36ª Sessão Ordinária - 23/05/2001
O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Sr. Presidente, antes de abordar a matéria em si quero fazer um rápido registro: fica difícil entender as alterações havidas recentemente entre os Deputados Joares Ponticelli e Volnei Morastoni, quando os jornais noticiam que o Prefeito do PT de Blumenau deseja beijar a careca do Governador. E consta no Jornal Diário Catarinense: "afirmação do Prefeito do PT de Blumenau. Desculpem-me as demais carecas aqui presentes, mas tenho que confessar que a careca do Governador é a mais simpática do Brasil". E continuou: "E digo mais. Vou pedir permissão para Dona Ângela, e me comprometo a dar um beijo na careca do Governador e sei que ele não vai ficar mal acostumado". Amin, em seu discurso limitou-se a retribuir o elogio de Décio. Então, isso faz lembrar aquela música do cancioneiro popular "entre tapas e beijos". Tapas aqui, beijos lá.
O que eu queria, Sr. Presidente e Srs. Deputados, em razão da matéria levantada ontem pelo Governador, com referência à CELESC, de uma dívida que havia sido contraída em 1998, as suspeitas que ele levantou de desvio, de má aplicação e de irregularidade, deixar muito claro, em primeiro lugar, que se trata de uma manobra escapista do Governador para não responder a situação de absoluto constrangimento que ele entrou, quando foi noticiado publicamente o verdadeiro show do milhão, ou seja, R$ 1 milhão para cada Deputado da Base Parlamentar poder municiar e entregar aos seus eleitores. Então, para tentar esconder, colocar um biombo no show do milhão, ele inventou esta história da CELESC.
Eu tenho em mãos os documentos, vou repassá-los em seguida à imprensa, a começar pelo balanço de 1998, assinado pelo Presidente da Empresa, ex-Deputado Francisco Küster, que escreveu e assinou que aquele dinheiro que foi contraído em 98 teve a aplicação em investimentos.
E o que o Governador está questionando é que houve uma aplicação irregular, um desvio de finalidade.
Então, de duas uma: ou o Presidente da CELESC escreveu falsamente alguma coisa que não é, ou então o Governador, mais uma vez, está faltando com a verdade, como faltou naquele caso da CASAN em que se comprometeu em não vender as ações e depois mandou para cá um projeto vendendo-as.
E mais, temos toda a série histórica, mostrando que essa operação que o Governador fingia ignorar, foi, na atual gestão de Governo, renovada três vezes, Deputado Moacir Sopelsa. Em três vezes houve a renegociação daquela operação, que foi contraída em 1998, depois foi renovada em junho de 99, em dezembro de 99, em junho de 2000 e, agora, passados três anos, para fugir de uma explicação que não consegue dar do show do milhão, resolve inventar essa história de que teria havido o desvio na contração e na aplicação desses recursos.
E fala-se até de que o PPB, um dos Partidos da Base de sustentação do Governo, vai requerer uma CPI para apurar esses fatos. Eu me comprometo a ser o primeiro ou o segundo signatário desta CPI, no sentido de que possamos realmente apurar e mostrar o que está se passando atualmente na CELESC, porque não tenhamos dúvida, o que se está prenunciando com relação à CELESC é o mesmo que aconteceu com o Besc. Uma campanha pública difamatória contra a instituição, visando aferir a sua credibilidade para reduzir o seu valor, e com isso, possibilitar a sua privatização, a sua venda a preço de banana para a iniciativa privada.
E, hoje, a CELESC vive um momento de dificuldade, mas vive esse momento, sobretudo, em razão do fato de que o Governo estadual lhe virou as costas.
Há uma dívida histórica, e registre-se, a bem da verdade, de vários Governos, que não é resgatada de R$558.000.000,00 do Executivo. E se mesmo tivesse o mínimo apreço pela nossa empresa energética, faria uma injeção imediata de recursos, que iria possibilitar a alavancagem financeira, num momento conjuntural difícil. Mas, estruturalmente, a empresa, apesar de todo esse esforço contrário, ainda vai muito bem.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)