89ª Sessão Ordinária - 11/10/2000
O SR. DEPUTADO FRANCISCO DE ASSIS - Sr. Presidente e Srs. Deputados, funcionários desta Casa, violência é o tema que escolhi para falar hoje.
Têm aumentado muito, Sr. Presidente, principalmente após as eleições, os crimes, as barbaridades contra os políticos. E o alvo mais procurado, infelizmente, estão sendo os militantes do nosso Partido, do Partido dos Trabalhadores.
As notícias que nos chegam deixam-nos muito preocupados. Os colegas Deputados devem estar lembrados que num Município do interior de São Paulo, no ano passado, de que 18 Vereadores (dos 19 existentes na Câmara) foram afastados por um período de seis meses, por estarem envolvidos num determinado tipo de corrupção, de desvio de dinheiro público - cerca de R$2.500,00 para uma falsa inscrição de um determinado curso ou congresso que tinha sido realizado.
Apenas um Vereador ficou na Câmara de Vereadores - o Vereador do Partido dos Trabalhadores, o companheiro que agora nessas eleições foi eleito Prefeito daquela cidade, talvez pela sua postura ética, comprometida com as questões da cidade e com o dinheiro público.
Este companheiro foi eleito e agora tem que andar com segurança dando cobertura para ele e para a sua família, porque está sendo ameaçado de morte. Em outros Municípios no interior de São Paulo, também, outros Prefeitos do PT, eleitos, são obrigados a ter um segurança pessoal para ele e sua família.
Em Brasília, Mato Grosso, interior de São Paulo, como já falei, em outros lugares deste País e aqui em Santa Catarina, ontem, tivemos informações que alguns candidatos nossos a Vereador e Prefeito também estão sendo ameaçados. E foram durante o processo eleitoral.
Falando dos Prefeitos, queremos saudar o nosso Prefeito reeleito de Chapecó, José Fritsch, que está aí no nosso meio no dia de hoje, na Capital, e está aqui presente na Assembléia Legislativa.
Quero dizer que é uma preocupação nossa o crime organizado e as queixas que temos recebido dessas ameaças contra o Partido dos Trabalhadores, contra alguns filiados ao Partido, alguns eleitos e a outros apenas que participaram do processo eleitoral coordenando uma campanha política. Mas amanhã ou depois pode ser contra qualquer companheiro de qualquer Partido. E nós não podemos nos calar diante desse fato.
Eu quero neste espaço reservado ao Partido dos Trabalhadores fazer uma solicitação ao Presidente desta Casa, a ser encaminhada ao Ministro da Justiça, no sentido de que tome uma atitude imediata para coibir, para inibir esses abusos que estão sendo cometidos. Apelamos também para que os culpados não fiquem impunes, melhor dizendo, para que não se cometa mais esse tipo de crime. E também que se apure de imediato isto que está acontecendo no nosso País contra os trabalhadores, acima de tudo sindicalistas. Em algumas cidades, pessoas que foram assassinadas eram sindicalistas, como aconteceu no Distrito Federal.
Então, no nosso País, no dias de hoje não se admite mais tanta violência em função da crise social que nós vivemos, tanta violência em função do desemprego que assola o nosso País. E agora, no meio político, entre os Parlamentares, Prefeitos eleitos, também chega essa criminalidade.
Então, em nome dos 40 Deputados, para não significar que é apenas uma ação nossa, isolada, mas de todos os Deputados, apelamos ao Ministro para que tome as devidas providências porque não admitimos e não podemos mais conviver nos dias de hoje com violência deste tamanho, desta magnitude, em nosso País.
Era o que tínhamos a dizer.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)