112ª Sessão Ordinária - 02/12/2009
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, público que nos acompanha pela TVAL, vereadores aqui presentes, quero dizer que amanhã talvez possamos participar do congresso de v.exas.
Eu quero entrar nessa conversa que o deputado Edison Andrino trouxe, porque esse assunto tem-me inquietado e interessado. Dos muitos peemedebistas que eu conheço no estado, o mais histórico, o mais afinado à linha política tradicional do velho MDB é v.exa. E quero parabenizá-lo novamente, nesta Assembleia Legislativa, como já o fiz no ano passado, por aquele seu voto contra a reforma da Previdência, em agosto de 2003, no governo Lula. E v.exa. sabe que foi castigado por aquele voto.
Quero dizer também que das referências nacionais do PMDB, o governador Roberto Requião é um dos principais e diria até que talvez seja o peemedebista que esteja em evidência e com quem eu mais tenha afinidade política. Inclusive, naquele dia em que ele esteve nesta Casa e foi homenageado com o título de Cidadão Catarinense, fez um discurso deste microfone que avalio como o melhor que já ouvi nesses três anos em que estou na Assembleia Legislativa. Naquela tarde eu saí da minha cadeira, passei por trás da mesa para falar com ele e disse-lhe que seria bom que ele viesse para o PDT e que trocaríamos o PDT do Paraná por ele. Mandaríamos o PDT do Paraná para o lado de lá e pegaríamos Roberto Requião para o lado de cá e discutiríamos a construção de um processo político diferenciado.
Eu exalto e parabenizo v.exa. pela posição idealista, no bom sentido da palavra, mas eu desconfio que o que aconteceu em 1989 com Ulysses Guimarães, em 1994 com Orestes Quércia, pode acontecer com Requião em 2010, ou seja, ser abandonado pela maioria dos seus. Desconfio. Tomara que eu esteja errado. É evidente que não estou fazendo uma declaração de voto, estamos estabelecendo apenas um diálogo. Mas parece-me que aconteceria de novo isso, até porque Roberto Requião está à esquerda de Orestes Quércia e também do que era Ulysses Guimarães.
Portanto, creio que de uma forma ou de outra o PMDB estará no próximo governo federal. Mesmo com o protesto de v.exa., estará no próximo governo federal, seja com o PSDB, com o PT ou de qualquer outra forma. Inclusive, deputado Edison Andrino, v.exa. é a segunda pessoa que ouço fazer essa avaliação crítica da posição do MDB em 1984, ocasião em que participou do Colégio Eleitoral, quando deveria ter ido às diretas. O nosso país poderia ser diferente.
Então, quero parabenizá-lo pelo discurso nesse sentido, pois é a segunda vez que v.exa. fala sobre esse assunto desta tribuna. Houve um grande erro quando o MDB foi ao Colégio Eleitoral, com Tancredo Neves e José Sarney, ao invés de ter escolhido as eleições diretas, conforme a Emenda Dante de Oliveira. V.Exa. e Luiz Carlos Prestes foram as duas pessoas que se referiram ao fato como um erro, que resultou na nossa política até hoje.
Mas eu torço que com a vontade legítima, honesta e sincera de v.exa. possamos um dia discutir com o conjunto da sociedade brasileira, para que se possa ter de fato uma proposta mais avançada. Não sei se com Roberto Requião, creio que poderia ser, na minha vontade e na minha concepção política. Mas há outras figuras no contexto nacional para se construir um projeto alternativo de soberania popular e uma nova realidade para a sociedade brasileira.
O Sr. Deputado Edison Andrino - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Concedo o aparte a v.exa., mesmo deixando a pauta da tarde de hoje para analisar em outro dia, pois vejo que é importante fazermos esse diálogo e não poderia perder a oportunidade, já que v.exa. falou sobre o assunto.
O Sr. Deputado Edison Andrino - Agradeço as palavras elogiosas de v.exa., mas gostaria de dizer que o projeto em torno de Roberto Requião não é só dele, mas da base do PMDB, que hoje carece e sente-se desprotegida pela cúpula do partido. A única maneira de viabilizarmos uma candidatura à Presidência da República é botando o bloco na rua. E o PMDB tem experiência nisso, pois durante a ditadura colocou Euler Bentes Monteiro como anticandidato para denunciar a farsa que era o Colégio Eleitoral.
Claro que o PMDB cometeu um erro fundamental e a Emenda Dante de Oliveira foi rejeitada. Nós teríamos que ter ido para as ruas pedir eleições diretas; provavelmente Ulysses Guimarães teria sido o grande presidente da República. Não foi, aceitou o Colégio Eleitoral e depois cometeu o erro fundamental para este Brasil que foi dar cinco anos de mandato para José Sarney. E quando foi disputar a eleição para presidente da República, seu candidato fez 4% dos votos no Brasil, uma figura da estatura moral e política do nosso presidente Ulysses Guimarães.
Creio que o projeto do governador Requião é caminhar pelo Brasil inteiro e as bases do partido, sabe v.exa., é que vão convencer a cúpula a ter candidato próprio à Presidência da República. Porque lá no Paraná não havia um deputado federal. E v.exa. sabe por que não estavam, no Paraná, os deputados federais? Porque dependem das emendinhas parlamentares para agradar os prefeitos. Ou seja, o sistema tributário é o cabresto em cima do Congresso Nacional, mas na hora em que a base partidária pressionar a cúpula, nós vamos ter, sim, um candidato à Presidência da República.
Muito obrigado pelo aparte.
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Acolho, deputado Edison Andrino, com toda satisfação, o seu aparte, mas esse elemento que v.exa. coloca é outra questão, porque, na minha avaliação, ainda estamos por instituir uma República neste país. Na realidade, onde o chefe do Poder Executivo, em todos os níveis, lamentavelmente - e aproveito a presença de vários vereadores aqui para falar -, controla todos os recursos e o Poder Legislativo fica dependente de ter uma boa relação com ele, mesmo sendo da Oposição, não se trata de uma República! Isso descaracteriza aquilo que deveria ser a política, que deveria ser o Poder Legislativo na nossa sociedade.
É evidente que eu, como deputado eleito pelo PDT, tenho uma posição e defendo-a. Digo isso até para esclarecer, deputado Edison Andrino, para que não fique nenhum mal entendido nesse nosso diálogo, que defendo que o PDT tenha uma candidatura à Presidência da República, assim como tenha uma candidatura ao governo do estado em Santa Catarina. E é justamente para isto, para poder colocar uma proposta para a sociedade e discutir em cima dela. Porque se ficarmos no time "a" ou no time "b", precisaremos ganhar e acabaremos, talvez, ao invés de ganhar, avassalando a boa política, o debate de ideias e a construção de projetos alternativos para a sociedade em que vivemos.
A nossa sociedade não pode estar limitada à opção "a" ou à opção "b", à Arena l ou à Arena 2, como ocorria na cidade de Imbuia, na década de 70: havia duas candidaturas para prefeito, as duas do mesmo partido, ou seja, Arena 1 e Arena 2. E com certeza não é isso que a sociedade brasileira precisa. Nós precisamos, evidentemente, construir processos populares que envolvam as maiorias nacionais para resolver os nossos problemas e construir uma sociedade justa, igualitária, fraterna. O Brasil possui um potencial enorme para fazer isso e acreditamos nessa possibilidade.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)