95ª Sessão Ordinária - 27/11/2003
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - (Passa a ler)
"Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, na verdade, neste momento, acredito que deveríamos nos silenciar, porque na máxima popular quem dá importância ao que não tem perde a importância.
Mas, Sr. Presidente, minha indignação não poderia se submeter a fica silente diante do episódio bizarro a que ficou submetida a Nação brasileira na última Segunda-feira.
Refiro-me ao programa eleitora gratuito do PFL, que deixou a todos, de certa forma, estarrecidos, justo num momento em que reunimos os mais lídimos sentimentos de esperança para a solução dos graves e profundos problemas do nosso povo.
Bizarro, porque o referido programa, na verdade, é um retrato do que há de mais fiel do besteirol folclórico da política nacional.
Sr. Presidente, temos até que entender o besteirol do programa do PFL, porque quem esteve alternando-se durante 502 anos no poder, como se tivesse assimilado o metabolismo dos camaleões, agora experimenta a Oposição.
E por isso mesmo, Srs. Deputados, tenho que entender que aqueles que estão há apenas um ano na Oposição não sabem ainda fazê-la. Merece apenas o nosso desprezo a comédia exibida, assim como a forma de zombar com as instituições, com o povo brasileiro, com os mais de 50 milhões que votaram no maior líder que o Brasil já teve.
Não zombaram do PT! Não zombaram do Presidente Lula! Não zombaram do maior líder já nascido neste continente! Zombaram, sim, do povo brasileiro!
Mascararam os números. Não só do legado que deixaram dos milhões de desempregados e famintos, das profundas seqüelas sociais que partilharam com a gula do poder, na centralização da riqueza deste País, em detrimento de milhões.
Esqueceram-se de como deixaram o nosso País, sem credibilidade; com o risco Brasil no maior pico registrado em sua história; com o dólar em alta; com a maior concentração de renda de todos os tempos; com a estrutura fundiária arcaica e falida; com os problemas decorrentes de um País à beira da falência e com um exército de milhões de desempregados e de milhões de desiguais.
E vêem com esse escárnio, Sr. Presidente, pelos meios de comunicação, querendo atribuir ao maior líder e ao maior projeto de esperança que se instalou no País esta herança que fomentaram, esquecendo que nós estamos promovendo, de forma efetiva e consistente, as mudanças que o povo brasileiro necessita.
Srs. Deputados, coisa que não dá para comparar, pois se eu dissesse que na segunda-feira o PFL submeteu o Brasil a uma verdadeira palhaçada, eu estaria, neste momento, decompondo com a imagem dos circenses.
Não dá para comparar com nenhum programa, dos piores já assistidos na televisão brasileira, ou até mesmo com os enlatados americanos, que se igualem a esse puro besteirol do folclore brasileiro. E ainda mais com valores agregados do ódio, do rancor e da ira, própria dos totalitários.
Srs. Deputados, o comandante deste espetáculo só não coroou de êxito sua maldade porque deixou de aparecer com aquele bigode pequenino, famoso, não do Charles Chaplin, mas do ícone da desgraça que ficou conhecido pela humanidade em meados do século passado!
Srs. Deputados, é triste ver como as pessoas tentam desvalorizar os outros. Tentam querer atribuir aos outros aquilo que eles próprios produziram.
Tiveram a desfaçatez de falar em liberdade, de falar em pluralismo, de quererem atribuir a si conceitos que nunca honraram! Na verdade, esta geração do PFL criou-se no período mais negro da história de nossa Pátria. Eles se formaram nos porões da ditadura e do arbítrio. Criaram-se nas mãos de ditadores como Castelo Branco, Costa e Silva, Garrastazu Médici, Geisel e do General João Figueiredo.
Estes são os seus padrinhos. Criaram-se nas mãos ensangüentadas do Dops, da polícia política que vitimou brasileiros brilhantes como Carlos Mariguela, Santo Dias, Chico Mendes, e como aqui, Sr. Presidente, o homenageado Deputado Paulo Wright, desaparecido até hoje pelas mãos assassinas da ditadura militar.
E agora, descaradamente, querem falar em liberdade. Liberdade, Deputado Rogério Mendonça, conquistada pelos bravos brasileiros que se indignaram como nós, do PT, do PMDB, do regime de arbítrio, exceção que eles construíram.
Srs. Deputados, senhoras e senhores, crianças que estão aqui no nosso Plenário nos visitando, quem não se lembra da Novembrada? Quem estava aqui abraçando o ditador Figueiredo? E vêm agora falar de liberdade! Vêm falar de números da economia brasileira, quando Luiz Inácio Lula da Silva apenas chegou trazendo a esperança de mudar esse retrato cruel desenhado por esses infelizes que submeteram o povo brasileiro!
Eu deveria dizer, Sr. Presidente, que neste momento, antes de promover este besteirol, que deveriam ir ao confessionário de suas consciências, deveriam se resignar, deveriam se ajoelhar diante de tanta desgraça que promoveram à Nação brasileira!
Deveriam se utilizar dos valores mais nobres da civilização cristã brasileira, ao invés de aparecerem soberbamente na televisão, na baixaria e zombaria, querendo maquiar, mascarar aquilo que são, que sempre foram e que, lamentavelmente, continuam a ser movidos pela impáfia e pela arrogância.
Por outro lado, devo dizer a vocês que não conseguirão arrancar as flores da esperança do povo brasileiro, não poderão impedir a chegada da primavera.
Agora, Sr. Presidente, com essa primavera esperançosa arrebatando os corações e a alma do povo brasileiro, vocês não vão mais conseguir entrar nos jardins da esperança que move um sentimento de milhões de brasileiros que clamam por comida, por emprego, por saúde, por educação, por um País que possa ser legitimamente de seu povo. E isso o Presidente Lula está conduzindo com determinação."
O Sr. Deputado Dionei Walter da Silva - V.Exa. me concede um aparte?
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Pois não!
O Sr. Deputado Dionei Walter da Silva - Deputada, eu lhe confesso que eu não assisti ao programa, porque entendo que quem esteve sempre no Poder no Brasil e deixou a herança que deixou não merece sequer ser assistido. Eu não perco o meu tempo com isso, até porque ouvi uma série de soluções que eles têm para tudo. Solução para a reforma da Previdência, que não fizeram, solução para a reforma tributária, que não fizeram, solução para o desemprego, que aumentou, que criaram, críticas ao aumento da carga tributária, que nos últimos oito anos aumentou de 20% para 40% do PIB.
Então, é um direito, aliás, que eles têm de fazer oposição, mas não merecem a credibilidade quando fazem as críticas ao nosso Governo, porque têm o dever não cumprido para explicar. Isso eles deveriam, nos seus programas, estar fazendo. Por que nós não fizemos a reforma tributária? Porque aquela falácia de que o PT não deixou, é nos dar um poder muito grande. Porque, com 51 Deputados, nós conseguirmos impedir que os outros Deputados não aprovassem as reformas, é piada. É querer jogar para nós um poder muito grande, é reconhecer que 50 Deputados conseguem impedir algo que os outros quatrocentos e pouco queriam fazer, segundo eles.
Não assisti ao programa e não assistirei, e tenho também o entendimento de que a população brasileira está amadurecida e tem consciência, pelas avaliações que os institutos de pesquisa fazem, do estado que encontramos o País e do tempo que é preciso para se fazer a reconstrução. Este é o termo, reconstrução.
Não vamos ter a continuidade, e V.Exa. é testemunha disso, Deputada. Os próprios órgãos federais, por exemplo, o INSS, continuam com pessoas ainda ligadas aos grupos que perderam a eleição, atendendo mal as pessoas, com filas, com médicos que trabalham nas perícias, com pessoas visivelmente incapacitadas para exercer o ofício.
Nesta semana estamos inclusive fazendo uma reunião, na minha cidade, para, com nomes, denunciar esses verdadeiros marginais que ainda temos no serviço público brasileiro.
Precisamos fazer uma limpa, porque o nosso Governo não vai permitir que a população seja mal tratada.
Temos problemas em algumas agências do Banco do Brasil, que estão boicotando crédito agrícola para pequenos agricultores, como sempre fizeram.
Eu presenciei reuniões de gerentes do Banco do Brasil para distribuir crédito agrícola, Deputada, apenas para os convidados. Os verdadeiros necessitados agricultores não tinham esse direito. E hoje o Governo quer que tenha. Em alguns lugares ainda continua esse boicote.
Neste sentido, Deputada, acho que eles não têm o que contribuir, o que sugerir e sim deveriam aproveitar esse tempo para fazer um mea culpa, ou seja, porque não fizemos, porque prometemos e não cumprimos, porque as reformas tributária e previdenciária não saíram. E tantas coisas que eles poderiam ter feito e não fizeram.
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Nobre Deputado, V.Exa. não perdeu nada desse besteirol.
O Sr. Deputado Rogério Mendonça - V.Exa. nos concede um aparte?
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Pois não!
O Sr. Deputado Rogério Mendonça - Nobre Deputada, desejo cumprimentá-la pelo pronunciamento que faz. V.Exa. tem, realmente, utilizado com freqüência maior este espaço e muito bem.
Eu também não assisti ao programa do PFL, mas os comentários são todos na direção do pronunciamento de V.Exa.
No decorrer do seu pronunciamento, acompanhamos o rosto de alguns componentes do PFL. Mas a verdade dói e V.Exa. tocou na questão, como fez em relação ao Governo do Estado. As críticas que fizeram sobre o cabide de empregos. Eles aprovaram por unanimidade e agora simplesmente criticam. Eles sabem que esses cargos foram retirados da Capital e levados para o interior. Eles estão com dor de cotovelo exatamente porque é um Governo que está dando certo com ações em todo o Estado, sem discriminar.
Em toda Santa Catarina tenho ouvido depoimento, como ouvi nesta semana, do Prefeito do PFL, de Ibirama, elogiando o Governo e dizendo que nunca recebeu tanto como agora.
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Deputado Rogério Mendonça, nunca fui mulher de ficar calada diante de tamanha injustiça. Esta vai ser a minha posição nesta Casa e sempre foi o meu posicionamento enquanto mulher, desde a minha adolescência.
O povo brasileiro queria, na segunda-feira, era um esclarecimento dos dois caciques do PFL. E esta Deputada pede para os seus Pares...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)