Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Dionei Walter da Silva

79ª Sessão Ordinária - 04/10/2006

O SR. DEPUTADO DIONEI WALTER DA SILVA - Sr. presidente e srs. deputados, na verdade quero continuar o raciocínio que estava desenvolvendo anteriormente no horário do meu partido.

Nós percorremos esse estado durante o mandato, com uma série de audiências públicas, numa lógica de levar a informação para a sociedade sobre o que ela tem direito, tanto na agricultura quanto em outras áreas que trabalhamos, ouvindo, discutindo, estimulando inclusive as pessoas a denunciarem as dificuldades, em especial referente ao crédito agrícola; presenciamos nesta eleição uma situação que nos deixa até perplexos, com o descaramento na doação de algumas coisas, deputado Antônio Carlos Vieira, com a promessa de voto, infelizmente. Digo infelizmente, porque as mesmas pessoas comuns que apontam o dedo falando em corrupção se corrompem. Muitas delas se corrompem e pegam alguma coisa em troca do voto ou aceitam favores em troca do voto e depois falam em corrupção.

Se aquele cidadão que está ali oferecendo o dinheiro para a igreja, ou que está enterrando canos com a promessa de uma futura vinda da água em troca do voto, está cometendo um crime eleitoral, deputado Antônio Carlos Vieira. Então, ele é um criminoso. Quem comete crime é um criminoso. Então, o que esperar desse cidadão eleito, se ele já comete um crime para se eleger? É lógico que esse não será um cidadão de bem no Parlamento ou onde quer que ele esteja. Se ele usa desse mecanismo para conseguir ser eleito, vai usar de outros que também não são legais depois na sua vida pública.

Nós presenciamos por esse estado afora muitas situações curiosas, deputado Sérgio Godinho, em que a Justiça deveria fazer uma investigação. Existem situações que as pessoas não denunciam, que não têm coragem às vezes para denunciar, ou por comodismo ou por ter-se beneficiado, mas que se um procurador ou outra autoridade fosse conversar com essas pessoas, elas falariam e contariam o que aconteceu em reuniões, em conversas, em visitas, que daria, com certeza, belos procedimentos investigativos, belos inquéritos, processos e, com certeza, até cassação de alguns dos eleitos. Só que infelizmente nós apenas ouvimos relatos de terceiros.

Muitos presenciamos alguns canos enterrados, caixas d'água encostadas em igrejas, em algumas comunidades com falta de água, e isso tudo as pessoas contam a que troco foi, mas na hora de assinar uma denúncia infelizmente não aparece ninguém. Acho que é importante isso servir de lição. Quer dizer, que Congresso, que Assembléia e que Senado nós queremos, se ao invés de analisar a prática durante a eleição muitas vezes as pessoas acabam trocando o seu voto por algo, por um favor, por um benefício? Então, se ela fez isso, o crime é de mão dupla. O eleitor está sendo criminoso e o candidato também. E se elegemos um criminoso não podemos esperar outra coisa dele que não seja continuar cometendo crimes, continuar fazendo as barbaridades que já vimos e vemos há muito tempo.

Acho que isso também serve para reflexão para aquele cidadão, aquela cidadã que deu seu voto em troca de algo, pois não têm moral nenhuma para cobrar ética, postura ou decência neste país, porque ela própria compactuou e ajudou a fortalecer esse instrumento que infelizmente faz parte da nossa vida pública.

Nós queremos também deixar registrado, deputado Antônio Carlos Vieira, o pronunciamento que ouvimos ontem do ex-ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes. Ele falou, em um desabafo, que se nesse segundo turno for tão forte a questão da ética como foi no debate do primeiro turno, muitas vezes desvirtuando-se ou até fugindo de temas centrais da administração pública, tentando esquecer todos os avanços que aconteceram nas diversas áreas, mas preso a uma questão ética, então nós também vamos fazer a discussão da ética nesse segundo turno, porque o nosso adversário, em nível nacional, que despreza e prega a ética, é o mesmo que no seu governo em São Paulo abafou mais de 60 Comissões Parlamentares de Inquérito. Então se ele é tão ético, se ele prega tanto a moralidade, a defesa das questões públicas, por que não deixou investigar o seu governo? Só o do adversário pode ser investigado?

Então, essas questões tenho que analisar, ver, discutir, pensar e fazer efetivamente o debate, e um debate com substância. Uma análise presa a um único aspecto nunca vai ser conclusiva. Eu uso sempre a seguinte comparação, deputado Duduco, v.exa. que trabalha com creche: quando temos uma criança muito suja e vamos lhe dar um banho, usamos uma banheira com água limpa, que vai ficar toda suja depois e vamos ter que jogá-la fora. Mas antes de jogar a água fora, vamos tirar a criança. Não vamos jogar a criança fora porque a água estava suja. Então, nessas questões, quando se analisa um governo, temos que observar os pontos positivos, negativos e compará-los com os fatos para avaliarmos, sim, o que efetivamente se fez de bem, os avanços que a sociedade teve.

Nos próximos dias vamos trazer, dia após dia, a esta tribuna, comparações inclusive no campo da ética, da moralidade e, em especial, no combate à corrupção, porque nunca se combateu tanto a corrupção como nesses últimos anos. A Polícia Federal nunca teve tamanha liberdade para trabalhar, e como falei antes, inclusive contra integrantes do partido do governo, o que nunca aconteceu antes, pois nunca foram investigados.

Então, vamos fazer esse debate e essa discussão, mas com a cara limpa, não apontando o dedo para o adversário, cobrando investigação, enquanto abafaram mais de 60 CPIs contra o seu governo no estado de São Paulo, ou como aqui em Santa Catarina, que os mesmos integrantes da aliança nacional já abafaram duas, e nós precisamos estar atentos para que não abafem mais uma, deputado Antônio Carlos Vieira.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)