Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Valmir Comin

32ª Sessão Extraordinária - 10/11/2010

O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, o deputado Lício Mauro da Silveira, de saudosa memória, sempre debateu nesta Casa sobre fontes alternativas de energia, meu amigo e líder, deputado Silvio Dreveck.

(Passa a ler.)

"'China, o novo paradigma ambiental e o Brasil

Joschka Fisher, ex-líder do Partido Verde alemão, afirma que a China vai liderar o movimento verde pautando o mundo para um consumo de produtos verdes. Ele pintou um mundo com duas superpotências, China e Estados Unidos, considerando a Europa ineficiente e dividida. Ele afirma que, necessariamente, a China, pelo crescimento do seu PIB e pelo seu tamanho, deverá desenvolver a sua economia baseada na sustentabilidade. Afirma que isso terá grande impacto no mundo ocidental e como exemplo cita o desenvolvimento de carros elétricos e produtos verdes, além de investimentos em energia solar e eólica.

A China tem, hoje, três dos maiores fabricantes de turbinas eólicas e cerca de 50% do mercado global de energia solar. O governo chinês, no ano passado, investiu US$ 34,6 bilhões nessas indústrias, quase o dobro dos Estados Unidos. O dragão verde deixou preocupados os europeus, tanto que a comissária para mudanças climáticas, Connie Hedegaard, advertiu que os Estados Unidos e a Europa estão perdendo a corrida tecnológica verde. 'Quem vai pagar a maior fatia dessa pizza? Uma competição global está em curso e está claro que a China, com a sua enorme ambição de mercado, é um formidável competidor.'

Relatórios americanos mostram que os Estados Unidos estão em 19ª posição na venda de produtos com tecnologias verdes (turbinas eólicas e painéis solares). No Reino Unido, o poder de competição dos ingleses, que estão na 10ª posição, é incerto. O Reino Unido tem o maior nível de eólicas offshore e a maior fazenda eólica do mundo. Mas na semana passada o governo inglês, devido ao aperto fiscal, tendia a cortar investimentos portuários de 60 bilhões de libras para manusear turbinas eólicas gigantes. Críticos da política de eólicas afirmam que esta não gerou empregos na indústria britânica porque as turbinas foram importadas da Alemanha, da Dinamarca, dos Estados Unidos e também da China. Portanto, nessa corrida tecnológica quem chega primeiro é quem tem dinheiro para investir, e isso não falta à China.

Mas nesse cenário verde, devemos observar alguns números da China sobre o cimento, aço, energia, carros, etc., pois existe um processo de desenvolvimento de infraestrutura gigantesco, que durará décadas.

Está em curso na China um dos maiores processos de urbanização da humanidade, com 500 milhões de pessoas saindo da área rural para viverem nas cidades. A China terá, em 2030, 221 cidades com mais de um milhão de habitantes, sendo que a Europa tem atualmente 35 cidades. Esse processo deverá duplicar a demanda de energia urbana em 2025.

Para dar moradia, está planejado construir, em 20 anos, 50 mil arranha-céus de 40 a 50 andares, ou seja, dez vezes Nova Iorque, que consumirão, para cada metro quadrado, 128kg de aço. A China inclui seis milhões de usuários na internet por mês, alcançando 770 milhões de usuários em 2015. Hoje, a China tem 260 milhões de computadores e os Estados Unidos 250 milhões. Com a mesma taxa computador/habitante dos Estados Unidos, alcançará 1,13 bilhão de computadores.

Mas esse desenvolvimento precisa de energia. Na fabricação do aço chinês, 65% vêm de alto forno movido a coque oriundo do carvão e 33% de fornos elétricos, e em 2025 o consumo atual de aço para construção das cidades será 2,77 vezes maior.

Atualmente, 80% da geração da eletricidade vem do carvão, sendo que em 2035 será 74%, havendo um incremento de 72% no carvão, construindo, em 25 anos, 730GW de usinas, ou seja, sete vezes a capacidade do Brasil.

É claro que a China é líder na construção de usinas a carvão com tecnologias limpas, incluindo o desenvolvimento da captura e estocagem de CO2, sendo que em 2011 entrará em funcionamento a primeira planta de demonstração - Greengen - com gasificação em ciclo combinado - IGCC de 250MW.

A China, ao utilizar o seu maior recurso natural, o carvão mineral, garante a segurança energética, a modicidade tarifária e minimiza os impactos ambientais, ainda que aumentando suas emissões.

No Brasil, onde temos uma matriz de energia elétrica com 89% de fontes renováveis, o nosso grande patrimônio ambiental, estamos discriminando as termelétricas por conta das emissões de CO2. No Plano Decenal de Energia 2019, não há térmicas a partir de 2015. No Plano Nacional de Energia 2030, ao mesmo tempo em que teremos 6GW de térmicas a carvão, manteremos a nossa matriz com mais de 80% com fontes renováveis, algo que causará inveja nos países desenvolvidos.

As usinas térmicas a carvão mineral são as de menor custo, podendo operar de forma flexível e na base, visando ao melhor aproveitamento das usinas hidráulicas, com isso gerando menos CO2 por energia firme vendida e aumentando a segurança eletroenergética do sistema elétrico brasileiro. Quando São Pedro falha, elas operam. Além disso, um parque gerador a carvão tem alto grau de multiplicação no emprego e renda na economia'."

Estudo da Fundação Getúlio Vargas diz que cada emprego direto na mina gera oito indiretamente.

(Continua lendo.)

"'Penalizar essa fonte de energia agregando custos, dificultando financiamento ou criando mecanismos que inviabilizem sua participação em leilões de energia é querer ser mais realista que o rei, penalizando a sociedade brasileira. Existem formas melhores para salvar o planeta. Basta seguir o exemplo da China, investindo no desenvolvimento de tecnologias verdes para que a indústria brasileira possa participar da competição global ora em curso.'"

Fiz questão de relatar este pronunciamento, que obtive através do presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral, Fernando Luiz Zancan, para mostrar que países desenvolvidos e em desenvolvimento estão em forte crescente na utilização de geração de energia a partir do carvão e aproveitando os seus subprodutos que estão agregados na cadeia produtiva do carvão.

É admissível que um estado como o nosso, com 32 bilhões de toneladas de carvão no seu subsolo, não tenha uma política governamental, por parte do governo federal, específica para a geração de energia a partir do carvão.

É vergonhoso e lamentável ter que usar a tribuna para tecer críticas dessa natureza, mas é um recurso natural de autonomia própria, de se criar autossuficiência aqui, em nosso chão. E não a fazemos por falta de compromisso, por omissão do governo federal.

E aqui eu falo de todos os governos que não adotaram uma política específica para o setor produtivo, que é o carvão, gerando energia e sulfato de amônia. Hoje importamos mais de 500 milhões toneladas/ano de sulfato de amônia da Rússia e teríamos esse produto agregado na cadeia produtiva do carvão.

Era isso o que eu tinha a dizer, sr. presidente e srs. deputados.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)