31ª Sessão Ordinária - 23/04/2009
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sr, presidente, companheiros deputados, companheiras deputadas, nós, quando fomos prefeito da capital de todos os catarinenses, queríamos, com todo o nosso ideal e a nossa força de vontade, resolver todos os problemas de Florianópolis. Queríamos empregos para todos; queríamos asfaltar todas as ruas; queríamos disponibilizar creches para todas as crianças. Enfim, um poder público transparente.
Trabalhamos diuturnamente, pois havia milhares de problemas - isso faz parte de um governo -, e pouco a pouco fomos percebendo que se um prefeito ou um governante fizer tudo, não precisará mais haver prefeito ou governante. Nunca se vai fazer tudo. Governar é estabelecer prioridades e dentro disso vamos ter problemas, sim. Faz parte da arte de administrar.
Eu sempre digo que as piores doenças são aquelas em que o paciente não têm febre, porque contradições dentro do governo, reivindicações, greves sempre haverá. E desencontros como esse que vemos, se é "reconstrução" ou "prevenção", haverá também, mas também temos a capacidade de encontrar a solução.
Falando em nome do meu partido, eu queria também alertar para uma das prioridades deste país neste momento de crise da qual tanto se fala. E com muito cuidado, coloco a posição do meu partido. Segundo o secretário-geral do PPS, o nosso companheiro Rubens Bueno, o governo vem anunciando há várias semanas que vai mexer na caderneta de poupança, mas a população ainda não havia dado a devida importância para a gravidade do fato. Mexerá na nossa famosa caderneta de poupança que, não muito recentemente, inclusive, chegou a ser bloqueada e seqüestrados esses valores que são do povo.
Como partido de oposição que o PPS é, estamos denunciando que isso poderá vir contra os interesses do pequeno poupador, em benefício de bancos e de grandes especuladores do sistema financeiro como um todo. Por isso a necessidade de o partido avisar desde já que não aceitará mudanças na poupança. Muito cuidado! Que mudanças são essas? Vão pagar mais juros para o poupador? Nós não sabemos; só sabemos que neste país, mesmo com a crise mundial, os banqueiros continuam ganhando, sejam eles nacionais ou estrangeiros. Nunca os bancos da avenida Paulista ganharam tanto recurso explorando o juro, a agiotagem!
A alegação do governo para mexer na poupança é que, com a crise e a queda dos juros, a caderneta se tornou mais atrativa do que os fundos de investimento, o que poderia causar uma migração em massa de investidores para a poupança. O que o governo não diz é que ele teme perder impostos, já que a caderneta de poupança é isenta e os bancos não abrem mão das taxas e dos altos lucros que obtiveram durante a fase da bonança da economia mundial.
O governo está fazendo de tudo com essa crise, utilizando até o combustível para arrecadar mais, porque os gastos do governo federal são muito grandes, já que não conteve os seus gastos. Então, todas as medidas que estão sendo tomadas são para arrecadar mais, inclusive a redução do próprio IPI, que prejudica o município. Por que não reduz a alíquota apenas dos impostos que somente o governo federal arrecada?
Para encerrar, devo dizer que nessa época ninguém do governo levantou a bandeira de aumentar a remuneração da poupança. Contentaram-se em assistir aos megaespeculadores ganhando rios de dinheiro, enquanto o pequeno poupador ganhava uma mixaria com o seu dinheiro aplicado na poupança.
Isso é verdade, todos os poupadores, todos os que têm uma pequena caderneta de poupança, geralmente trabalhadores, sabem que ela é a que menos rende. E realmente os fundos bancários pagam impostos para o governo federal que ele tem medo de perder.
Então, temos que ter cuidado. Esse é apenas um alerta em nível nacional, no horário do meu partido, o PPS, que nós estamos fazendo, sr. presidente.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)