64ª Sessão Ordinária - 07/07/2010
O SR. DEPUTADO DARCI DE MATOS - Sr. presidente, srs. deputados, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital, uma saudação, a exemplo do que fez o deputado Kennedy Nunes, aos servidores públicos, dedicados, honrados.
Após, deputado Pedro Uczai, muitas semanas, meses, de luta, de interação com os deputados, ontem fizemos justiça, finalmente, derrubando o veto e criando condições legais para que os servidores possam ter as suas gratificações.
Deputado Kennedy Nunes, v.exa. também esteve em Brasília comigo. Estivemos lá, naquela memorável manifestação dos servidores, para tentar sensibilizar o governo federal.
Deputado Pedro Uczai, com todo respeito que tenho ao governo federal, que se tem comportado bem, o governo Lula tem feito um bom governo, e disse isso ontem numa reunião, em vários aspectos. Em termos de formação profissional, escolas técnicas federais, universidades, Joinville foi contemplada com universidade. Mas no que diz respeito, deputado Kennedy Nunes, ao caso da Busscar Ônibus S/A, em Joinville, deputado Pedro Uczai, se o senhor fosse o prefeito de Joinville, v.exa. teria tido um comportamento diferente.
Neste momento está sendo realizada uma assembleia, deputado, na Busscar. Uma assembleia que poderá tirar uma deliberação pelo pedido de falência dessa montadora de ônibus do Brasil, que já foi a primeira. Agora a primeira é Marcopolo. E parece que existe outra na região do Paraná. Mas a Busscar não está produzindo mais nada e poderá fechar as suas portas.
Ela já chegou a produzir cinco mil ônibus por ano, já chegou a faturar quase R$ 2 bilhões por ano. Diretamente já teve cinco mil funcionários e indiretamente 450 e mais 500 empresas que prestavam serviços.
O Brasil vai perder uma montadora de ônibus, Empresa de Ônibus Busscar, que tem excelência, que tem contratos, ônibus vendidos, que tem tecnologia, tradição, história, mas não pode produzir
Deputado Pedro Uczai, o governo federal deve R$ 600 milhões de crédito de IPI para a Busscar, transitado em julgado. Mas ele não pagou e alega questões jurídicas, enfim.
Agora, eu quero enaltecer o jovem presidente Barack Obama, deputado Reno Caramori, quando a Chrysler quebrou, quando a General Motors quebrou, deputado Pedro Uczai. O que o Barack Obama fez? Ele socorreu as montadoras. Tirou dinheiro do caixa e falou: aqui no meu país montadora não quebra. "Ah, mas essa é uma atitude de intervenção do estado na economia." "Não interessa. O importante é não quebrar." E socorreu, deputado Jailson Lima. Todos nós tomamos conhecimento disso.
O governo Lula não poderia ter deixado a Busscar quebrar. Daqui a alguns dias isso já estará praticamente consumado. Infelizmente, é lamentável esse fato para Joinville, para Santa Catarina e para o Brasil. Nós vamos perder uma montadora de ônibus de cinco mil ônibus por ano. Isso é um absurdo!
O prefeito Carlito Merss deveria ter pego os servidores da Busscar, a diretoria e marcado uma audiência com o governo Lula, porque talvez o presidente Lula nem saiba o que está acontecendo. Deveria ter ido a Brasília, junto com os funcionários, porque ele é o comandante da cidade. E arrisco a dizer que ele foi o mais votado para prefeito na Busscar, porque ele ajudou no episódio passado. Mas não fez nada. Omitiu-se. Criticou. Criou confusão na imprensa, e o deputado Kennedy Nunes é prova disso. Falou mal da Busscar. Mas não é por aí! Ele tinha que ter ido, ele é o chefe da cidade, porque o governo Lula é um trabalhador, é sensível. Mas levaram as coisas distorcidas para Brasília.
Resumindo, o projeto não andou, e a Busscar poderá fechar as suas portas ainda hoje ou talvez daqui a poucos dias. Infelizmente, só um milagre salva a Busscar.
Lamento, deputado Pedro Uczai, deputado Kennedy Nunes, profundamente! Profundamente!
Agora, isso não vai ficar assim. Não vai ficar assim. Vamos fazer um ato público em Joinville. Não vamos perdoar os responsáveis. Inclusive, disseram na imprensa, e foi verdade, em 2004, que o então prefeito Carlito Merss ajudou. Na época, o José Dirceu era da Casa Civil e também ajudou. Foram emprestados R$ 30 milhões do BNDES para a Busscar, que pagou R$ 32 milhões, desses R$ 30 milhões, e ainda deve R$ 38 milhões. É um dinheiro caro, que ajudou a salvar a Busscar, mas é um dinheiro caro. Quer dizer, não foi favor nenhum que foi feito para a Busscar. Agora, precisamos de mais dinheiro do BNDES e não conseguimos em lugar nenhum. Nem o acordo do Projeto Guatemala, pois as coisas não andaram.
Deputado Nilson Gonçalves, estamos falando na Busscar, pois lamentavelmente poderemos, no dia de hoje, perder essa grande montadora de ônibus em Santa Catarina e no Brasil.
Barack Obama deu o exemplo. E o governo Lula deveria ter socorrido a Busscar.
O Sr. Deputado Décio Góes - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO DARCI DE MATOS - Pois não!
O Sr. Deputado Décio Góes - Deputado Darci de Matos, eu não conheço a realidade, mas certamente os problemas que levaram a Busscar a essa situação, que v.exa. tão bem relata, não foram somente pelos recursos que estão retidos e em discussão, porque várias empresas que trabalham com exportação também têm esse problema, que não é um problema do governo Lula, já é um problema antigo que nós temos no país, a questão do IPI da exportação.
Então, temos aqui a nossa solidariedade. Inclusive, estou tentando ligar para o prefeito Carlito Merss, para saber os encaminhamentos que foram dados, para podermos aqui relatar, mas queríamos apresentar a nossa solidariedade à empresa e o nosso esforço, para que possamos buscar soluções. Nem sempre, já que mistura questão judicial com governamental, é o que desejamos. Mas certamente todos os problemas não estão localizados só nessa questão, deve haver outros problemas de gestão...
(Manifestação interrompida por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)