110ª Sessão Ordinária - 26/11/2009
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, cumprimentamos aqui o governo federal, saudamos os deputados Silvio Dreveck e Antônio Aguiar, os deputados que estão mais ligados ao planalto catarinense, pois em São Bento do Sul, em Rio Negrinho, em Mafra e em Itaiópolis a atividade econômica principal é a indústria moveleira que, com a alta carga tributária, vinha tendo dificuldades. Agora, a grande redução do IPI seguramente vai facilitar, e muito, a exportação, o comércio interno e vai ressuscitar, como alguém falou, a nossa indústria moveleira. Mais do que isso, vai fazer ressurgir toda a movimentação econômica. E isso, naturalmente, vai ajudar a mexer toda a economia.
Saúdo, repito, os deputados do planalto norte, principalmente o deputado Silvio Dreveck, que é de São Bento do Sul, que foi prefeito durante oito anos e que tem uma intimidade maior com essa questão.
Eu vou levantar novamente um assunto muito importante, sr. presidente, que é a questão da saúde. Eu já disse ao governador que muitas vezes nós vemos o problema e temos dificuldade de saber o que devemos mudar, o que devemos adequar para conseguirmos fazer funcionar.
O Hospital Regional de São José, por exemplo, é um hospital grande, tem uma estrutura extraordinária e poderia ser citado em qualquer lugar do mundo como referência porque, com certeza, poderia ser um exemplo. Por outro lado, a parte funcional do hospital está seriamente comprometida e todos nós, Situação ou Oposição, temos a obrigação de encontrar alternativas para fazê-lo funcionar.
Eu estive naquele hospital na terça-feira passada e andando por um corredor com mais de 50m perguntei a um dos pacientes que estavam deitados numa das macas, quantos dias estava ele ali e ele respondeu que estava há 25 dias. Perguntei-lhe, então, o que estava esperando e ele me disse que estava esperando para operar o tornozelo, que achava que já estava colando. Na verdade, ele havia fraturado o osso e está lá há 25 dias aguardando para ser operado e ser liberado do hospital.
Srs. deputados, eu achei que aquele paciente que estava há 25 dias naquele hospital talvez fosse o mais antigo, mas caminhando até o fim daquele corredor longo encontrei um paciente que estava há 35 dias com a perna tracionada porque tinha uma fratura de fêmur e estava aguardando para ser chamado ao centro cirúrgico. Mais adiante, no andar das pessoas que já estão internadas, havia pacientes há 65 dias aguardando para serem operados. Os pacientes não têm absolutamente nada senão uma fratura e aguardam como podem, não existe um grande prejuízo se forem operados agora ou daqui a 20, 30 dias ou até daqui a um mês. Claro que o prejuízo é para o paciente, pois ele fica angustiado esperando para ser atendido. Eles estão meramente aguardando ser atendidos. São 65 dias aguardando!
O diretor do hospital, dr. Jorge Coelho, o diretor do centro cirúrgico, dr. André, o cirurgião, dr. Nicolau Kruel e o cirurgião oftalmologista, dr. Luiz Queiroz, vieram conversar comigo e perguntei-lhes onde estava o problema do hospital e por que aquele paciente estava há 65 dias esperando para ser operado, pois se tivesse sido operado no primeiro dia, teria dado vaga a 65 diárias. Um paciente, por exemplo, que vai ser operado fica, normalmente, dois, três dias no hospital. Então, teria dado para internar e operar, só na vaga dele, mais de 20 pacientes!
Imaginem v.exas. a emergência daquele hospital repleta de pacientes, com uns 20 deitados na emergência e mais uns 30 deitados nas poltronas! E o que mais me chamou a atenção é que os que estavam deitados na poltrona estavam felizes, contentes. Diziam eles: "Doutor, eu estou aqui na poltrona há dez dias, porque antes eu estava sentado numa cadeira de madeira dura!"
Então, a metade dos pacientes do hospital está meramente aguardando para ser operada.
O Sr. Deputado Nilson Gonçalves - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Pois não!
O Sr. Deputado Nilson Gonçalves - Eu vou falar rapidamente, deputado Serafim Venzon. V.Exa. conhece aquele termo fogo amigo? Eu já ouvi um comentário aqui de um deputado dizendo assim: "Deputado Nilson Gonçalves, está acontecendo neste momento o..." (Retirada da ata conforme solicitação do autor.).
Então, neste aparte, eu quero apenas defender o deputado Dado Cherem, que é nosso companheiro de bancada, que nesse...
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Deputado Nilson Gonçalves, eu quero destacar o seguinte: o deputado Dado Cherem é o homem do governo e desta Casa que mais quer resolver esse problema. Esse é o grande problema que queríamos levantar. Não é fogo amigo, deputado Nilson Gonçalves. O principal problema que temos naquele hospital, e não só no nele, como na maioria dos nossos hospitais, é que o secretário da Saúde e o governador do estado não conseguem ter ingerência no corporativismo que existe lá dentro.
O Sr. Deputado Nilson Gonçalves - Eu gostaria que v.exa. me deixasse terminar.
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Por isso, deputado Nilson Gonçalves, eu queria que v.exa., antes de falar, pedisse para retirar dos anais a expressão que acaba de usar, se é que v.exa. está-se referindo a este deputado que está na tribuna.
O Sr. Deputado Nilson Gonçalves - Eu vou solicitar às taquígrafas que estão anotando que retirem a expressão... (Retirada da ata conforme solicitação do autor.)
Sr. presidente, solicito que seja retirada a expressão... (Retirada da ata conforme solicitação do autor.), para que não haja constrangimento dentro da própria bancada, inclusive com o meu próprio líder.
Eu só queria dizer-lhe, deputado Serafim Venzon, que v.exa. é médico e conhece muito melhor que nós a questão da saúde em Santa Catarina. E ontem v.exa. teve a oportunidade de estar com ele, juntamente com...
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - E este deputado passou esse problema para o secretário Dado Cherem, para o governador e para o presidente da Casa. Deputado Nilson Gonçalves, nós não estamos fazendo isso...
O Sr. Deputado Nilson Gonçalves - Eu só queria terminar a minha fala, deputado Serafim Venzon!
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Deputado Nilson Gonçalves, interrompendo mais uma vez v.exa., esse líder do PSDB que v.exa. cita está preocupado, porque se somos da base do governo, precisamos encontrar, sim, uma solução, porque cabe ao governo, cabe a nós, deputados, que damos sustentação ao governo, que damos apoio ao deputado Dado Cherem, que é do nosso partido, que é do partido do governo, encontrar, sim, uma alternativa para dar resolutividade não só naquele hospital, mas nos diversos hospitais públicos do estado.
O Sr. Deputado Nilson Gonçalves - Meu líder, não quero criar nenhuma polêmica, apenas quero dizer que estou defendendo o deputado Dado Cherem, porque, para quem está ouvindo, passa a impressão de que o nosso secretário da Saúde não está fazendo nada. E não é isso que v.exa. está querendo dizer, tenho certeza absoluta, mas está passando essa impressão.
Ontem, inclusive, o deputado Dado Cherem estava lá conosco, e v.exa. é testemunha, querendo entregar o cargo, por se sentir impotente para resolver esses problemas todos, porque não tem de onde tirar verbas ou achar uma solução para esses problemas. Mas foi demovido dessa intenção até por v.exa., dizendo-lhe para aguentar firme pelo menos até a chegada de Leonel Pavan ao governo.
Então, quero dizer que não quero causar problemas. Quero apenas citar que o deputado Dado Cherem está fazendo tudo o que está dentro do seu limite para que isso não aconteça.
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente, peço que me conceda mais 30 segundos para que eu possa concluir o meu pensamento.
Todos estamos preocupados em resolver e todos precisamos dar apoio ao deputado Dado Cherem, ao governo, para encontrarmos uma forma legal para destrancar isso.
O Hospital Regional de São José e outros hospitais regionais não funcionam. Existem alguns gargalos e precisamos encontrar soluções.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)