Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Manoel Mota

27ª Sessão Ordinária - 26/04/2000

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Sr. Presidente e Srs. Deputados, assomo esta tribuna para colocar um pouco da minha indignação quanto à questão da agricultura.

Acompanhando os desdobramentos deste País e sendo brasileiro, a cada instante a revolta toma conta de cada um de nós. O principal termômetro da economia do nosso País é a agricultura. No meu ponto de vista, a base, o alicerce da nossa economia é a agricultura.

Hoje, o banco que mais tem contribuído, que está em cada Município, que tem condições de ajudar a nossa agricultura, através do Governo Federal, evidentemente, é o Banco do Brasil. E o Banco do Brasil está sendo trabalhado para ser privatizado, desestabilizando-o. Agora, a nossa esperança é recuperar este País através da nossa produção, que é a nossa agricultura, e tendo como grande alavanca o Banco do Brasil.

Vão privatizar o Banco do Brasil!? Em Brasília há esse encaminhamento, e não é só o Banco do Brasil! A Caixa Econômica Federal e a Petrobrás também, se já não bastasse tudo que foi privatizado neste País, como a Cia. Siderúrgica Nacional, a CSN, a maior fábrica de aço do mundo, que não existe mais. Agora, para onde foi esse dinheiro? O que fizeram com ele? Entrou nos cofres públicos do Tesouro Nacional para ajudar a contribuir nesse processo de desenvolvimento?Não! Foi para o BNDES, um banco de desenvolvimento, que tem que gerar desenvolvimento, recursos para as empresas, para as indústrias, para a agricultura, mas que não o faz! Está servindo para comprar o patrimônio do povo brasileiro!

A mesma coisa aconteceu com a Vale do Rio Doce, a maior mineradora de ouro do mundo, que não existe mais, não é mais brasileira, que também se foi. E com quem ficou o dinheiro? O que serviu para o caixa do Tesouro? Absolutamente nada, porque aconteceu o mesmo processo: apanharam o dinheiro do povo brasileiro para comprar as suas empresas, o seu patrimônio. Evidentemente, o povo brasileiro foi quem pagou a conta, enriquecendo o patrimônio público, pois o Governo privilegia os grandes grupos, as multinacionais e as grandes empreiteiras.

A Ecobrás, a mesmíssima coisa! A Eletrosul, que hoje é a Gerasul, onde está aquela equipe de técnicos altamente competentes e trabalhadores? Onde andam e o que fizeram? Estão desempregados! A Embratel foi privatizada na parte referente à telefonia celular - banda "a" e banda "a". Todas as telecomunicações dos Estados, como o caso da Telesc e outras, também já se foram. E que saudade da Telesc, Deputado Ronaldo Benedet, Líder da nossa Bancada, pois ela prestava relevante serviço a Santa Catarina e ao povo catarinense!

E nós fizemos, aqui, uma audiência pública para explicar como funcionaria a nova empresa, a Gerasul, que está causando muitos transtornos à população. E vieram a esta Casa pessoas de todos os cantos do Estado de Santa Catarina para mostrar, indignadas, que receberam várias faturas e duplicatas, cada uma com datas diferentes.

É assim que está a situação, Sr. Presidente. E a reclamação voltou a fazer parte de Santa Catarina. Só neste final de semana mais de dez pessoas me procuraram para fazer as suas reclamações e dizer que a questão da Telesc não dá mais! Mas não é mais Telesc, porque ela já não existe mais, ela foi privatizada!

A população precisa de uma informação a este respeito! E a quem recorrer, hoje, Sr. Presidente? Não se sabe a quem recorrer! Existe um número para reclamações, só que se fala com uma gravação. Então, não se sabe a quem recorrer e para quem reclamar! E isso é fruto da privatização deste País! A empresa que privatizou a Telesc está aqui como um verdadeiro explorador do povo catarinense!

Então, Sr. Presidente, precisamos, convocar para vir a esta Casa novamente os diretores dessa nova empresa, a fim de sabermos quem vai assumir o compromisso com Santa Catarina, pois a Telesc prestava relevantes serviços ao povo e ao Estado de Santa Catarina.

Nós precisamos tomar alguma medida, porque o povo catarinense não vai deixar passar de graça essas questões, porque, além de privatizar, deu uma concessão. E concessão pode ser cassada, no momento em que não cumpre com os compromissos que tem com Santa Catarina.

Dentro desta linha que eu vim aqui hoje trazer aquilo que é o sentimento de toda a nossa sociedade catarinense, porque as reclamações continuam no Sul, na região Serrana, no Norte do Estado, no Meio Oeste e no Oeste de Santa Catarina. Se fizermos uma outra audiência pública para tratar deste assunto, esta Casa vai lotar e tenho certeza de que vão ser as mesmas reclamações. E a quem iremos recorrer? Se um Parlamentar não sabe a quem recorrer, quanto mais a sociedade, quanto mais o trabalhador que só chega em casa à noite e recebe no final do mês uma conta extensa com telefonemas e mais telefonemas que ele não fez, até mesmo telefonemas internacionais!

Então, é uma questão de honra para a Assembléia Legislativa salvar o patrimônio implantado em Santa Catarina, que é o serviço de comunicação.

Este é o grande momento de resgatarmos a luta, o trabalho e o patrimônio daqueles que tiveram coragem de investir e que hoje mesmo investindo não têm mais garantia, não têm mais segurança.

É por esta linha que eu venho aqui registrar o sentimento do povo de Santa Catarina. Telesc é sinônimo de saudade. Ela não existe mais. E o que existe é só decepção para o povo de Santa Catarina.

Muito Obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)