95ª Sessão Ordinária - 08/12/2004
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. Presidente e Srs. Deputados, eu acho que em oito minutos eu consigo externar o meu sentimento em relação a algumas coisas que estão acontecendo com a nossa Joinville.
Eu tenho Joinville como a minha cidade, mesmo não tendo nascido lá, pois foi lá que criei meus filhos, foi lá que nasceram os meus netos, foi lá que eu fiz a minha vida.Assim, cada vez que vejo o nome da minha cidade sendo jogado na mídia nacional, como o que ocorreu no episódio envolvendo o Balé Bolshoi, é claro que uma ponta de tristeza aparece no coração de cada um de nós, joinvilenses.
Sr. Presidente, trata-se de uma tristeza profunda, eu diria que se trata até de amargura, porque todos nós, joinvilenses, tivemos sempre muito orgulho das iniciativas que projetaram a nossa cidade em nível nacional e internacional. E o Balé Bolshoi, para nós, joinvilenses, era alguma coisa de muito especial, uma vez que projetou Joinville nos quatro cantos deste País e também internacionalmente.
Assim, vimos com profunda tristeza, essas denúncias todas, no maior programa de televisão do País. Depois aqui, nesta Casa de Leis, de todas as formas houve a tentativa de fazer política em cima de um episódio lamentável.
Eu não quero entrar em detalhes, não quero citar nomes, pois a mim não diz respeito se "a" ou "b" estão certos, se alguém tem que ir para a cadeia ou não! O que me compete é demonstrar, desta tribuna, o sentimento de milhares de joinvilenses que, neste momento, sentem a tristeza de ver um de seus alicerces turísticos ser enxovalhado!
Sr. Presidente, se a sensatez tivesse prevalecido, com certeza absoluta, até mesmo esta Casa poderia, através da Comissão competente, ter chamado às falas as pessoas responsáveis que, eventualmente, teriam (não estou dizendo que fizeram) que responder pelos seus atos e esclarecer esse episódio.
Infelizmente, a coisa tomou outro rumo e nós vimos o nome de nossa cidade, o nome de uma instituição jogado praticamente na lama.
Na hora em que nós tivermos o resultado de tudo isso, na hora em que nós tivermos o veredicto final, não tenho dúvidas, Srs. Deputados, de que não será nem 10% de tudo aquilo que se está fazendo, que se está falando. Mas aí vai ser como se jogasse um saco de penas pela janela. Não vamos mais conseguir recuperar a imagem deste tão respeitado Balé Bolshoi e teremos também arranhado a imagem da nossa cidade.
Lamento e falo isso amargurado porque amo a minha cidade e tenho pela minha Joinville o mais profundo sentimento de amor. E quando vemos algo que realmente gostamos sendo atingido, isso nos machuca. Os Srs. Deputados sabem muito bem disso.
Gostaria de aproveitar ainda os minutos que me restam para ler uma nota que vi na coluna do Moacir Pereira, nestes termos: "Supervisor dos programas rodoviários do BID, em Brasília, Pablo Penha, garantiu ao Deputado Leodegar Tiscoski o seguinte: enquanto não forem concluídos os trechos Norte da BR-101, em Fernão Dias, de Minas Gerais, e Regis Bittencourt, do Paraná, não haverá financiamento do Banco Mundial para a duplicação da BR-101. O BID quer garantir serviços de manutenção nessas rodovias."
É aquilo que já venho falando. Estou cada vez mais careca de tanto falar nesta tribuna. Nós não vamos ter concluída a duplicação da BR-101 enquanto não forem feitas as melhorias e a manutenção da BR duplicada no trecho Norte, quais sejam, os pontos de pedágios. Enquanto não forem "pedagiadas" as rodovias Norte da BR-101, na Régis Bittencourt, não haverá dinheiro para a BR-101. Não adianta o Presidente ou quem quer que seja vir em Santa Catarina e falar grosso e bonito para a população, porque não há dinheiro!
Há, sim, 500 milhões liberados pelo Governo brasileiro, para começar, para implantar os canteiros de obras, para roçar o mato, ajeitar, botar as máquinas. Mas os 2 bilhões que são necessários para concluir essa obra, só sairão do BID se houver pedágio na BR-101, no trecho Norte, na Régis Bittencourt e no outro trecho de Minas Gerais. Esta é a grande verdade.
E que isso fique bem claro para o povo de Santa Catarina. Não se iludam com essa conversa de que em 2007 estará concluída a BR-101 até Osório. Só se tivermos "pedagiamento" aqui e o término dessas outras obras, senão não teremos.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)