118ª Sessão Ordinária - 17/12/2014
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, público que nos acompanha pela TVAL, pela Rádio Alesc Digital ou aqui presente na tarde desta quarta-feira, que é a última sessão desta legislatura.
Este, portanto, é o meu último pronunciamento nesta tribuna, que, como já disse, foi a minha principal motivação nesses dois mandatos que estive neste Poder.
Devolvi, hoje, todos os equipamentos, computadores, etc. O carro da Assembleia também estamos devolvendo, porque quero sair no final da tarde de hoje, no começo da noite, por aquela porta tão leve quanto entrei no dia 1° de fevereiro de 2007.
Entrei pobre e sairei pobre, entrei comunista e sairei comunista, e assim quero ir levando apenas as boas recordações dos avanços, mesmo que pequenos, que conseguimos alcançar a partir do exercício desses dois mandatos.
Quero agradecer todos os servidores e servidoras da Assembleia Legislativa, sem exceção, pela cordialidade, pela forma cortês, pelo profissionalismo, pela elevada educação com que têm tratado todos os deputados e deputadas, e a nós, especificamente, de forma muito tranquila e eficiente, ao longo desses oito anos.
Aos companheiros da Casa Militar, gostaria de dizer da satisfação de termos aprofundado mais a nossa amizade que já existia anteriormente.
Quero fazer um agradecimento especial aos companheiros que atuaram no nosso gabinete nesses dois mandatos, pelo apoio, pelo trabalho, pela lealdade, pela paciência com minha forma de ser - nem sempre a mais convencional, às vezes protelando coisas; outras, decidindo muito rápido. Quero agradecer e pedir desculpas, portanto, pelas minhas falhas, pelos meus erros, aos nossos assessores, extensivo a todos os servidores deste Poder Legislativo.
Quero fazer um agradecimento muito grande, na verdade um sentimento enorme de gratidão, aos praças da Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiro, responsáveis diretos e majoritários pelas candidaturas exitosas nos anos de 2006 e 2010. Candidaturas essas que vieram do movimento dos praças, da Aprasc, dessa vontade coletiva da nossa categoria. Só por isso que essas candidaturas aconteceram, jamais por uma vontade pessoal e por uma vontade de um pequeno grupo de caráter partidário. Portanto, devo, de forma especial, aos praças essas candidaturas e esses dois mandatos.
Queroagradecer também aos demais servidores da Segurança Pública e às classes trabalhadoras em geral, especialmente à juventude, aos estudantes e aos intelectuais, que sempre nos apoiaram e incentivaram ao longo desses dois mandatos. Nosso agradecimento especial a todos. Também não poderia deixar de citar os camaradas do Polo Comunista Luiz Carlos Prestes, da Juventude Comunista Avançando e do Movimento Avançando Sindical pela baliza fundamental de toda militância ao longo destas várias décadas, e especificamente nesses dois mandatos.
Os erros que cometi, assumo integralmente como erros deste militante; as virtudes e as capacidades que tivemos de defender a posição mais correta, de interesse das classes trabalhadoras, não têm como não registrar, de forma muito sincera, às minhas organizações políticas e a todos os camaradas que ajudaram a formar nossas convicções, nosso ponto de vista, ao Polo Comunista Luiz Carlos Prestes e a todos os seus militantes.
É preciso reconhecer que nós nesses dois mandatos tivemos mais frustrações do que alegrias. Nossos projetos mais importantes foram arquivados e estão em alguma gaveta deste Poder. E, portanto, se ninguém ressuscitá-los no ano que vem, ficarão na conta do esquecido. As emendas mais importantes foram rejeitadas. É preciso dizer que não tivemos mais êxito, por conta desta conjuntura, deste tempo histórico em que estivemos aqui. Tivemos êxito também, por nossa intervenção nesta tribuna e nos demais microfones, pois nos ajudaram a convencer os poderes e suas maiorias da justeza de suas posições, mesmo que raras as vezes que isso foi reconhecido de forma pública. A gente entende que, embora bastante minoritário, o nosso pronunciamento aqui também serviu para convencer as maiorias sobre alguns pontos de vista, o que fez com que ocorresse algum avanço para o conjunto das bases da sociedade catarinense.
Essas frustrações estão relacionadas com um largo período de refluxo, de desorganização e de baixa capacidade de mobilização das forças populares. Essa conjuntura de refluxo também faz com que nos últimos quatro anos eu tenha estado com falta de entusiasmo com esta instituição e com os Poderes do estado em geral. Não é culpa especificamente de ninguém, mas da conjuntura de refluxo do nível de consciência e organização das forças populares.
Há quatro anos cada vez mais venho percebendo a falta de ânimo para continuar tanto que não concorri ao cargo de deputado estadual na última eleição e concorri ao Senado para não parecer ou ser omisso e para tentar ajudar os outros companheiros, mas a vontade de concorrer a qualquer cargo eletivo não era grande. E isso se mantem a refletir nos próximos anos e nunca depende de uma vontade pessoal tão somente.
Entendo que a maior necessidade do Brasil de hoje e em Santa Catarina seja a reorganização do bloco de forças populares que possa enfrentar e vencer os desafios mais fundamentais das classes trabalhadores e do povo pobre, qual seja o desafio de derrotar o poder dos monopólios, do latifúndio e do sistema financeiro em sua vinculação carnal com o poder do imperialismo mundial. As instituições precisam ser reformuladas. Fala-se muito de reformas políticas, mas sou cético com relação a isso porque não acredito em qualquer reforma que não tenha um sentido profundo, que seja feita de cima, dos Poderes, da forma tal qual estão constituídos. Essas mudanças, essas transformações só aconteceram se for de fora para dentro, da sociedade para dentro dos Poderes, de baixo para cima e não ao contrário.
Então, saio para contribuir com a reorganização das forças populares dentro das minhas capacidades. Todas as vezes em que os trabalhadores vierem aqui para reivindicar melhor salário, melhor carreira e etc, provavelmente não estarei junto mas estarei apoiando. Quando os trabalhadores se direcionarem para os Poderes para reformulá-los por inteiro não tenham a menor dúvida de que estarei junto na fila que a minha capacidade física e intelectual assim permitir.
Muito obrigado a todos, à classe trabalhadora e ao povo catarinense!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)