Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Valmir Comin

2ª Sessão - 30/12/2008

O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Sr. presidente e srs. deputados, dias atrás tivemos aqui a oportunidade de discorrer, desta tribuna, sobre um relatório do Sindicato da Indústria da Extração do Carvão de Santa Catarina, através do secretário executivo Fernando Zancan, sobre a situação do carvão em Santa Catarina em nível de Brasil e em nível mundial.

Uma matéria do Diário Catarinense, do dia 29 de novembro, fala muito bem sobre esse tema tão importante para o futuro da geração de energia, de gaseificação e dos subprodutos a serem extraídos a partir dessa matéria-prima tão nobre, que está no subsolo catarinense, chamada carvão.

(Passa a ler.)

"O carvão do sul ganha impulso.

O volume do mineral produzido aumentou 400 mil toneladas em 2008.

Enquanto alguns setores da economia regional amargam prejuízos com a crise mundial, o segmento carbonífero ganha impulso e fecha 2008 com um acréscimo de 15% nas vendas para a Tractebel, sua principal cliente. O volume representa 400 mil toneladas a mais do que o comercializado em 2007 e projeta 2009 como um ano de grandes ações no setor produtivo.

Conforme o secretário executivo do Sindicato da Indústria de Extração do Carvão (Siecesc), Fernando Luiz Zancan, o carvão saiu ileso da crise dos últimos meses por ser uma energia mais vantajosa. Em 2009, a previsão é manter o mesmo patamar deste ano, com venda anual de 3 milhões de toneladas. Para poder atender a essa demanda, o setor carbonífero planeja a abertura de novas minas: duas no município de Lauro Müller, uma em Içara e uma em Criciúma.

A Agência Internacional de Energia (IEA) prevê um crescimento para o carvão de 2% ao ano até 2030, algo maior do que a demanda mundial de energia - explica. Otimista, o secretário revela que a região carbonífera tem capacidade para a instalação de 1,2 mil megawatts de potência, equivalente a três usinas termelétricas.

Além de ter sido um bom ano para o carvão, economicamente, o coque - subproduto usado em siderúrgicas - também conquistou mercado, diante de um quadro mundial evolutivo para as matrizes energéticas. Foi um ano de mudança de paradigmas para o carvão. O velho discurso foi abandonado, estamos mais pró-ativo. O setor está-se modernizando, mais preocupado com recursos humanos.

O potencial energético do carvão ainda se estende em 2009 em projetos que visam ao seu maior aproveitamento. As atenções dos empresários se voltam para o início das obras do complexo de pesquisa e desenvolvimento do Centro Tecnológico de Carvão Limpo (CTCL), que recebeu verbas de R$ 8,6 milhões para os próximos dois anos na linha de pesquisa e desenvolvimento.

O futuro é promissor para a gaseificação.

O processo de gaseificação do carvão tem sido um dos objetivos do Siecesc nos últimos anos. O presidente do Sindicato das Indústrias Extratoras de Carvão do Estado de Santa Catarina, Ruy Hülse, acredita que com o gás obter-se-á uma solução regional para as cerâmicas brancas e vermelhas, um combustível a mais diante do gás natural.

Com o calor será possível aquecer os fornos, acionar as turbinas e, arrisca Ruy Hülse, um possível uso doméstico. 'Sou otimista para o uso não somente como fonte de energia, mas como fonte de calor e matéria-prima, a partir dos resíduos da gaseificação, daria uma importante projeção ao carvão.

Produzir gás, energia limpa a partir do carvão mineral, gerador de polêmicas ambientais, é apenas uma maneira de compensar uma poluição centenária ocasionada pela extração na região sul do estado', ressalta o presidente Ruy Hülse. Isso porque o crescimento da atividade extratora implica na abertura de novas minas e com ela novas polêmicas.

Conforme o presidente da Siecesc, atualmente, para atender a Tractebel, compradora do carvão no sul do estado, existe um plano para os próximos dez anos de abertura de nove minas. 'Tudo isso será feito com planos diretores e vamos procurar entendimento, mas é impossível ignorar que tudo isso venha ao encontro de novos mercados e um futuro promissor para o carvão.'

A cadeia produtiva ganha certificação da ISO 14000. O patinho feio, como sempre colocado o carvão, passa a se integrar dentro da modernidade, das exigências dos organismos ambientais, com acompanhamento do Ministério Público Federal e Estadual. A cadeia produtiva do carvão teve um ganho significativo também com a certificação ambiental das empresas carboníferas com a ISO 14000.

A proximidade entre as mineradoras e o Ministério Público para os ajustes da estrutura do cronograma de execução e sentença para recuperação de áreas degradadas foi importante para a melhora da imagem e o respaldo para implementação de novos projetos.

Nos planos dos empresários, será um ano de trabalho pesado para as carboníferas, porém tudo isso é possível. Temos uns dados aqui para conhecermos melhor o setor:

* Em 2007, a cadeia produtiva de carvão teve movimentação econômica superior a R$ 800 milhões;

* Em 2008, mineradoras do sul do estado produziram 2,6 milhões de toneladas de carvão;

* Mais de 90% da produção foi destinada à geração de energia elétrica na Usina Termelétrica Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo;

* Juntas as empresas carboníferas faturaram R$ 332 milhões, geraram quatro mil empregos diretos e cerca de 40 mil indiretos, de acordo com os dados da Fundação Getúlio Vargas;

* As reservas brasileiras de carvão mineral no subsolo catarinense e gaúcho chegam ao montante de 32 bilhões de toneladas de carvão, que tem potencial para gerar 18,6 mil megawatts para 100 anos de operação."

Aproveito o ensejo para desejar a todos os catarinenses um 2009 repleto de muita paz, amor, trabalho e, acima de tudo, que intensifiquemos cada vez mais o sentimento de esperança em cada ser humano.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)