Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Joares Ponticelli

76ª Sessão Ordinária - 05/09/2006

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, catarinenses que nos acompanham ao vivo na sessão, através da Rádio Digital e da TVAL, gostaria de dizer que nesses dias que ficamos sem sessões nesta Casa, por conta do calendário especial, muitas coisas aconteceram, deputado Vânio dos Santos e deputada Ana Paula Lima. São notícias que chegam a nos preocupar até pela distância ainda entre o primeiro turno das eleições deste ano; são notícias que com toda certeza indignaram grande parcela da população catarinense, mas que por parte do governo houve um esforço muito grande para que não tivessem a devida repercussão.

Num momento nacional como este o eleitor encontra-se indignado com tantas notícias de corrupção, de malversação do dinheiro público, e nós candidatos temos sentido dificuldade até de abordar o eleitor, tamanha a indignação do eleitor brasileiro e até do eleitor catarinense por conta de notícias, deputado Pedro Baldissera, de "mensaleiros", de sanguessugas e de outras tantas formas de corrupção que tomam conta da política nacional.

Aqui em Santa Catarina, deputado Afrânio Boppré, infelizmente as notícias não são diferentes daquelas divulgadas em âmbito nacional. É verdade que as notícias de "mensalão" deixam indignada a população brasileira. É verdade que as notícias das sanguessugas também atingem o nosso estado. Infelizmente, deputado Narcizo Parisotto, aqui em Santa Catarina temos um deputado figurando na lista das sanguessugas. Mas pior do que isso é que saiu nos jornais, e jornais vindos de Joinville, como trago aqui hoje o último exemplar, a última edição do jornal Gazeta de Joinville, edição de n. 97, de 5 a 9 de setembro, a seguinte manchete: "O ex-secretário Max Bornholdt é investigado pela Polícia Federal". Ao lado da foto do secretário, as fotografias daquela dinheirama toda apreendida nos dois apartamentos do homem de confiança do compadre do governador Luiz Henrique, pela Polícia Federal.

O que nos chama atenção, deputado Antônio Carlos Vieira, nesse dinheiro todo apreendido nos apartamentos do homem de confiança do secretário do governador, é a forma como o dinheiro estava exposto.

Deputado Nilson Gonçalves, são notas de R$ 5,00, R$ 10,00, R$ 20,00 e no máximo R$ 50,00. Dois milhões de reais no total, deputado Afrânio Boppré, distribuídos em notas de pequeno valor, R$ 2 milhões!

Por que será que o homem de confiança do secretário do governador Luiz Henrique da Silveira guardava em seus apartamentos de Jurerê Internacional e de Curitiba, algo em torno de R$ 2 milhões em notas pequenas? Para pagar cafezinho não era, deputado Vânio dos Santos. Não acredito que um cidadão comum, desinteressado em outros negócios, guarde em seus apartamentos R$ 2 milhões picadinhos para pagar cafezinho. A não ser que seja para pagar milhares de cafezinhos na boca da urna. A não ser que sejam cafezinhos na boca da urna. Aí pode começar a ter alguma explicação.

O que me deixa feliz é que se o objetivo era pagar cafezinho na boca da urna, deputado Lício Silveira, teremos algo em torno de R$ 2 milhões de cafezinhos a menos na boca da urna, graças à ação eficiente e competente da Polícia Federal, a quem quero render as minhas homenagens. Esse trabalho da Polícia Federal nos orgulha e nos faz resgatar a esperança, deputado Afrânio Boppré.

Pelo menos a Polícia Federal continua agindo com isenção, diferente do que temos visto em outras bandas. Diferente do que temos visto em setores da polícia de Santa Catarina, que trabalham descaradamente para um suplente de deputado que a dirigiu durante o período.

Diferente do que temos visto por parte de dirigentes da Companhia de Águas e Saneamento de Santa Catarina, fazendo reuniões, deputado Dionei Walter da Silva, anunciando a implantação de canos onde nem se sabe se a água vai passar. Mas, ao final de cada reunião lembra aos presentes que é preciso saber retribuir a candidatura da esposa do presidente da Casan no dia 1º de outubro.

É uma vergonha o que está acontecendo em Santa Catarina! Nunca! Nunca na história desse estado a máquina pública foi tão vergonhosamente utilizada, deputado Vânio dos Santos. E hoje, às 16h, queremos convidar desde já todos os deputados e a imprensa livre de Santa Catarina, vamos fazer uma coletiva da nossa bancada, comprovando o descaramento do uso da máquina pública de Santa Catarina, em favor não só da candidatura majoritária, mas também em favor de candidaturas proporcionais.

É preciso que o Ministério Público, que o Tribunal Regional Eleitoral, que o Judiciário, deputada Odete de Jesus, tomem providências urgentemente. Do contrário, eu não sei o que vai ocorrer nos próximos 25 dias.

Quando recebemos manchetes que colocam na primeira página ninguém menos do que o compadre do governador candidato, homem da sua confiança de vários e vários anos, pai do seu afilhado de batismo, que também é o vice-prefeito de Joinville, fotografado e dando explicações à Polícia Federal, é lamentável.

Em qualquer outro estado do país, certamente, deputado Antônio Carlos Vieira, isso seria escandalizador. Infelizmente, aqui as forças do governo agem muito rapidamente para tentar desqualificar e retirar a importância dessas notícias.

No entanto, os homens próximos do governador, inclusive candidatos na chapa majoritária, acabam por entregar o escancaramento, o descaramento do uso da máquina pública. Senão vejamos a Folha do Oeste, jornal de ampla circulação no oeste de Santa Catarina, edição do dia 2 de setembro, com a seguinte declaração do ex-governador, ex-senador e candidato a suplente de senador, Casildo Maldaner: "Em cada secretaria regional nós temos um líder que está monitorando a nossa campanha e temos a certeza de que alcançaremos o nosso objetivo". Palavras do candidato a suplente de senador, aquele que ganhou o prêmio de consolação de Suplente de senador, Casildo Maldaner, admitindo o abuso, a prepotência, a arrogância de um governo que agora começa a explicar porque criou trinta secretarias comitês eleitorais.

Enquanto isso, o servidor público de Santa Catarina padece e espera até hoje o cumprimento de tantas e milagrosas promessas feitas no tal do Plano 15. Certamente a resposta virá brevemente.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)