12ª Sessão Ordinária - 15/03/2000
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e Srs. Deputados, tive a oportunidade de acompanhar o discurso de dois Deputados, um proferido no dia de ontem e outro hoje, que mostram a preocupação que nós, Legisladores e homens públicos, temos que ter.
No discurso proferido ontem pelo nosso Deputado Jaime Mantelli, dentro da sua experiência, do seu conhecimento, foi levantado aqui a forma pela qual a imprensa se manifesta, dá cobertura e age em certos casos. E hoje vemos uma manifestação do nosso Deputado Heitor Sché no mesmo sentido, um homem da área da segurança, que conhece, tem experiência e que viveu o lado de lá e o lado de cá.
Os dois assuntos são extremamente importantes e têm a ver um com o outro. E estarrece-nos quando vemos o poder e a irresponsabilidade que a imprensa tem em algumas de suas ações.
Quando o Deputado Heitor Sché estava discursando, veio-me à lembrança um casal de São Paulo que tinha uma escola para menores, parece que era um jardim de infância, e que foi acusado por um empregado descontente de haver cometido abuso sexual contra aquelas crianças. Foi o maior escândalo nacional que se viu, foi motivo de matéria durante semanas e semanas nos jornais.
Com a denúncia feita, a população se revoltou e apedrejou a propriedade. A família sobreviveu por um acaso, mas completamente desestruturada, arrebentada. Passados alguns anos, com essa família totalmente desagregada e desestruturada, vem à tona a verdade, que foi dita em apenas duas linhas dos jornais.
Quem vai recuperar esse dano moral causado a essa família? E o poder soberano que hoje está comandando a Nação, que é o poder da imprensa?! Quando ela erra dessa forma, cometendo uma injustiça dessa simplesmente porque alguém fez uma denúncia e não se esperou pelo menos a comprovação do fato, o que acontece?! Penso que todos temos o direito de denunciar, de apresentar a denúncia, mas depois de confirmada!
Nesse episódio recente de São Paulo mais uma vez ninguém está preocupado realmente se a tal de Nicéa tem ou não razão. Ninguém está preocupado nem foram averiguar se realmente há provas consistentes sobre os fatos. Simplesmente se monta um programa da maior audiência nacional e arromba-se, atinge-se, denigre-se a imagem de um número sem fim de importantes autoridades políticas deste País. Depois cabe àqueles atingidos tentar, desesperadamente, juntar as penas que foram espalhadas por este imenso Brasil através de uma ação irresponsável, de denúncias que, muitas vezes, não são averiguadas se têm fundamento.
Agora eu, no meu conceito, entendo que a imprensa dá uma grande contribuição à sociedade. Mas precisamos fazer um apelo à imprensa no sentido de que verifique se a denúncia tem fundamento e que ouça os dois lados. Uma mulher frustrada, uma mulher abandonada, uma mulher que perde o marido, uma mulher que poderíamos aí fazer muitas outras citações sobre sua situação emocional, será que é a pessoa mais preparada para fazer essas denúncias neste momento?
Podemos até imaginar que muito daquilo que ela disse poderá ter fundamento, portanto somos defensores de que deva ser averiguado. Agora, preocupa-nos se não tiver fundamento, pois que se algumas das pessoas citadas forem inocentes, imaginem o tamanho do dano moral.
Em cada época de eleição vemos acontecer os mesmos episódios, os mesmos fatos, porque ninguém está preocupado com o resultado disso. Preocupam-se em criar o fato, em ter manchetes e em enlamear as pessoas. Se depois alguém vai ser condenado ou não, é uma história que não nos pertence mais, que não é mais do nosso interesse. Esse exemplo nós temos.
Ontem, D. Nicéa conseguiu um espaço extraordinário e fez um desabafo à Nação brasileira. O que nos surpreende é que tenha se transformado numa heroína exatamente quando o marido a abandona, pois que até esse momento o sentimento de patriotismo não existia. Será que durante todo o período em que viveu com o marido não tinha o mesmo sentimento de patriotismo? Só aflorou esse patriotismo, essa seriedade, essa heroína no momento em que o marido a abandonou, pois até ali não tinha aflorado esse sentimento de seriedade, de heroísmo, de pessoa séria.
A partir daquele momento, do abandono, ela se transforma na paladina da moralidade e atira lama em muitas autoridades importantes da Nação brasileira que têm contribuído para o crescimento do País.
Então, nós queríamos registrar aqui que isso nos intimida, que isso nos assusta, que isso nos traz preocupação, porque não é possível que essa pessoa mereça todo esse destaque, alguém que por se sentir frustado usa o espaço gratuito que lhe é oferecido.
Vimos a matéria de uma Vereadora da nossa Capital, já saindo na busca de espaço gratuito na imprensa, na mídia, que de forma demagógica vem desenterrar mortos, mexer em uma questão de CPI, de Letras e acusar e dar indiretas de que a nossa Prefeita da Capital poderia também ter sido eleita com a ajuda de recursos de origem duvidosa, provenientes daquela famosa CPI dos títulos públicos deste País, especialmente a do Estado de São Paulo.
Ora, não é justo que acusações dessa natureza, sem lógica, sem procedimento, sem base, sem sustentação, mereçam destaque, mereçam espaço em rádios e televisões, em veículos de comunicação.
Pessoas de responsabilidade como a D. Ângela Amin, a melhor Prefeita deste País, a mais séria governante que nós temos acompanhado nos últimos tempos, um patrimônio político que surge, que aflora para a Nação brasileira, para o nosso Estado de Santa Catarina, não podem ser atingidas sem fundamento.
D. Ângela Amin, esta mulher valente que tem demonstrado a sua competência, que através da sua ação, da sua seriedade, da sua capacidade de trabalho tem transformado esta Capital e tem recebido o reconhecimento da população de Florianópolis, que é uma unanimidade como administradora pública, uma mulher que merece o nosso respeito, uma mulher que conquistou o respeito da população, uma mulher que demonstra o que é seriedade, uma mulher que dá demonstração de competência, não pode ter seu nome usado com o único objetivo de denegrir essa imagem. Para se atingir uma pessoa com esta capacidade, com esta seriedade, tem que existir fatos, e muito bem fundamentado.
Uma frustrada Vereadora, só pelo motivo de querer ganhar espaço, e demagogicamente, não pode levantar acusações dessa natureza de fatos que já foram discutidos, que já foram passados neste Estado de Santa Catarina.
Os episódios que envolviam as questões das Letras foram discutidos nesta Nação inteira, especificamente nesta Casa Legislativa, por muito tempo. Aí se gastou todo o tempo necessário, todo o poder de fiscalização para tentar sair na busca de quem eram os culpados, se havia ou não! Foi ali, naquele momento, que se mostrou para a Nação.
Agora também está mostrado para a Nação onde estão aqueles que golpearam a Nação brasileira, aqueles que enganaram a Nação brasileira, aqueles que assaltaram os cofres públicos desta Nação através daquela ação dos títulos públicos. Onde está a cadeia para o tal de Wagner da vida, para o tal de Nahoum da vida?
O SR. PRESIDENTE (Deputado Heitor Sché) (Faz soar a campainha) - V.Exa. dispõe de mais um minuto, Sr. Deputado, para concluir seu pronunciamento.
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Onde estão os presidiários que golpearam o nosso Estado e a nossa Nação brasileira?
Aí está a prova de que o que interessa são as manchetes, é criar o fato. Mas lá no final, na hora de pôr na cadeia quem deve e quem rouba, ninguém está mais preocupado, não há mais cobrança, não há mais espaço nos jornais.
Está na hora de a imprensa cobrar onde está o tal de Wagner, onde está o tal de Nahoum, onde está quem golpeou Santa Catarina e o Brasil. É isso o que queríamos da imprensa agora. Este é o momento de fazer cobranças e não de desenterrar mortos.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)