Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Professor Grando

84ª Sessão Ordinária - 11/10/2007

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sra. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, neste mundo, na realidade em que vivemos, só é revolucionário, só transforma, só muda quem for realista. É um mundo bastante perverso! É o mundo da globalização! Não é da globalização do desenvolvimento, do sistema industrial gerador de emprego, é o mundo da globalização onde predomina o poder financeiro.

O poder financeiro, na sua dicotomia, é um poder parasitário, é um poder que faz com que os lucros sejam ganhos com o suor dos outros, através do que chamamos de mais-valia, principalmente através dos juros. Daí a ocorrência mundial de instituições bancárias cada vez mais assumirem os poderes, dominarem, comprarem outras agências como prestadoras de serviços.

Por que falamos isso? Porque a globalização surgiu na prestação de serviços, na utilidade, inclusive, do estado, por exemplo, naquelas atividades em que a prestação de serviços é paga em prazos determinados. Por exemplo: a água, que todo final de mês tem que ser paga, senão será cortada; a eletricidade, a prestação de serviços tem que ser paga mensalmente, senão será cortada; as taxas de banco; a questão dos pedágios. Hoje, os novos ricos dos Estados Unidos são donos de estacionamentos, inclusive verdadeiros shoppings estão-se transformando em estacionamentos.

Estamos vendo que aquelas atividades prestadoras de serviços com grande quantidade de recursos que o estado gerou na sua prestação de serviços começaram a entrar no mundo globalizado e estão mundialmente dominando todas as empresas.

E temos o exemplo aqui em Santa Catarina da luta que se está travando na questão Besc, que procurou aliar-se, de forma pública, na atividade de prestação de serviços ao Banco do Brasil. Com sua solução inteligente está sofrendo pressões. Inclusive, neste momento somos solidários à sua greve, à sua reivindicação para ter melhor condição de vida.

Já estamos vendo algumas reações em nível nacional e internacional para que esta parceria entre o banco estatal Besc e o banco nacional, que é o maior da América Latina, o Banco do Brasil, não ocorra. Já está havendo questionamento jurídico. Há notícia de que algumas pessoas já estão prestando serviços para que essa parceria não se concretize. Estão produzindo artigos, opiniões, recursos judiciais para que isso não ocorra.

Nós, partidariamente, queremos ser solidário com essa perspectiva, com essa decisão do presidente Lula e do nosso governador Luiz Henrique da Silveira, ao assinar o contrato para manter o Besc como um banco público.

E para finalizar, sra. presidente, nós queremos deixar bastante claro que à medida em que esta globalização ocorre e tende a dominar em vários setores, também surge uma contradição, que é o crescimento do poder local. O poder local, o nosso município, começa a apresentar soluções alternativas, seja no meio ambiente; na questão da geração de empregos; na saúde; na questão orgânica da assistência social; da cidadania, através de conselhos municipais em todos os setores; desde a agricultura; desde a questão do desenvolvimento sustentável; desde a infância e a adolescência e os conselhos dos idosos. Toda prefeitura possui mais de dez conselhos, dos quais a população participa com as forças vivas.

Por isso a importância das próximas eleições municipais, para que em cada município as coligações, os partidos tenham propostas que façam com que cada cidade possa andar com suas próprias pernas. Esse poder local vai crescer cada vez mais e será o grande adversário da globalização financeira perversa e má, quando poderemos construir uma cidadania justa, coerente e correta.

Por isso, todos aqueles que se filiaram até o dia 5 de outubro, com certeza participarão de uma nova cidadania no próximo ano.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)