13ª Sessão Ordinária - 06/03/2008
A SRA. DEPUTADA ODETE DE JESUS - Sr. presidente, deputado Julio Garcia, nosso amigo, demais integrantes da mesa, sras. deputadas e srs. deputados, amigos que nos assistem, platéia maravilhosa de mulheres que têm lutado tanto em prol da família, dos filhos, do estado de Santa Catarina, muito nos honra sua presença.
Sr. presidente, eu não poderia deixar de parabenizar v.exa. pela resposta que deu a ONG Transparência Brasil sobre os gastos dos parlamentares desta Casa. Provavelmente, semana que vem, tendo oportunidade, falarei sobre este assunto, mas quero, desde já, parabenizar v.exa. pela sua resposta.
Mas hoje venho para falar sobre um assunto muito importante, que é a greve do magistério público estadual. Ontem à tarde, houve uma reunião no Clube Doze, onde professores e alunos se fizeram presentes e tiraram um posicionamento sobre a greve. E tenho aqui o depoimento de uma aluna que acompanhou a presidente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Chapecó, chamada Michele Peralta, que declarou o seguinte:
(Passa a ler.)
"Não queremos paralisação, somos os mais prejudicados. Mas os professores precisam ser valorizados, as escolas precisam de melhorias, queremos também eleger o nosso diretor."
Claro! Eu agora me recordei, com a afirmativa dessa jovem, quando fui candidata à direção da escola que hoje é o Colégio Estadual Paulo Schieffler, no município de Caçador, onde lecionei durante 17 anos como professora de Geografia e Educação Moral e Cívica, área da minha habilitação, da 5ª a 8ª séries. Também atuei como professora de OSPB no 2º grau e concorri, disputando as eleições para a direção-geral daquele estabelecimento.
Deputada Ana Paula Lima, presidente desta sessão, fui eleita através do voto, com honradez. Só que, por questões partidárias, porque não era da sigla partidária do governo, fui rejeitada e colocaram outra pessoa para comandar, que não tinha nem habilitação. Então, eu abraço a causa dos professores. Nós temos que escolher, sim, pelo voto. Nas Câmaras Municipais, os vereadores entram pelo voto; ocupamos um assento neste Parlamento pelo voto; o governador está lá, chefe do Poder, pelo voto. Hoje em dia tudo é pelo voto. E por que não eleger os diretores pelo voto? Sou favorável e defendo essa posição.
Aqui, no jornal diz mais, srs. deputados. Há uma nota do secretário Paulo Bauer - e faço um apelo ao secretário, meu amigo particular, e ao governo do estado. Estão pedindo aos pais para mandarem os alunos para a escola. Como vamos mandar os nossos filhos para a escola se ela está fechada? Aqui aparece a foto de um cadeado enorme! O prédio da escola está fechado, os professores pararam para uma discussão ou uma análise mais profunda!
Então, faço um apelo ao governador do estado, Luiz Henrique da Silveira, e ao secretário Paulo Bauer, a quem Deus deu muito talento e uma pasta importante como a secretaria da Educação, para que revejam, ouçam, ponderem e atendam o apelo dos professores porque há professor morrendo de fome!
Srs. deputados, falo isso por experiência. Não venho aqui falar bobagens. Quando lecionava em Caçador, houve um tempo em que recebia o meu salário em três vezes e tinha criança pequena. O meu salário vinha parcelado e defasado e eu passava fome. Vou contar. Posso falar? Posso, pois não estou mentindo! A minha filha pedia, deputada Ana Paula Lima: "Eu quero comer pizza". Lá ia a professora Odete de Jesus encher a massa de fermento para avolumar o alimento. Estou falando a verdade! Se assomo a esta tribuna é porque tenho experiência para falar, doa a quem doer! Tenho que falar a verdade. Vim para esta Casa Legislativa pelo voto e não comprei ninguém. Não tinha como comprar, não tinha dentadura, bengala ou cadeira de rodas para dar. Vim a esta Casa pelo voto legítimo, o povo me colocou aqui sem que eu tivesse que comprar ninguém para votar em mim. Por isso estou aqui para defender a classe menos favorecida e vou lutar pelos professores que já estão a caminho da decadência.
Vou voltar a falar aqui sobre o apelo que o secretário faz para as crianças irem à escola. Eu não mandaria meus filhos enquanto não fosse resolvido esse problema. A criança ficará na rua? As escolas estão com cadeados, com os portões fechados, srs. deputados! Como as crianças vão ficar perambulando pela rua? Desculpe, sr. secretário, mas tenho que falar a verdade.
(Passa a ler.)
"Cancelamento do Prêmio-Educar: a categoria é contra a proposta do governo do Estado que prevê o pagamento de R$ 200 em duas parcelas iguais..." Querem a incorporação dos R$ 100,00, quantia que já é pequena, e querem também, srs. deputados, o vale alimentação igual ao dos professores da Universidade do Estado de Santa Catarina, porque os professores ganham R$ 132,00 e os da Udesc ganham R$ 380,00. É direito deles! Eles têm de brigar pelos seus direitos! É uma briga sadia, salutar, mas têm que se defender. E o meu papel é defender.
Eu voltarei a falar sobre esse tema na próxima semana, pois os professores estão paralisados!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)