57ª Sessão Ordinária - 21/08/2001
O SR. DEPUTADO ADELOR VIEIRA - Sr. Presidente e Srs. Deputados, hoje os aposentados de Santa Catarina fizeram uma manifestação da sua insatisfação em relação ao reajuste que foi concedido aos seus salários no mês de julho.
Nós fizemos vários pronunciamentos, mas volto até para relatar, para fazer uma prestação de contas do que foi a mobilização de hoje. Antes, porém, Sr. Presidente e Srs. Deputados, com relação aos servidores públicos, quem acompanhou a mídia, ontem e hoje, está certamente envergonhado com a proposta que o Governo faz aos servidores públicos. Proposta de reajustar os salários que estão defasados há sete anos, cujo índice de correção salarial nesse período está na ordem de 75.48%, Deputado Onofre Santo Agostini. E o Governo acena, então, em conceder 3.5%.
Eu estava pensando, hoje, pela manhã, talvez até em propor aos servidores que emitissem um cheque e devolvessem os 3.5%, porque isso é um deboche, é uma afronta.
Depois de sete anos sem uma correção sequer, depois de ter ouvido este mesmo Governo propor que se tire do aposentado 11% do servidor inativo para ajudar a contrabalançar as contas públicas na ordem de alguns bilhões por determinação do Fundo Monetário Internacional, creio que os servidores públicos deveriam, então, dar a contribuição. Já fizemos tantas contribuições neste País, já se deu tanta demonstração de civismo, de amor à Pátria, que creio que os servidores, agora, depois do ouro para o Brasil, depois de tantas outras coisas que já foram feitas nesta Nação para salvar os desmandos que infelizmente nossos Governantes fazem...
Eu ouvia, hoje, na manifestação, Srs. Deputados, uma servidora pública que fez parte da manifestação dizer uma coisa que cabe bem, no meu sentimento, porque também procedi dessa maneira, lamentavelmente. Ela disse assim: "Eu votei neste Governo, eu votei nos Deputados que lá estão, não votei no FMI para governar o Brasil." Imaginem a profundidade dessa expressão! Imaginem a profundidade de uma expressão como esta e a verdade que ela encerra.
Quando aquela senhora, a céu aberto, chovendo como estava, diante de uma platéia de quase 2.000 aposentados, quase todos de cabelos brancos, disse essa verdade, Deputado Onofre Santo Agostini, que não tinha votado no FMI para ser Presidente do Brasil, para determinar o que o Brasil precisa fazer ou não nas suas questões internas...
Eu acho que até o FMI pode sugerir. Eu não sou contra o capital externo, eu não sou contra a necessidade de se buscar financiamentos, agora, a ingerência nas nossas questões fere com a nossa responsabilidade, com o nosso brio, com a nossa capacidade de administrar e de pensar. Com estas coisas é que nos revoltamos, é contra estas posições aceitas por este Governo que aí está, como disse bem a servidora.
Eu, lamentavelmente, também votei. Tenho que aqui dizer que votei no Governo que está aí, não votei no FMI! Mas nós não podemos mais aceitar isso. Está havendo um sentimento de indignação da nossa sociedade. É uma proposta mais esdrúxula do que outra. Será que não existe capacidade de criar alguma coisa que possa servir para o nosso País? Será que nós temos que nos submeter cada vez mais aos caprichos de outras Nações, de outros povos que só querem sugar e tirar do nosso País e agora da nossa gente? Não é possível!
Então, quando leio aqui: FHC vai anunciar reajuste de 3.5% para o servidor que está, pasmem os senhores, com uma defasagem de 75.48%, ao longo de sete anos, sem reajuste. E daqui mais um dia ou dois estaremos ouvindo os rumores, as categorias dos servidores públicos se organizando. Hoje, já é o INSS, depois a Caixa Econômica e logo as demais repartições públicas federais, estaduais e municipais. E o servidor público, na ânsia de ver pelo menos a reposição do seu salário já tão minguado, já tão castigado, se sente na obrigação de ir às ruas.
Quem viu, como eu vi, hoje, aqueles idosos ao longo da BR-101, pacificamente, fazendo a sua manifestação, parece que a chuva que caía sobre a BR-101 no trevo de Palhoça estava representando o choro, o lamento daquela gente sofrida que tanto já fez pelo nosso Estado, Deputado José Paulo Serafim, que tanto já fez pelo nosso País.
Agora, quando ele deveria estar no seu lar, no seu abrigo, no aconchego da sua família acariciando os seus netinhos, tem que pegar o seu guarda-chuva surrado, a sua capa rasgada para ir à BR-101 protestar e dizer: não, senhor Presidente, pelo amor de Deus, socorre-nos, porque nós não temos mais alternativa! O cobertor está curto demais para nós. Se nós comprarmos o alimento, não podemos comprar o remédio! Se comprarmos o remédio, não temos como comprar o alimento! Se comprarmos os dois, nós vamos ficar devendo no mercado ou na farmácia. Vão nos cortar a luz, a água e assim por diante.
Então, Deputados, esta é a indignação que se está passando para a sociedade brasileira. E essa manifestação, nasceu no Estado de Santa Catarina e está ganhando corpo.
Queremos registrar a presença, com muita satisfação, de lideranças do movimento dos aposentados, das associações de aposentados que vieram dos quatro cantos do Estado de Santa Catarina. Quatro ônibus de Joinville trouxeram os aposentados, que passaram madrugada adentro para poderem fazer a sua manifestação de protesto. Eles vieram do Sul e do Norte do Estado, do Alto Vale do Itajaí, tinha gente de todo o litoral. E o mais impressionante é que lá estavam presentes também o Presidente da Confederação Nacional dos Aposentados; o João; o Paulinho - Presidente da Federação das Associações dos Aposentados de Santa Catarina; o Luiz Freitas, da Associação dos Aposentados de Joinville; o Luizinho, da Associação dos aposentados de Criciúma, e tantos outros.
Mas nós vimos a adesão dos caminhoneiros, Deputado Manoel Mota; dos motoristas de ônibus; dos taxistas; daqueles que estavam passando pela BR aplaudindo o movimento. Nenhuma manifestação contrária. Pararam lá por mais de uma hora para ser solidários aos cabelos brancos, às cabeças brancas, àqueles que já estavam, até, meio encurvados pelo peso da idade, que estavam lá dizendo que não tinham mais como agüentar tudo isso! Que não conseguiam mais sobreviver com o salário que recebem todos os meses pela sua aposentadoria.
Quero crer, companheiros do movimento, amigos, vocês que lideraram esta manifestação, que o trabalho de vocês não será em vão, até porque isso é promessa bíblica para aqueles que crêem, porque a Bíblia diz que o trabalhador é digno do seu salário e vocês trabalharam, vocês têm provado isso de muitas formas, de muitas maneiras. E se aqui...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)