Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Professor Grando

59ª Sessão Ordinária - 16/07/2008

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sra. presidente, companheiros e companheiras deputadas, eu começaria o meu pronunciamento com uma pergunta: O que é água virtual? O Brasil é o 10º produtor de água virtual no mundo. Vejam que os Estados Unidos, que é o maior exportador de água virtual, produz entre 164 milhões de metros cúbicos de água, e o Brasil exporta entre 10 a 100 milhões, porque estes dados de metros cúbicos não são muito específicos no levantamento da comercialização externa entre 1995 e 1999.

Mas o que é água virtual? É muito importante sabermos a quantidade de água que se gasta para produzir um determinado produto, que no final da sua produção possui pouca água, mas para sua produção se gastou muito. Vamos citar alguns exemplos: para produzir um quilo de pão, nós precisamos de 150 litros de água. Então, gastamos na sua formação, para produzir através da planta chamada trigo, 150 litros de água. Quando vamos comprar este pão tem bem menos água, não é isso? Senão ele pesaria 150 quilos, quer dizer, cada litro seria um quilo de água. Então, ele possui bem menos água. Da mesma forma há outros produtos.

Quero citar outros exemplos, para que possamos entender melhor este conceito virtual, que é um conceito utilizado por cientistas para calcular a quantidade de água necessária para produzir determinado bem.

(Passa a ler.)

"É virtual, porque após o bem ser produzido quase não contém mais água. Este é um conceito utilizado pelo Conselho Mundial de Água. De acordo com o levantamento do Conselho Mundial da Água, cada quilo de pão gasta 150 litros de água para ser produzido. No caso da batata, são utilizados entre 100 a 200 litros de água. No caso do arroz, para produzir um quilo de arroz são 1.500 litros de água. Tudo relacionado à alimentação. Para produzir um chip do código 32MB, que pesa só duas gramas, necessita-se de 16 mil litros de água."

Por isso, os Estados Unidos é o maior exportador de água virtual, porque exporta bens eletrônicos, semicondutores. Então, para produzir um chip de duas gramas são necessários 16 mil litros de água. Quer dizer, depois de pronto tem o mínimo de água ali contido naquele chip.

Então, veja bem, este conceito começa a ganhar novas formas em nível de mundo. Por quê? Porque quase 20% da água consumida na agricultura são comercializados com outros países sob a forma de produtos derivados de mercadorias agrícolas. É um volume enorme de água uma vez que, todos os anos, quase cinco trilhões de metros cúbicos de água são utilizados na agricultura. Perto de um trilhão, de alguma forma, vai parar no comércio entre as nações.

E por que estou trazendo isso? Porque nos preocupa o alto preço dos alimentos, eles não existem sem a água e agregam esse valor. Para produzir um quilo de frango, que Santa Catarina é o maior exportador, precisamos de dois mil litros de água. Portanto, nós estamos dependendo essencialmente da água. Então, vejam como ela é importante no mundo! E podemos dizer, sem sombra de dúvida, que é mais importante que o petróleo.

Estamos falando isso, senhores, porque nós fomos convidados para participar de um evento, que é o maior do mundo, atualmente, que se realiza na cidade de Zaragoza.

(Passa a ler.)

"Fomos convidados pelo diretor que está organizando esse grande evento da Tribuna da Água da Expo Zaragoza 2008, o engenheiro especialista em geopolítica de água, Eduardo Mestre, que advertiu, há alguns meses, em Sevilla, que as mudanças climáticas são assuntos sérios e implicarão em graves conseqüências econômicas, sociais e culturais, se as leis e a política não atuarem em tempo."

Então, é necessária uma nova visão mundial nessa questão da água.

(Continua lendo.)

"Em uma conferência realizada no marco dos 'Diálogos de Água', organizado pela Cruz Verde Espanha, em Sevilla, o diretor dos debates científicos da Expo Zaragoza 2008 enfatizou que as mudanças climáticas modificarão nossos padrões de comportamento diários em todos os níveis. Segundo Mestre, as condições básicas do tempo dedicado ao trabalho se modificarão, novos padrões de consumo e fluxos de migração serão estabelecidos, estruturas sociais e a correlação de forças políticas se modificarão. As repercussões das mudanças climáticas são enormes não apenas no aspecto ambiental, mas também no social, econômico e cultural.

Em se tratando de água, tendo em vista a sua condição, recurso vital para a manutenção da vida, para todos nós, na natureza, e tema central da Expo Zaragoza, onde está ocorrendo a Tribuna da Água, essa questão assume proporções alarmantes. É cada vez mais comum ouvirmos falar em conflitos pela água, na crise de alimentos no mundo e até mesmo nos refugiados ambientais que já estão ocorrendo."

Eu cito exemplos de conflitos: o rio Jordão, dos palestinos com os israelenses; nós não podemos mais falar que a bacia amazônica pertence só ao Brasil, vem dos Andes, pertence também a outros países; a nossa bacia do Prata; o nosso Aqüífero Guarani. Então, nós estamos vivenciando essa realidade e temos que fazê-lo dentro de uma visão mais profunda.

(Continua lendo)

"A Tribuna da Água deverá passar da fase de diagnósticos para a fase da busca por soluções criativas e eficazes. É a primeira exposição internacional com uma temática específica 'água e desenvolvimento sustentável' que está ocorrendo em Zaragoza de 14 de junho a 14 de setembro deste ano.

O governo brasileiro participa ativamente deste importante evento global. Possui um stand onde expõe os programas oficiais, as tecnologias, os produtos e serviços das empresas de nosso país: como a Petrobras, Furnas, Itaipu binacional, a Agência Nacional de Águas e o Ministério do Meio Ambiente, que estão presentes ao evento divulgando e dialogando com o mundo sobre as soluções para a crise ambiental, as mudanças climáticas e a questão da água.

E mais uma vez, fomos distinguidos com um convite" - e portanto nós estamos anunciando a nossa ida e vamos prestar conta - "para participar como delegado observador nesse evento, nós que já fomos no 4º Fórum Mundial da Água, no México e em Tóquio" - para ver a questão do crédito carbono, que hoje estão acontecendo esses convênios do JBIC com a Casan, na questão do saneamento - "no Encontro das Partes que tivemos em Montreal e também em Bali sobre questões do aquecimento global."

E dessa vez vamos para Zaragoza com a convicção de trazer a esta Casa informações para o debate com os srs. deputados e sras. deputadas e com toda sociedade catarinense sobre os temas centrais do debate global, como o futuro da vida no planeta.

Portanto, este é o nosso compromisso. Nós, que temos trabalhado muito nessa questão, temos produzido algo que está merecendo discussão nas universidades, mesmo do exterior, que são os ambientes da democracia ambiental. Mas tudo isso só poderá ser realizado se for feito um diálogo de igual para igual, entre todos os países, de forma democrática. O meio ambiente, como é preventivo, só tem sentido realizar as modificações e as discussões tão necessárias para a vida se for de forma democrática.

Obrigado, sra. presidente.

(SEM REVISÃO DO ORADOR)