Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

34ª Sessão Ordinária - 13/05/2008

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital, demais pessoas que nos acompanham na nossa sessão, seguindo o exemplo de v.exa., deputado Antônio Aguiar, e do deputado Nilson Gonçalves, quero também parabenizar todas as pessoas que trabalham na área de enfermagem no estado de Santa Catarina. Hoje é o Dia da Enfermeira, mas a data se entende a todos que trabalham na área, como a minha esposa - que não é enfermeira, mas sim técnica de enfermagem, e que preside atualmente o sindicato da categoria - e a maioria das pessoas da nossa relação de amizade e que também são da área enfermagem - técnicas de enfermagem e auxiliares.

Portanto, quero parabenizar todas essas profissionais e esses profissionais que dedicam o melhor da sua vida a aliviar a dor e a buscar a cura das pessoas acometidas por doenças no nosso estado. Além de parabenizá-las pelo trabalho, quero dizer que elas estão agora em negociação salarial, aqui em Santa Catarina, com o governo do estado, com a secretaria da Saúde, com o secretário da Administração, buscando resolver ou, pelo menos, dar uma mitigada na grande luta salarial dos trabalhadores da Saúde, especialmente de enfermagem, no estado de Santa Catarina.

O meu pronunciamento neste horário é para falar de um evento do qual participei na última quinta-feira, dia 8, que foi a defesa de tese de doutorado pela Universidade Federal de Santa Catarina, no programa de pós-graduação em Sociologia Política, do soldado Luiz Carlos Chaves, que se formou doutor.

Essa tese de doutorado, que foi resultado de uma pesquisa expressiva com coleta de dados, trabalhou o tema das fábricas ocupadas e teve como título: Laboratórios Sociais de Autogestão no Brasil e na Argentina. Esse título pomposo, essa expressão pomposa de fábrica ocupada, fala de uma realidade muito comum nos últimos 20 anos, nas últimas duas décadas, em que fábricas, na iminência da falência, foram encampadas pelos trabalhadores. E a tese do Luiz Carlos Chaves trata dessa questão, estudando, no caso concreto, a base empírica da Metalúrgica Coopermetal, de Criciúma, da indústria metalúrgica e plástica da Argentina, a Impa, da Cooperminas, em Criciúma, e a Bruscor, da cidade de Brusque.

Nós temos acompanhado esse debate nos últimos anos, nas últimas décadas, e visto o grande dilema dos trabalhadores. Quando eles vêem que vão perder o seu emprego, tentam encampar a fábrica, compram uma briga com o patrão que está em processo de falência, vão para a Justiça discutir o assunto, acabam muitas vezes ganhando e passam a administrar essa fábrica.

O objetivo é claro, a motivação dos trabalhadores é a possibilidade de manter o seu emprego para continuar colocando comida na mesa da sua família.

No entanto, existe muita teoria, muita discussão e muita empolgação a esse respeito, em alguns momentos, com essa nova realidade. E o que percebemos é que os trabalhadores das fábricas encampadas acabam tendo que trabalhar mais, depois na autogestão, quando estão gerindo, do que quando a fábrica tinha um dono ou era de um dono particular. Isso se dá naturalmente pela competitividade absolutamente inexorável na sociedade capitalista. E não se tem como fugir desse processo, dessa competitividade, dessa velocidade louca de produzir cada vez numa velocidade maior, enquanto perdurar a sociedade capitalista.

No entanto, com a tese de Luiz Carlos Chaves, consegui provar uma coisa que para nós é absolutamente cara, ou seja, não é necessário patrão em uma fábrica que funciona, pois os trabalhadores são capazes de organizar a produção, o trabalho de uma empresa, de gerir com capacidade, com produtividade e com possibilidade, inclusive, de mais valor, produzindo mais, mesmo na sociedade capitalista.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)