Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Serafim Venzon

56ª Sessão Ordinária - 08/07/2009

O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente, queria anunciar a presença dos vários vereadores que aqui se encontram, assim como dos prefeitos de Penha e de Siderópolis, mas v.exa. já o fez. De qualquer forma, quero dar a todos as boas-vindas ao Parlamento catarinense.

Srs. deputados, povo catarinense que nos acompanha através da Rádio Alesc Digital e da TVAL, ilustres visitantes que nos dão a honra da sua presença, quero comentar hoje uma questão extremamente importante dentro da área da Saúde. Na verdade, na área da Saúde, por mais que se faça sempre vai sobressair aquilo que ainda não se fez. Deputado Antônio Aguiar, é o mesmo que ocorre na nossa casa, onde nem sempre é reconhecido o trabalho executado pela esposa, que sempre se esmera para fazer o melhor, mas somente quando alguma coisa não é feita é que se vai reparar e ressaltar a necessidade de fazê-la.

Srs. parlamentares, assim também ocorre com os serviços relativos à Saúde, à Segurança Pública e à Educação que aparecem muito, principalmente quando não são executados, mas quando o poder público age, parece que a população não percebe, fica em paz, tranquila.

Dentro da área da Saúde temos as diversas especialidades, entre elas a oftalmologia, que tem realizado um extraordinário trabalho principalmente a partir de 1995, quando o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, em convênio com o ministério da Saúde, buscou encontrar um encaminhamento para as doenças da retina, para as doenças do cristalino, do vítreo, da córnea, pois muita gente não conseguia o atendimento necessário por falta de dinheiro.

Graças àquele convênio que houve entre o Conselho Brasileiro de Oftalmologia e o Ministério da Educação, temos, praticamente em todos os estados e em Santa Catarina também, um atendimento muito grande prestado a todos os pacientes. E os hospitais públicos, através dos programas, atendem principalmente àqueles que não têm recursos para pagar o atendimento particular ou não possuem convênios que cobrem esses procedimentos.

O Hospital Celso Ramos, um dos hospitais públicos que atende a um volume grande de pacientes, está hoje com mais de 12 médicos especialistas nas diversas áreas; praticamente todas as especialidades em oftalmologia funcionam naquele hospital. Está faltando, por exemplo, hoje, um especialista em glaucoma, mas já houve o concurso, falta apenas ser chamado, além de outros especialistas que já prestaram concurso para trabalhar no Hospital Celso Ramos, que vão se somar aos 12 médicos que já existem. O hospital possui também mais de 12 médicos que fazem a sua residência na área de oftalmologia e, por isso, atendem a um número muito grande de pacientes.

Estava analisando um relatório de três meses atrás, no qual consta o atendimento de, em média, 4.000 pacientes por mês. Esse é um número muito grande, deputado José Natal. E esse atendimento gera um número de 300, 400 cirurgias de catarata, de retina, de cristalino, do vítreo, enfim, vários tipos de cirurgias. Muitos daqueles pacientes, evidentemente, não são encaminhados para cirurgia, muitas vezes são receitados os óculos e acabou.

Então, hoje, o Hospital Celso Ramos presta, pelo menos, dois tipos de grande atendimento social. Primeiro, é o atendimento a esse grande número de pacientes de todo o estado, como lá de São Miguel d'Oeste, que não conseguem atendimento dentro dessa especialidade e que acabam sendo encaminhados para Florianópolis, para serem inseridos nesses programas do ministério da Saúde, mas tudo é administrado pela secretaria estadual da Saúde, do nosso querido deputado Dado Cherem.

Uma das preocupações que temos agora, deputado Antônio Aguiar - e peço a colaboração de v.exa. como médico, como membro da equipe da saúde, mas principalmente como líder do PMDB -, é o seguinte: imagino que por um equívoco administrativo, já que o hospital, como disse, atende 4.000 pacientes por mês, com mais de 400 cirurgias por mês, mas de repente, por um equívoco da secretaria de estado da Saúde, estão tirando a referência do Hospital Celso Ramos, passando para o Hospital Regional de São José. Podem até funcionar perfeitamente os dois grupos, até porque o tamanho da fila é muito maior que os 4.000.

Nós temos filas em Canoinhas, Mafra, Taiópolis, Brusque, Itajaí, em todas as cidades, e se forem convocados os secretários de Saúde dos municípios, duvido que não levante ali alguns 40, 50 mil pacientes que estão na fila para serem atendidos no interior do estado, mas que não o são, porque, mesmo com esses serviços que estão melhorando, não estão dando conta da grande demanda.

Então, agora a secretaria está tirando a referência do Hospital Celso Ramos, e com isso vamos deixar de atender quatro mil. Com isso vai aumentar o tamanho da fila lá fora, que está querendo ser atendida. Vamos deixar de operar 400 ou 500 pacientes por mês. O hospital que tem uma residência médica, são doze residentes.

Então, temos que ter compromisso, porque amanhã ou depois os especialistas de agora também irão para o céu. E terão que entrar outros, pessoas novas, renovar. E essa renovação acontece através da residência. Por isso, manter o funcionamento no Hospital Celso Ramos é importante também socialmente, porque é uma forma de nós, todo ano, formarmos mais quatro ou cinco médicos residentes, médicos especialistas, que vão para o mercado de trabalho. Isso também vai ampliar o atendimento oftalmológico a todos os cidadãos catarinenses.

Portanto, quero pedir o apoio especial, aqui, do presidente, do líder de cada bancada, deputado Antônio Aguiar, deputados de outros partidos, para que a secretária da Saúde retire esse equívoco e mantenha o Hospital Celso Ramos como referência, porque está prestando um grande serviço à sociedade e não pode deixar...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)