40ª Sessão Ordinária - 31/05/2001
O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, desejo, nesse final de manhã de quinta-feira, fazer uma breve reflexão a respeito de um evento memorável, dando a devida ênfase para o sentido da palavra memorável, aquilo que fica gravado na memória de cada um, que foi o episódio que culminou com a renúncia do Senador Antônio Carlos Magalhães.
A primeira reflexão que se pode fazer é a respeito da volatilidade do Poder, da dinamicidade da política, afinal de contas presenciamos ontem alguém que muito pouco tempo atrás era uma espécie de vice-Rei desse País, que exercia, se houvesse formalizado um parlamentarismo, a condição de Primeiro Ministro e, que, ontem, por força das circunstancias políticas de todos nós conhecidas, saiu pela porta dos fundos do Senado da República para evitar um processo de Cassação, que era eminente.
Por um lado, pode se considerar ou adjetivar aquele episódio como lamentável. Lamentável na medida em que descredibiliza a política e os políticos como um todo, por uma atitude indecorosa, praticada por um Parlamentar, violando um painel de votação, violentando o segredo do voto de alguns Colegas, com fim espúrio, posto que ali estava a vontade de chantagear alguém em razão de um voto dado dessa ou daquela forma.
Então, sob o aspecto da credibilidade da instituição política, é de se lamentar o que aconteceu. Mas a contrário senso, pode-se também denominar aquele episódio como elogiável, sob o enfoque da democracia, sob o enfoque da participação efetiva e decisiva da opinião pública, que se mostrou indignada, que mostrou que não aceitaria que houvesse qualquer outro encaminhamento que não fosse o da aplicação da pena política máxima àqueles que praticaram ato assim tão indecoroso.
Então, um episódio que serve para que façamos as mais diversas reflexões, mas todos eles a indicar que a credibilidade e a ética, ontem, hoje e sempre, devem ser uma característica fundamental, indissociada, um apanágio permanente, do exercício da atividade política.
E ontem, Deputado Ivo Konell, não por coincidência, nós realizamos uma das tantas aulas da escola de formação política da Fundação Ulysses Guimarães do PMDB, que é a única nesse nível e nesse gênero no Brasil e em Santa Catarina. Por conseqüência o assunto que estava pautado para ontem, e que foi objeto da palestra, repito, não foi uma coincidência, já é uma programação montada desde o início do ano, era O Poder Legislativo e a Ética na Política. Coincidiu de ser o momento em que nós assistimos todos aquele episódio no Senado da República.
No momento em que a Nação assistia àquele episódio, alguns instantes depois um Partido Político discutia, com cerca de 100 alunos dessa escola, a necessidade de se manter indissociável a atividade política com a ética que deve pautar a vida pública e a vida privada em todos os instantes.
Essa escola de formação política representa um novo momento paradigmático para o PMDB em Santa Catarina, onde além das ações de caráter eleitoral, o Partido não vai agir apenas sazonalmente, apenas se preparando para os embates eleitorais que são, sim, objetivo dos Partidos Políticos, que devem visar ao atingimento do Poder. Mas que se faça como estamos fazendo, um debate permanente, um debate constante com a militância, no sentido de disseminar valores, no sentido de levar aos nosso quadros uma melhor preparação intelectual, filosófica, política e ética para enfrentarmos os desafios do dia-a-dia.
E essa escola que começou com aula magna proferida pelo Senador Pedro Simon, no dia 15 de março, tem a sua atividade ao longo do ano, todas as quartas-feiras, no plenarinho da Assembléia. Num primeiro momento com uma exposição feita pelo palestrante, e num momento subseqüente com um debate aberto, franco em que a todos os alunos é franqueada e facultada a possibilidade de questionar o expositor sobre o assunto debatido.
E essa escola que vai ter a sua formatura no final do ano, levando em conta critérios de freqüência, de participação e até mesmo de apresentação de um trabalho no final do ano, vai dar a esses primeiros 100 alunos, dessa experiência que começou, como disse, neste ano, a condição de terem um diploma de formados pela Escola de Formação Política do PMDB da Fundação Ulysses Guimarães de Santa Catarina.
É uma experiência embrionária que, repito, de vanguarda em Santa Catarina e no Brasil, e, que, a partir do segundo semestre vai sair de Florianópolis, vai ganhar interiorização. Nós teremos, a partir, muito provavelmente, do mês de julho ou do mês de agosto, a implantação de uma escola, de um núcleo dessa escola, em termos semelhantes na cidade de Joinville, de Blumenau e possivelmente de Criciúma.
É a forma como nós, da Fundação Ulysses Guimarães, vemos que o Partido deve se preparar para questões que são permanentes, não apenas momentâneas, não apenas momentosas. Tendo presente, evidente, as nossas dificuldades, entre elas a convivência com o Presidente do Senado da República, que deve ser, e tem que ser, diga-se de passagem, a bola da vez no contexto dessa depuração, que tem que haver e que vai haver no Congresso Nacional.
Santa Catarina está dando o exemplo da articulação, da mobilização, da conscientização da base partidária. Por isso nós vemos com muita empolgação no PMDB e na sociedade, o crescimento da candidatura do Prefeito Luiz Henrique da Silveira, o nome em tudo e por tudo afinado com esses valores que nós mencionamos, e que nós temos a mais absoluta convicção de que vai ter um grande desempenho no ano que vem, e deverá ser, para gáudio dos catarinenses, o nosso Governador a partir de janeiro de ano 2003.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)