Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nelson Goetten

65ª Sessão Ordinária - 13/09/2005

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. presidente, srs. deputados, companheiros deputados, companheiras deputadas, venho à tribuna nesta tarde para dizer que sou solidário com aqueles que compartem com os comentários que o deputado Francisco de Assis e a deputada Odete de Jesus, que bem representa as mulheres neste Parlamento, fizeram sobre a preocupação com as matérias que acabavam, muitas vezes, deixando alguns valorosos companheiros de trabalho de gabinete numa situação delicada. Concordo também, plenamente, que as matérias passadas pelos jornais têm conseqüências para as pessoas, algumas até irreparáveis. Por isso me solidarizo.

Deputado Paulo Eccel, v.exa. é um bom deputado - sempre tenho dito que o PT tem excelentes deputados nesta Casa -, mas é interessante vermos deputados do PT fazendo sua defesa aqui, como dizia o deputado Francisco de Assis, que não era irresponsável - agora, no momento em que aconteceu a tão sonhada, a tão esperada prisão de Paulo Maluf - para dizer que todo o PP é do tipo de Paulo Maluf.

É bom o tempo. O tempo faz bem para nós, até para o aprendizado, deputado Pedro Baldissera, v.exa. que preside esta sessão. O tempo nos ensina. É bom, aprendemos! E parece-me que o PT começou a ficar mais justo agora, pois eu cansei de ver o PT desta mesma tribuna, dias seguidos, penalizando-nos, dias seguidos, com a pecha de malufismo. Portanto, era a pecha daqueles que faziam mal para o Brasil. Agora o PT tem que viver essa situação! E eu também concordo com uma coisa: não podemos responsabilizar todo o PT.

Também é verdade que o PT é injusto em algumas coisas que coloca aqui, pois querer imputar a outros a responsabilidade pela vergonha que estamos vivendo no país hoje é ser injusto! A verdade é que se for culpar alguém temos que culpar primeiro o próprio PT, que produziu um presidente da República covarde; irresponsável; mentiroso, que enganou a nação brasileira prometendo o que não podia cumprir. Um estelionatário! Porque se manifestava, principalmente nas questões dos juros altos, contrário à carga tributária e dos juros altos.

O PT esqueceu que em nenhuma época dos 500 anos de história do Brasil banqueiros e especuladores ganharam tanto quanto estão ganhando no governo do PT. E isso é uma covardia contra quem produz, contra a classe trabalhadora, da qual o PT se diz titular - "Nós somos dos trabalhadores".

Também mente o PT, quando o meu querido deputado Paulo Serafim - de quem gosto muito e que poucas vezes se manifesta, mas é um bom e simpático deputado - diz que é um absurdo quando a imprensa critica os filhos do Lula, pois são pobres e precisaram ganhar passagens, pagas pelo erário público, para irem à posse do seu querido papai, indo juntos os Waldomiros da vida, os Delúbios e assim por diante. Todos eles foram juntos, arrebanhados pelos ex-pobres, porque os filhos do Lula eram pobres, mas agora são milionários. Ou é mentira da imprensa que disse que a Telemar comprou de um iluminado filho do presidente da República, que teve uma idéia luminosa e criou uma empresa em um mês e nesse mês vendeu-a à Telemar por R$ 5 milhões? Portanto, eram pobres! Viraram milionários!

Está mais ou menos como aquela história, deputada Ana Paula Lima - v.exa. também representa muito bem a mulher neste Parlamento -, por sinal fiquei estarrecido quando assisti aos questionamentos feitos na CPI, deputado Antônio Aguiar - v.exa. representa bem aquele povo maravilhoso do planalto norte, onde tive o privilégio de estar com a sua gente nesse domingo -, quando o irmão do prefeito de Ribeirão Preto estava sendo questionado, fala-se muito sobre o episódio do envolvimento do PT nas questões da corrupção do transporte urbano e do lixo, e diziam "O PT que saiu do lixo para o luxo...". Desculpe a expressão, mas para muitos petistas cabe bem; não para muitos dos catarinenses.

Eu recebi, querida deputada Ana Paula Lima, esta semana, uma carta (vou encaminhá-la depois à CPI e também ao Ministério Público), com o título: "O medo sufocou a esperança".

Nela são questionadas algumas coisas gravíssimas em relação à Caixa Econômica, deputado Vânio dos Santos. V.Exa. depois vai ter a oportunidade de dar explicações, porque o conteúdo da carta é grave. Nela são colocadas coisas gravíssimas que acontecem na Caixa Econômica: a pressão que sofrem os servidores; questiona a influência do deputado e ex-diretor Vânio dos Santos e também coloca negócios nebulosos; questiona sobre o deputado Vânio dos Santos e a senadora Ideli Salvatti, que são estranhos como servidores da Caixa Econômica, mas estão seguidamente com assento em reuniões que decidem assuntos internos, administrativos, da Caixa.

(Passa a ler)

"Algumas questões poderiam ser respondidas, como por exemplo:

Como o deputado explica sua participação na reunião com a Gtech?"

Eu nem sabia! Talvez a imprensa esteja exagerando, porque o deputado nem participou da reunião da Gtech.

(Continua lendo)

"Como explicar os depósitos efetuados em sua conta corrente da Agência Miramar entre agosto e novembro de 2002, com valores entre 5.000,00 e 30.000,00 reais?

Você, deputado, concordaria em abrir seu sigilo bancário?

E a senhora senadora? Teria como justificar a aquisição de uma casa em Jurerê Internacional? Ou do novo transporte de sua filha, que de ônibus, passou a ir de BMW para a faculdade?"

(Cópia fiel)

É um negócio impressionante isso! Acho que a imprensa até pode ter exagerado um pouco.

(Continua lendo)

"O todo poderoso deputado Vânio teria como explicar para seus eleitores (...), por que sua esposa (...) tem sido vista a bordo de carro oficial em ida à faculdade?"

(Cópia fiel)

E aí vai... Faz muitos questionamentos, deputado Vânio dos Santos. Esta carta é muito rica em detalhes. Eu vou encaminhá-la à CPI, porque a senadora Ideli Salvatti, aquela aguerrida defensora dos pobres nesta Casa, quem sabe, agora que é dada ao luxo, pode dar explicação para isso.

O Sr. Deputado Vânio dos Santos - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Encerrando, gostaria de dizer que o presidente Lula dá muito azar. Há pouco tempo o presidente abraçava um tal de Jefferson e dizia que assinava um cheque em branco; só faltou dizer que dormia junto porque confiava nele.

"Assino um cheque em branco ao meu amigo Jefferson". Virou uma lambança o Jefferson; quase destruiu a metade do Brasil; o PT, ele destruiu a metade. Agora ele abraça e condecora o tio Severino. E o Severino envergonha a outra metade do PT. E dizem ainda as matérias dos jornais, que não sei se são verdadeiras...

(Falas paralelas fora do microfone.)

Nós elegemos? A incompetência do PT, pelo que sei, elegeu esse cidadão! É o que eu sei! Também pode ser que não seja verdade! Dizem agora que o Severino se junta ao PT para tentar se salvar.

Por coisas assim que viemos aqui exercer o nosso direito de fazer oposição.

Eu fico triste, deputado Vânio dos Santos, de vê-lo ao microfone e não poder conceder um aparte porque o meu tempo se esgota, assim como ao deputado Antônio Aguiar.

Vim à tribuna só pelo fato de ver o PT se esforçar para explicar. É bom mudar! É bom explicar! É verdade! Principalmente aqueles que se sentiam os donos da verdade, os paladinos da moralidade; aqueles que se sentiam no direito de ofender todos nesta Casa, mas agora, pelo menos, no mínimo, igualam-se aos outros, viraram seres humanos comuns, com qualidades e defeitos também.

É bom conhecermos esse PT que não conhecíamos, e que está fazendo muito mal para o Brasil. Enganou e está enganando, e muito, a população brasileira, e aprendeu...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)