18ª Sessão Ordinária - 04/04/2006
O SR. DEPUTADO GELSON MERÍSIO - Prezado presidente Herneus de Nadal, prezados líderes partidários que concordaram com a inversão da ordem de inscrição e prezados deputados Pedro Baldissera e Valmir Comin, eu quero aproveitar a presença maciça, marcante, de representantes da Udesc - e vamos tratar de dois temas importantes para a universidade e aos quais serei favorável, inclusive já disse à professora Antônia, aos alunos e professores que nos visitam - para tratar de um tema muito importante para nós, da região oeste, mas que muitas vezes não é devidamente entendido especialmente pelo poder central localizado aqui em Florianópolis e também pelo governo federal, dada a amplitude e a distância das decisões.
Ao longo dos últimos 20 anos, os jovens, a nossa matéria-prima de desenvolvimento, que tiveram a sua formação no ensino médio, no 1º grau, foram os melhores alunos do oeste de Santa Catarina. Por serem os melhores, também eram aqueles que conseguiam passar em escolas públicas e ingressar na Universidade Federal de Santa Catarina e na Udesc.
A grande maioria - e isso é estatístico -, algo em torno de 73% dos formados oriundos do oeste, de escolas públicas, passou a exercer as suas profissões, depois de formados, na região onde buscaram a sua formação. Isso causa uma anomalia regional bastante séria. Ao longo, como eu disse, dos últimos 20 anos, perdemos pessoas, jovens, alunos que poderiam contribuir com a nossa região com o seu aprendizado, com o seu conhecimento adquirido nessas escolas públicas. Isso foi um dos motivos principais do empobrecimento da região oeste e de a nossa região ter decrescido populacionalmente, porque impede que ela cresça econômica e culturalmente.
Por isso, além de falar da importância que possuem as escolas fundacionais que atuam na região, com destaque para a Unoesc e para a Unochapecó pelo trabalho que fazem para o desenvolvimento regional, pelo que contribuem para que a nossa juventude possa, mesmo com escola fundacional, ter o seu desenvolvimento próximo das suas raízes, das suas casas, aproveito este dia para falar também sobre a importância de termos lá no oeste, assim como tivemos um processo descentralizado com a Udesc, através da Universidade Federal de Santa Catarina, um braço localizado na nossa região.
Portanto, que uma nova universidade federal, aos moldes das que estão sendo criadas no Brasil, hoje, seja uma extensão da nossa Universidade Federal de Santa Catarina, como a Udesc promoveu no último ano e que já traz uma perspectiva de inversão de fluxo, pois os nossos jovens, as nossas mentes mais preparadas, aqueles que tiveram mais ênfase no ensino médio e no ensino de 1º grau, cursam lá a sua universidade e desenvolvem a sua atividade. Assim, o fluxo será invertido porque, por ser uma universidade pública - e por isso com um grande atrativo macrorregional -, trará pessoas de outros estados e de outras regiões que poderão contribuir para o desenvolvimento sustentado da região oeste, do sudoeste do Paraná, do Alto Uruguai gaúcho, que formam a nossa mesorregião importante economicamente para as nossas famílias e filhos.
Por isso trago, no dia de hoje, o apoio total e irrestrito, primeiro, à derrubada do veto do governador ao projeto que regulamenta o art. 171...
(Palmas das galerias)
...porque, no seu bojo, ele traz a impossibilidade de repasses de recursos para a Udesc no oeste, assim como o projeto - e eu não sabia disso, fiquei sabendo hoje - que veio para esta Casa também traz inserido nele a impossibilidade do repasse de recursos da Udesc para a ampliação dos cursos do oeste.
Vejam que esta é uma questão mais importante do que a própria questão funcional da universidade. É uma questão central do ponto de vista do desenvolvimento de nossa região e da expectativa de futuro para as nossas atividades, enquanto equilíbrio regional, enquanto equilíbrio daquilo que muito se fala. Inclusive, fala-se com ênfase que Santa Catarina é um estado diferenciado porque ele tem, em cada região, um modelo específico de desenvolvimento.
Se nós não tivermos também as mesmas condições de acesso ao ensino que possuem as regiões norte e sul e a Grande Florianópolis, com certeza a região oeste começará a intensificar ainda mais o processo de degeneração da sua economia, sem expectativa para que os nossos jovens possam lá estudar, formar-se e desenvolver as suas atividades.
Por isso, com todo respeito ao sr. governador que opôs o veto - e deve ter seus motivos para isso -, o voto deste deputado será pela derrubada do veto não pela questão funcional apenas da Udesc, mas pelo que representa a descentralização da sua atividade e a manutenção dos alunos exercendo a sua profissão próximos das escolas que cursaram.
Era isto o que eu tinha a dizer!
Muito obrigado!
(Palmas das galerias)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)