115ª Sessão Ordinária - 25/10/1999
O SR. DEPUTADO LÍCIO SILVEIRA - Sr. Presidente e Srs. Deputados, assomo à tribuna para fazer algumas colocações a respeito de um cidadão que muito honrou o Estado de Santa Catarina.
Estou falando de Vilson Pedro Kleinübing, que nasceu em Monte Negro no dia 9 de setembro de 1944 e faleceu no dia 23 de outubro do ano passado, sendo velado neste Plenário.
Tive a oportunidade de acompanhar a vida profissional de Vilson Pedro Kleinübing por muito tempo. Quando entrei na Celesc em 1972, ele era chefe de gabinete do Dr. Luiz Gomes, que na ocasião era diretor executivo, e presidia a empresa o Dr. Osvaldo Moreira Douat.
Dentro do trabalho de chefia de gabinete, acumulava uma outra operação extremamente importante, que era a montagem do departamento de processamento de dados daquela empresa. E fez com tal competência que aquele centro de processamento de dados passou a ser um exemplo nacional, sendo visitado por empresas congêneres que vinham a este Estado trocar experiências a respeito do assunto.
Vilson Pedro Kleinübing veio de uma família com tradição política, o que não é o meu caso. Seu pai, o Sr. Valdemar Kleinübing, foi Prefeito de Videira, um grande Prefeito.
Vilson Kleinübing, na sua trajetória, além de exercer outras atividades dentro das Centrais Elétricas de Santa Catarina, como a de diretor de distribuição, executou um belo programa de eletrificação rural: ajustou o planejamento do sistema elétrico, ajustou o sistema de algumas cooperativas de energia elétrica que estavam em estado falimentar. E foi feliz nesse aspecto.
Vilson Pedro Kleinübing foi coordenador da campanha a Deputado Federal do atual Governador Esperidião Amin. Posteriormente, entrou como Deputado Federal quando Amin foi eleito Governador do Estado. De imediato, o Governador o convocou para ser Secretário da Agricultura. Muitas pessoas não acreditavam nele por ser engenheiro mecânico, mas ele mostrou que com convicção, com trabalho de equipe e com dedicação pode-se fazer um grande trabalho.
Naquela ocasião, foi eleito Deputado Federal dentro do Partido com o maior número de votos. Além dessa gestão na Secretaria da Agricultura, procurou, dentro das suas convicções, prestar um serviço ainda maior ao Estado, tentou concorrer ao Governo do Estado de Santa Catarina.
Na oportunidade, houve um mal entendido entre ele e o Governador do Estado. Ele foi para um outro Partido, o Partido da Frente Liberal, e concorreu às eleições. Como perdeu as eleições, assumiu logicamente o Governo da Oposição. Naquela ocasião, lembro-me muito bem, foram demitidos - inclusive eu - das Centrais Elétricas de Santa Catarina em torno de 165 funcionários.
Sabe o que ele fez, Deputado Jorginho Mello, em gesto de solidariedade àqueles que foram demitidos? Como estava licenciado, retornou à empresa e pediu demissão. Renunciou a todos os direitos que tinha dentro da empresa, inclusive à sua aposentadoria pela Fundação Celus, da qual hoje eu me beneficio. Renunciou em solidariedade àqueles amigos que ele tinha, porque não achava justa a atitude daquele Governo.
Mas quis o destino que ele fosse a Blumenau, a pedido de diversos segmentos, tanto sociais como empresariais, para se candidatar a Prefeito. E por que isso? Porque ele tinha obtido lá uma margem de votos bastante grande. Numa pesquisa, por incrível que pareça, apareceu o seu nome como um dos preferidos para Prefeito Municipal. E ganhou as eleições, prestando um serviço extremamente importante para aquela cidade.
Após isso, Vilson Pedro Kleinübing foi candidato a Governador do Estado e ganhou as eleições no primeiro turno. Começou a desenvolver um trabalho de equipe, um trabalho com lealdade, acima de tudo.
Às vezes, eu, como diretor-presidente da Casan, fui algumas vezes chamado a atenção por ele. E uma delas não esqueço, até porque fui cobrado sobre um empréstimo que tinha feito.
A Casan estava mal de caixa num determinado momento, e veio uma lei complementar do Governo Federal pela qual tínhamos de pagar o INSS. Então, fiz um empréstimo de um milhão de reais, Deputado Nelson Goetten, e não dei satisfação ao Governador, porque era responsabilidade do Presidente. E ele cobrou. Soube depois de dois meses da operação feita e já paga e me cobrou. E me cobrou violentamente, porque não admitia, em hipótese alguma, que o Governo do Estado buscasse recursos em bancos externos para administrar, porque ele tinha a crença de que o Estado tinha que ser administrado com os recursos públicos que arrecadava. E dentro daquela arrecadação ele pôde fazer o que foi feito dentro da sua gestão. Se ele foi um bom Governador? Para mim, foi. Para muitos catarinenses, também foi. Para alguns, não! Se como político não conseguia contentar a todos os companheiros, imaginem aos oposicionistas. A esses, muito menos!
Vilson Pedro Kleinübing veio de uma família muito pobre, mas lutadora. Estudou engenharia mecânica em Porto Alegre, e o seu primeiro emprego foi nas Centrais Elétricas, onde mostrou que era realmente uma pessoa capaz, competente, honesta, trabalhadeira, que prezava muito o trabalho de equipe, a lealdade. E a lealdade é uma coisa muito importante. A lealdade não só para comigo mesmo, mas a lealdade para com os companheiros, a lealdade para com a sociedade. E eu vi em Vilson Pedro Kleinübing um exemplo de lealdade.
Eu iniciei a minha carreira política com ele, embora ele num Partido e eu em outro. Ele sempre me incentivou, já que eu não tinha tradição política. Fui candidato a Deputado Federal. Quase cheguei lá. Mas como concorri com homens com potencial bem maior do que o meu, fiquei de primeiro suplente.
Até, Deputado Jorginho Melo, fui enganado por alguns companheiros na ocasião. Enganado no bom sentido, porque estava indo lá para assumir aquele mandato mas, por mudança da Constituição, não pude assumir.
Fui eleito Deputado Estadual quando Vilson Pedro Kleinübing era Governador do Estado. Eu não queria mais concorrer, porque tive uma desilusão muito grande naquela minha primeira eleição para Deputado Federal. Eu disse a mim mesmo que não entraria mais nesse aspecto político. Se já não tinha tradição, agora, muito menos vontade. Mas ele disse: "Lício, eu vou ser obrigado a sair no Governo..."
O SR. PRESIDENTE (Deputado Heitor Sché)(Faz soar a campainha) - V.Exa. dispõe de mais um minuto para concluir o seu pronunciamento.
O SR. DEPUTADO LÍCIO SILVEIRA - E na última semana eu me candidatei a Deputado Estadual, apesar de querer continuar executando o meu serviço dentro da Casan.
Tenho realmente saudade de Vilson Pedro Kleinübing. No sábado, pela manhã, visitei o seu túmulo e deixei uma mensagem desta Assembléia, pois, queiramos ou não, mais cedo ou mais tarde estaremos todos juntos.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)