a culpa está sendo compartilhada, o prejuízo de toda aquela farsa agora está sendo compartilhado. É a mundialização do capitalismo.

(Continua lendo.)

"A mundialização do capitalismo coloca todas as classes dominantes das potências no mesmo barco, que também dispõe de camarotes de segunda e terceira classe para as burguesias periféricas, capturadas pela teia financeira. Nenhuma delas pode distanciar-se do desastre, a que sair do jogo cai - ainda que, se persistir, cedo ou tarde será arrastada pela futura depressão global. Isto significa que não existe espaço histórico para potências de substituição do Império em decadência."[...][sic]

De forma, sr. presidente, que queria colocar aqui a participação e comentários sobre essa crise do mundo, que é a crise do desnudamento, a crise de mostrar a verdadeira farsa, a repetição daquilo que aconteceu em 1929 e que o mundo esqueceu, a farsa, a venda do irreal, o uso do marketing para vender ações de valores irreais, que depois voltaram ao seu valor real. Quem ganhou, já ganhou, já teve o seu lucro, e a grande massa mundial espalhada pelo planeta, essa, sim, formada pelos mais pobres, acaba por pagar essa grande conta social.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)