Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nelson Goetten

76ª Sessão Ordinária - 11/08/1999

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e Srs. Deputados, assomo à tribuna para fazer um comentário baseado no que aqui escutei.

Ouvi o Deputado Manoel Mota dizer que o objetivo da CPI era atingir, alcançar Governos, como o de Esperidião Amin, que administrava o Estado na época em que foi feita a intervenção no Banco do Estado de Santa Catarina.

Os catarinenses tomaram conhecimento, via imprensa, de que ocorreu a intervenção no Banco porque o Governo do Estado de Santa Catarina emitiu um cheque de R$400 mil a descoberto, mas isso em nada prejudicou o Banco, porque era um cheque do Estado que na primeira receita de janeiro foi coberto.

Repito, Srs. Deputados, a intervenção foi feita em função de um cheque a descoberto do Estado de Santa Catarina de R$400 mil, com a assinatura do Governador Esperidião Amin, mas o Estado, através de sua receita, pagou, sem ônus nenhum.

Querer condenar Governos passados pelo que aconteceu e pelo que está acontecendo hoje com o Besc, no mínimo é uma irresponsabilidade. O Besc hoje está em processo falimentar, mas por culpa de algumas pessoas que usaram e abusaram dele. Agora, dizer que o colunista ou que este Deputado têm que apresentar o nome daqueles que causaram o problema ou daqueles que foram privilegiados?! Qualquer um sabe que há o sigilo bancário! Aqui ninguém vai ser tão estúpido, mesmo no diz-que-diz, mesmo sabendo os nomes ou tendo acesso a algumas informações, a ponto de dizer os nomes. Nem a CPI vai ter acesso a esses nomes, somente quando acessar no Tribunal de Justiça.

Não há Deputado nesta Casa que não saiba que alguns privilegiados devem cinco, seis milhões de reais. Quem não sabe disso?! Tem Deputado nesta Casa que está comprometido até o pescoço, e tenho certeza de que os 40 Deputados estão convencidos disso.

Estou muito tranqüilo em relação ao meu posicionamento, que é em defesa do emprego. O Deputado que assumir a posição da não-federalização do Besc, hoje, indiferentemente da razão e da paixão, que não posso nunca tirar, está ajudando a liquidar uma instituição importante para o Estado de Santa Catarina, a colocar cinco mil pessoas na rua.

Não quero, de forma alguma, em momento algum, dizer aqui que este Deputado não está certo na sua posição, mas só nos resta uma decisão: salvar o emprego do cidadão, defender esse patrimônio.

Temos que lembrar que muitas pessoas colocaram seu dinheiro no Besc, muitas famílias dependem do Besc, muitas pessoas sobrevivem do Besc.

Se deixarmos liquidar o Besc, teremos de pagar R$819 milhões, que é o déficit hoje do Banco; deixaremos sem emprego praticamente oito mil pessoas, contando com os empregos indiretos; causaremos um prejuízo sem precedente ao cidadão, que precisa dessa instituição financeira no interior, nos pequenos Municípios; deixaremos sem patrimônio muitos acionistas.

É triste, mas é verdadeiro! É o momento decisivo! Não nos resta outra saída, independentementede podermos aqui desabafar o que está acontecendo neste País com a decisão do nosso Governo! Se é decisão do FMI, se é decisão do Sistema Monetário Nacional, se é decisão do Presidente da República, se é decisão de alguns segmentos Partidários, quero defender, quero ficar do lado do emprego. A realidade está aí! Encurralaram-nos com duas opções. Na melhor das hipóteses, fico com o emprego.

O povo de Santa Catarina precisa do Besc. Portanto, a federalização é a única saída neste momento, por mais forte que seja a nossa paixão, por mais que queiramos manter este Banco como patrimônio público. Tem assinatura! Está determinado por quem comanda hoje o Sistema Monetário Nacional, que é o Sr. Armínio Fraga.

Nós temos um prazo curto, mas por outro lado longo demais. Nesses 30 dias pode o Banco acabar, porque o saque está sendo grande. Estão retirando o dinheiro e colocando em risco essa instituição.

Este assunto era para ser resolvido em horas, no máximo em dias, mas não em um mês!

Companheiro Milton Sander, é muito grave essa situação. A nossa responsabilidade é muito grande. O chamamento social neste momento é muito forte em cima de nós.

Imaginar que vai haver consenso?! Não haverá! Imaginar que todos vão concordar, é impossível! Imaginar que Partidos que têm a posição igual a do Partido do Companheiro Pedro Uczai, que tem posição clara contra o sistema de privatização, vão tomar uma posição diferente?! É difícil! Mas é o único caminho, Companheiros! Ou vamos salvar o emprego ou vamos pagar para ver, mas o pagar para ver pode ser a desgraça de muitos cidadãos. Não adianta depois dizer que ficaram sem emprego por causa do Governo Federal, porque a Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina não aceitou a federalização.

É essa a responsabilidade que vai caber a nós, Legisladores. Nós salvaríamos o Banco se fosse federalizado, porque não temos dinheiro hoje para viabilizá-lo. O Governo Federal, federalizando, coloca o dinheiro, salva o emprego, salva o Banco. Quem tem ações no Banco volta a receber, as ações voltam a ter valor, as agências permanecerão em todo o Estado de Santa Catarina.

Então, a federalização, na pior das hipóteses, ainda nos dá a esperança de manter esse sistema. A liquidação é o desastre total para nós. Não podemos pagar para ver por um preço tão caro. Seria triste para o Deputado que votasse contra. Ele dormiria com a consciência pesada, porque, pela sua decisão, oito mil cidadãos ficariam sem emprego. Ele não teria mais paz nesta Casa, e isso é duro!

Como homem público, como catarinense que acredita neste País e neste Estado, eu queria esse Banco público. Se o Besc está nessa situação não é por causa deste Governo, que tentou negociar com o Sistema Monetário Nacional, mas nós fomos alongando isso. Se tivéssemos federalizado no primeiro mês, quando apareceu a dificuldade financeira, teríamos salvado muitos milhões de reais. Quanto mais corre o tempo, mais dinheiro é sacado, o risco aumenta mais, teremos mais problemas e menos valor terá o Banco.

Essa é uma situação difícil. Temos dificuldade de aceitar isso, mas essa é a realidade, que dói muito, mas prefiro arriscar já nas duas opções que temos. O homem que comanda o Sistema Monetário Nacional não está blefando, senão não teria como se manter no poder. Quem está blefando hoje e quem vai blefar vai ser esta Casa, se não aprovar a federalização deste Banco.

Precisamos de 24 votos, mas temos dificuldade de levantá-los nesta Casa. Precisamos da Oposição, precisamos da coerência, precisamos da sensibilidade, precisamos da ajuda, sim, dos Deputados para salvar o emprego, para salvar essa instituição, para salvar o recurso dos nossos cidadãos catarinenses que acreditaram e compraram ações desse Banco. Nós precisamos disso.

Eu sinto ser essa a saída, Srs. Deputados. Temos que ter, acima de tudo, uma posição de catarinense responsável em favor da manutenção do emprego, temos que votar pela federalização. Mas não no final do mês, no final do mês é tarde. Isso aqui tinha que ser em regime de urgência, tinha que ser rápido, tinha que ser votado amanhã, para salvar ainda o que resta desse sistema.

O Sr. Deputado Pedro Uczai - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Pois não! Primeiramente concedo um aparte ao Deputado Pedro Uczai e em seguida ao Deputado Milton Sander.

O Sr. Deputado Pedro Uczai - Deputado Nelson Goetten, quando V.Exa. há meses questionou, criticou as privatizações, até fiz elogios. Quando V.Exa., em outro pronunciamento, falou em requerimento, eu disse que assinaria embaixo, mas agora digo o seguinte: ou V.Exa. está desinformado ou está havendo, efetivamente, uma mudança na sua posição política.

Votar em regime de urgência, pedir para a Oposição, para o Partido dos Trabalhadores mudar de posição e votar pela privatização do Besc?!

Por que o Banco do Estado de Santa Catarina, através do seu ordenador primário, que se chama Esperidião Amin, não publicou em janeiro deste ano a situação financeira?

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Já tinha quebrado naquela época!

O Sr. Deputado Pedro Uczai - Não tinha! Por que não publicou?

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Se publicar, liquida!

O Sr. Deputado Pedro Uczai - Não!

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Se publicar os números negativos, liquida!

O Sr. Deputado Pedro Uczai - Não!

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Companheiro Pedro Uczai, liquida!

O Sr. Deputado Pedro Uczai - Não! Pode ficar tranqüilo!

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Se for publicado um balanço negativo, liquida essa instituição, e estamos tentando salvá-la!

O Sr. Deputado Pedro Uczai - Salvá-la como? Liquidando, federalizando, privatizando?

O Sr. Deputado Milton Sander - Uma questão de ordem, Deputado Pedro Uczai!

O Sr. Deputado Pedro Uczai - Por favor, Deputado! Dê espaço! Tem 30 minutos!

O Sr. Deputado Milton Sander (Intervindo) - Vai ajudar no seu raciocínio, Deputado!

O Sr. Deputado Pedro Uczai - Não preciso de ajuda, Deputado Milton Sander! Tenho construído o meu raciocínio...

O Sr. Deputado Milton Sander (Intervindo) - Eu gostaria de ter esse privilégio! Eu gostaria de ter a sua inteligência e não precisar da ajuda de ninguém!

O Sr. Deputado Pedro Uczai - O argumento que o Deputado Nelson Goetten está construindo aqui, de responsabilizar esta Casa pelo futuro...

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Não estou colocando, está colocado! Não fui eu que coloquei!

O Sr. Deputado Pedro Uczai - Foi o seu Governador que colocou!

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Não! Foi o Sistema Monetário Nacional!

O Sr. Deputado Pedro Uczai - Foi o seu Governador que colocou!

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Não foi o nosso Governador! Foi Armínio Fraga!

O Sr. Deputado Pedro Uczai - Foi o seu Governador!

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Não! O Governador, não!

O Sr. Deputado Pedro Uczai - Por irresponsabilidade, por não decidir, por não enfrentar a questão do Besc de frente! O discurso bonito esconde o verdadeiro interesse!

Eu acho que V.Exas. têm que deixar de ser covardes e dizer que querem a privatização do Besc, e já deveriam ter feito isso em janeiro, fevereiro, março. V.Exas. não devem ficar enrolando a sociedade de Santa Catarina, fazendo discurso, dizendo que são a favor do Besc público, que Armínio Fraga é quem decide!

O Banco do Estado do Rio Grande do Sul estava numa situação financeira muito pior que a do Besc, mas o Governo do Rio Grande do Sul decidiu que os gaúchos não entregariam o seu patrimônio!

Fazer discurso demagógico, dizer que defendem a federalização para salvar o emprego dos funcionários?! As privatizações ocorridas neste País demonstram claramente que as demissões sempre ocorrem nesse processo. Não ocorre no processo de privatização em si, ocorre antes. O Governo Federal vai entregar quase de graça o Besc para o Bozano, Simonsen ou para outro capital financeiro nacional ou internacional. Vai investir R$1 bilhão!

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Eu já disse que essa discussão...

O Sr. Deputado Pedro Uczai - R$1 bilhão daria para gerar muitos empregos! Coloque R$1 bilhão do Governo Federal no Governo do Estado de Santa Catarina para ser usado na agricultura, na saúde...

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Eu já dizia isso!

O Sr. Deputado Pedro Uczai - Iria gerar muito mais que cinco mil empregos!

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Já falava que essa discussão...

O Sr. Deputado Pedro Uczai - Portanto, Deputado Nelson Goetten, acho que V.Exa. está mudando de personalidade, está mudando de posição...

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Não! De forma alguma!

O Sr. Deputado Pedro Uczai - Uma hora é contra as privatizações...

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - De forma alguma! Fui muito claro!

O Sr. Deputado Pedro Uczai - Agora, querer colocar na Oposição a responsabilidade da privatização do Besc?!

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente, o horário é meu!

O Sr. Deputado Pedro Uczai - Isso é irresponsabilidade! V.Exa. tem que ser mais claro! E o Governo Amin tem que assumir...

O SR. PRESIDENTE (Deputado Heitor Sché) (Faz soar a campainha) - A palavra está assegurada ao Deputado Nelson Goetten.

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Deputado Pedro Uczai, não mudei a minha posição, só disse que hoje o sistema nos impõe duas coisas. Oito meses de discussão sem solução! Hoje nós temos duas opções, e a minha é a menos dolorosa! Defendo ainda o emprego do cidadão!

Eu não mudei e não mudo a minha posição! Eu tenho responsabilidade! O Sistema Monetário Nacional determinou o prazo para a liquidação ou a federalização do Banco, não podemos culpar o nosso Governador, que já no início, antes de publicar o balanço do Banco, chamou todos os Deputados de Santa Catarina e disse: "Agora a luta tem que ser nossa. Vamos salvar esse patrimônio." Ele esgotou todos os argumentos.

Não quero entrar no mérito da discussão nacional, do que aconteceu com a questão da federalização, que também critico, quero apenas me centralizar nessas duas questões que estão hoje postas: ou ficamos com a federalização ou ficamos com a liquidação.

Somos obrigados a optar. A decisão vai depender desta Casa, sim! A responsabilidade está dentro desta Casa. Se é injusta, eu não quero discutir, mas hoje só ela pode decidir!

O Sr. Deputado Milton Sander - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Pois não!

O Sr. Deputado Milton Sander - Prezado Deputado Nelson Goetten, lamento a falta de ética do aparteante que me antecedeu, pois eu pretendia apenas auxiliá-lo num equívoco que havia cometido. O Deputado diz que sabe tudo, mas quero refrescar a sua memória: os balanços bancários são publicados em 30 de abril, de acordo com a legislação.

Portanto, a acusação de que o Governador Esperidião Amin e a atual diretoria do Besc não publicaram o balanço em janeiro não tem valor jurídico nenhum. Pelo contrário, mostra o desconhecimento jurídico que o Deputado tem.

O Deputado Pedro Uczai, que é professor universitário, Deputado pela segunda vez, e, parece-me, economista, deveria saber que balanço de banco se publica em 30 de abril e não em janeiro.

Gostaria ainda de dizer, Deputado Nelson Goetten, que faço votos de que a comitiva da Assembléia Legislativa que está se dirigindo a Brasília tenha sucesso, porque se permanecerem somente duas opções, a liquidação e a federalização, só um maluco, um sectário ou um que queira, com o seu pensamento, com a sua doutrina, exercer o quanto pior melhor, vai votar contra a federalização.

Assim como o Governador, prefiro que o Banco continue público, mas se o Banco Central, que é, como V.Exa. disse, a maior autoridade monetária do País, concede-nos só duas opções, evidentemente que não serei irracional de votar de forma diferente.

Se o prazo de 30 de agosto é reduzido ou comprido, é outro assunto. Podemos até imaginar que o prazo possa ser dilatado para uma discussão maior. No entanto, é bom que se advirta mais uma vez que essa agonia estampada na imprensa e nos comentários dos concorrentes vai levar o Besc à liquidação antes mesmo de votarmos, porque o mercado é sensível, isso é próprio da questão bancária.

Como cidadão e como Parlamentar, estou preocupado com a decisão a ser tomada. Deus queira que a nossa comitiva, capitaneada pelo Presidente desta Casa, o Deputado Gilmar Knaesel, traga uma alternativa melhor de Brasília. Caso contrário, a minha posição também será pelo mal menor, infinitamente menor, a federalização.

Enquanto atendia Prefeitos da minha região em meu gabinete, ouvia o pronunciamento de um Deputado do PMDB, que dizia que o agricultor da sua região precisava apresentar o Título de Eleitor para receber o calcário da Secretaria da Agricultura

Gostaria de dizer que falei há alguns minutos com o Secretário da Agricultura Odacir Zonta, que disse que Santa Catarina ainda não conseguiu adquirir o calcário porque a administração passada deixou quase três milhões de dívidas na firma fornecedora. O Governador Esperidião Amim está quitando essa dívida, para que a Secretaria possa adquirir o calcário.

Gostaria de dizer que o Governo Esperidião Amin não exige Título de Eleitor para programas desse porte.

Tenho a satisfação de defender o Governador quando está certo, mas tenho a hombridade e a responsabilidade de criticá-lo quando, eventualmente, está errado.

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Nobre Deputado, agradeço a V.Exa. as importantes colocações!

O PMDB, através do Deputado Rogério Mendonça, diz que nós exigimos Título de Eleitor para fazer os investimentos que estamos fazendo na agricultura. Ele não tem moral para falar isso! Quem não lembra do Programa do Milho? Os candidatos do PMDB é que entregavam o milho! Eles colocavam o povo na fila e entregavam com o milho um santinho do PMDB!

E precisava ter carteira assinada...

O Sr. Deputado Milton Sander - Sementes de milho que o atual Governo está pagando! Eles distribuíram a semente e não pagaram!

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Exatamente!

Tenho uma admiração especial pelos Deputados Moacir Sopelsa e Gelson Sorgato pelas suas posturas. Agora, não aceito que queiram deixar o PMDB passar por "bonzinho". Esse PMDB irresponsável prejudicou o Estado, envergonhou os catarinenses! Esse PMDB usou os recursos do povo do nosso Estado para se beneficiar e para beneficiar o seus companheiros, e o prejuízo não fica só em R$1,6 bilhão de dívidas, tem também o bilhão do Besc.

Com todo respeito que tenho pelo Companheiro Pedro Uczai, que fez aqui algumas colocações importantes, quero dizer que a sua prática, em alguns momentos, é muito parecida com a da Companheira Ideli Salvatti. A Deputada, por achar que sabe de tudo, sente-se no direito de desrespeitar todo mundo, sente-se no direito de enlamear o nome de todo mundo!

Falta ética à Deputada Ideli Salvatti! A Deputada Ideli Salvatti é marota, irresponsável nas suas colocações! A Deputada Ideli Salvatti ofende todo mundo aqui, acha que é a toda-poderosa, a dona da verdade!

A Deputada Ideli Salvatti está lá embaixo no meu conceito! E se não quiser me escutar, que saia do Plenário!

Esta Deputada, que se sente no direito de ofender todo mundo, quando usa o microfone e recebe os holofotes, fica cheia de estrela!

Esta Deputada, que se sente no direito de envergonhar todo mundo, fala o que bem entende, o que vem na cabeça!

Esta Deputada não pode ser assim; não pode falar assim; não pode abusar do Poder Legislativo no sentido de falar aquilo que bem entende; não pode ofender e agredir da forma como tem agredido o Governador do Estado, que está fazendo o maior esforço que um homem público pode fazer para viabilizar o Estado de Santa Catarina! O Governador merece, pelo menos, o respeito de todos nós! Eu tenho o dever de defendê-lo! Sempre vou defendê-lo!

A Oposição deve respeitar este Governo, que recebeu o Estado em situação vergonhosa, em situação calamitosa!

A Deputada se sente acima do bem e do mal. A Deputada, por muitas vezes, tem desrespeitado não só o Governo mas este Parlamentar também!

Eu estou aqui defendendo a minha terra, o meu pensamento, o meu Governo e, acima de tudo, o povo de Santa Catarina!

Ninguém é dono da verdade. Nem eu! Ninguém é dono da verdade. Nem ela! Estamos aqui cumprindo o nosso dever democrático; estamos aqui exercendo o direito de trabalhar em favor do povo. O homem público deve ser respeitado!

O SR. Deputado Joares Ponticelli - V.Exa. me concede uma aparte?

O SR. DEPUTADO NELSO GOETTEN - Pois Não!

O Sr. Deputado Joares Ponticelli - Pelo que ouvi, parece que o Deputado Pedro Uczai passou a integrar a Bancada Piratini que atua neste Parlamento, fazendo companhia para a Deputada Ideli Salvatti, que tem se manifestado muito mais preocupada com o Governo do Estado vizinho, o Rio Grande do Sul, do que com o nosso.

A Deputada Ideli Salvatti disse numa entrevista esta semana que ficava indignada ao saber que com relação ao Ipesc apenas o Estado de Santa Catarina estava sendo beneficiado, que outros Estados não deveriam admitir, pois tinham o mesmo direito; tinham que reivindicar, já que isso não era justo...

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Deputado Joares Ponticelli, trabalhar contra a federalização do Ipesc é trabalhar contra o emprego!

O Sr. Deputado Joares Ponticelli - Com certeza!

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Esta Deputada não pode falar em melhorar a situação do emprego nem pedir que se pague o salário atrasado do nosso servidor, se trabalha contra a federalização.

Ela diz que não é contra porque sabe que é legal a federalização. Então, vai buscar envolver outros Estados para tentar inviabilizar a federalização!

Esta Deputada engana! Esta Deputada mente! Esta Deputada faz teatro! É isso que ela faz aqui muitas vezes! Ela não está sendo honesta com o servidor público. Se estava sendo e se é, tem que defender o Estado de Santa Catarina, não pode ficar preocupada com os outros Estados do Brasil.

Nós somos catarinenses! Temos responsabilidades com Santa Catarina! Temos 150 mil servidores no Estado que precisam dos recursos da federalização para que se viabilize este Estado. E a Deputada querer oferecer uma cartilha para que todos os Estados se envolvam?! É fazer teatro, Deputada! É enganar, Deputada! V.Exa. tem feito muito isso, mas vamos nos encarregar de desmascará-la!

A Deputada não está ajudando o servidor público de Santa Catarina, está sendo contra! A Deputada já defendeu o Rio Grande do Sul e agora está defendendo os outros Estados!

(A Sra. Deputada Ideli Salvatti fala fora do microfone.)

Seja Deputada de Santa Catarina! Defenda o nosso Estado! Defenda o nosso trabalhador!

Devolvo a palavra ao Deputado Joares Ponticelli.

O Sr. Deputado Joares Ponticelli - Nobre Deputado, até entendemos as razões da preocupação nesses últimos dias. Afinal de contas, pelas informações que tenho, já tramitam na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul três pedidos de impeachment ao Governador, que a Deputada Ideli Salvatti, o Deputado Pedro Uczai e outros defendem.

Certamente isso os deixou ainda muito mais preocupados. Por isso, esse envolvimento tão grande no sentido de tentar impedir que esse dinheiro venha para Santa Catarina para honrar aquilo que se deve ao servidor público, para fazer com que se possa implementar a previdência do servidor público de Santa Catarina.

Fiquei surpreso quando ouvi isso da Deputada Ideli Salvatti, que é funcionária pública, que é professora. Ela tem manifestado claramente que não está aqui a serviço de Santa Catarina.

Este assunto precisa de uma discussão mais profunda, por isso estou levantando mais dados. Pretendo assomar à tribuna para discorrer um pouco mais sobre esse assunto.

Com relação aos ataques, concordamos com V.Exa. Em algumas passagens da Deputada Ideli Salvatti pela nossa região, fomos agredido. Já temos em nosso poder cópias de algumas fitas em que a Deputada desvirtuou ou tentou confundir, jogar o professor (também sou professor) contra posicionamentos nossos nesta Casa, criando uma confusão.

Parece-me que essa é a orientação, que esse é o trabalho que se quer fazer. Essa tem sido a ação de alguns Deputados desta Casa na questão do Ipesc.

Para mim, esse sindicato não tem legitimidade para falar em nome dos servidores, porque a Probesc, que é outra associação, que congrega mais de dois mil funcionários do Banco, tem uma posição diferente.

Alguns sindicalistas com quem conversei, meu caro Deputado Nelson Goetten, meu caro Presidente Heitor Sché, não concordam com isso. Querem impor alguns dirigentes sindicais.

Eu acho que está na hora de tirar a bandeirinha da CUT e a bandeirinha do PT dessa causa. Há muito tempo eu venho dizendo isso, porque aqui não é palanque eleitoreiro!

Estamos falando do Banco do Estado de Santa Catarina, Deputado Nelson Goetten! E não estamos falando de cinco mil servidores mas, sim, de mais de dez mil, porque tem estagiário, prestador de serviço, e se houver a liquidação do Banco eles vão ficar sem emprego.

Parece que tem muita gente aqui querendo colocar um cadáver, como procuraram fazer na questão do Ipesc! Fizeram plantão na porta de hospitais na questão do Ipesc para esperar um cadáver!

Tem muita gente aqui interessada na liquidação para dar discurso daqui a cem anos. Quando comemorarmos os 250 anos da morte de Anita Garibaldi, querem estar falando ainda, como ainda ouço falar, na intervenção do Besc de 87. Isso já foi apurado, isso já foi investigado, querem ressuscitar isso?! Alguns querem a liquidação para ter discurso demagógico, eleitoreiro, politiqueiro, é isso que eu estou percebendo, e nós temos que combater.

Os servidores do Banco estão querendo falar. Então, vamos ouvi-los, vamos saber o que eles pensam!

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)