Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

118ª Sessão Ordinária - 17/12/2014

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente, srs. deputados, evidentemente que eu não sou tão antigo quanto o meu querido amigo Reno Caramori, muito menos quanto o meu amigo Manoel Mota, mas criei também aqui raízes nesta Casa pelo tempo que fiquei.

Comecei minha vida pública em 1992 e, desde então, não tenho feito outra coisa senão me dedicar, evidentemente, também, com os meus programas de TV e de rádio, em Joinville. E desde 1998, quando fui eleito deputado estadual e cheguei aqui, em 1999, juntamente com o deputado Joares Ponticelli - que também se elegeu nesta ocasião e aqui completamos 16 anos de Casa -, estamos vindo para cá toda semana. Foram 16 anos convivendo com amigos e enfrentando turbulências, mas também tivemos a oportunidade de termos muitas e muitas alegrias neste plenário. Foram 16 anos de um verdadeiro aprendizado de vida. E em Joinville, que foi exatamente o município que me deu essa possibilidade, juntamente com a região norte, construímos o nome e também uma história através do nosso exemplo, através do nosso comportamento, através das nossas ações.

Desde 1992, quando me elegi, já em 1993, fui obrigado a abrir um pequeno escritório fora da Câmara de Vereadores, porque lá não mais comportava o número de pessoas que me procuravam, tinha que atender as pessoas no plenário da Câmara de Vereadores todas as semanas. Então, fui convidado pelo presidente da Câmara a achar outro local porque estava tumultuando demais a Casa, e a partir daí começamos, então, a peregrinar. Primeiramente no escritório, depois; em outro lugar, um pouquinho melhor, e fomos para outro local melhor localizado. E assim foram os nossos dois mandatos de vereador.

Quando nos elegemos deputado estadual as responsabilidades aumentaram, o número de pessoas que nos procuravam quadruplicou, e acabamos alugando, então, uma casa amarela, que ficava num ponto muito estratégico, perto do fórum, em Joinville. A casa tinha um pátio bom e, desde então, o escritório regional do deputado Nilson Gonçalves ficou conhecido como "casa amarela".

E por aquela casa passavam 60, 70, 80 pessoas por dia. Entendemos que não devíamos somente atender pessoas e encaminhar os seus problemas, deveríamos também fazer alguma coisa para proporcionar a essas pessoas, quem sabe, uma oportunidade de ter um ganho melhor, uma coisa melhor. Foi aí que começamos com as nossas oficinas. Criamos oficina de gastronomia, de artesanato, pequenos cursos de manicure e cursos de gestantes, para ajudar as pessoas humildes que não tinham condição de ter um acompanhamento da sua gestação. Tudo isso feito por colaboradores de fora, por amigos que nós tínhamos: médicos amigos, enfermeiras amigas, pessoas voluntárias que se depuseram também a nos ajudar.

Arrumamos determinados setores dentro da nossa casa amarela, ganhamos máquinas de costura e os voluntários passaram a costurar roupas de bebê. Enfim, nossa casa amarela passou a ser uma referência em Joinville, em termos do social. Quando havia algum problema, diziam: "Ah, vai até a casa amarela que lá se resolve." Chegamos ao cúmulo da própria prefeitura, por meio da sua secretaria do Bem-Estar Social, indicar a casa amarela para a solução de algum problema.

Paralelo a isso, tínhamos um veículo pequeno, que hoje é um caminhão da Kia, comprado com o meu dinheiro, não da Assembleia, do meu programa de TV, Tribuna do Povo, custeado com o meu dinheiro particular. A casa amarela, muita gente não sabe, é o meu escritório regional, a Assembleia só paga dois meses, porque tem um limite de R$ 8 mil, e o aluguel daquela casa é R$ 4.200,00.

Portanto, não dá dois meses. O resto dos meses é pago pelo deputado Nilson Gonçalves, e assim fizemos e construímos ali um nome, uma história, e esses cursos foram se alastrando pela região toda.

A cobrança das pessoas no final do ano para que não fechássemos a casa amarela foi uma coisa impressionante. Depois de minha derrota nas urnas, comuniquei às pessoas que no final do ano estaria encerrando as minhas atividades como deputado estadual e tinha que fechar o meu escritório regional, e houve muita revolta de muitas pessoas, que diziam: "o senhor não pode, o senhor não tem o direito de fazer isso." Mas como se é o meu escritório regional de trabalho? Como é que vou manter uma coisa dessas, com custo desses, se uma parte disso é custeada pelo meu salário de deputado e a outra parte é custeada pela minha pequena empresa Tribuna do Povo, que fazemos o programa de TV, em Joinville?

Como é que vou manter tudo isso no ano que vem? Não há como! O que nós estamos fazendo agora, e já alugamos uma pequena sala, é continuar atendendo às pessoas de Joinville, dentro das nossas possibilidades, dentro daquilo que é possível.

Portanto, caberia aqui uma explicação.

Estou encerrando e tenho feito um exercício psicológico diário para organizar novamente para o ano que vem, pois não é só o hábito de vir para cá, é a reorganização financeira da minha vida, é a reorganização profissional da minha vida. E organizar na minha cabeça também o fato de que não venho mais para cá toda a semana. Aquilo que fiz durante 16 anos, que o deputado Joares Ponticelli fez, nós não vamos fazer mais.

Então tenho que organizar a minha mente para isso também.

Mas quero agradecer, de maneira muito especial, todos os funcionários da Casa que sempre me trataram de maneira muito especial, ao pessoal da Mesa Diretora, com quem convivi muito tempo, o meu muito obrigado pelo carinho que sempre tiveram comigo e pelo sentimento também, pois muitas delas me dizem: "Não é possível, o senhor não vai estar mais com a gente." Digo a eles: é um chato a menos na vida de vocês. Agora estaremos acompanhando as coisas mais de longe.

Eu quero agradecer, de maneira muito especial, aos meus funcionários, àqueles que trabalharam comigo: Ana Paula da Silva, Diogo de Castro Kleimmann, Gilson Felipe Quirino, Giovane Roza, Gizeli Ribeiro do Nascimento, Jacson Carvalho de Sousa, João Luiz Karam, Jocimar de Souza Metzger, Leonaldo Landmann, minha querida Maria Angélica da Silva Ponciano, Natan Marcondes Monteiro Osório, meu bom amigo, de que aprendi a gostar, não faz muito tempo que está conosco, Neila Fátima Karam, Pierre Françoá Miranda Toniote, Renato Leo Ricci, a Sônia Ferreira dos Santos que passou por um momento tão difícil nesses últimos dias, Telma Regina da Rosa, Terezinha Medeiros, Ticiana Toniolo Tieppo, Vinicius Veiga Garcia Hamagushi, Leandro Jaguer Sobrinho e Míriam Stori Barbizan, que também passa um momento difícil, inclusive, aproveito a oportunidade para cumprimenta-lá pelo seu aniversário no dia de hoje.

De qualquer maneira, quero aproveitar esse um minuto para comunicar também que me desliguei do PSDB, no dia de ontem, e quero agradecer de maneira muito especial todos os amigos que colhi dentro do PSDB, especialmente à minha bancada, ao meu amigo Dóia, ao Marcos, ao Gilmar, ao Serafim Venzon, ao Dado Cheren, que hoje é conselheiro, o Clésio Salvaro, que não é mais deputado.

E quero dizer aos srs. deputados que saio do PSDB, depois de estar no PSDB desde 2011, pois acho que tudo que tem um início e tem um fim também. Mas saio de cabeça erguida, consciente de que cumpri com as minhas obrigações.

Quero agradecer ao senador Paulo Bauer, presidente do partido, que entendeu o meu pedido de saída, de desligamento do partido, ao nosso líder Dóia, dizendo a todos que saio deixando uma plêiade de amigos e saio também com as portas abertas.

Vou começar a trilhar um novo caminho, caminho que devo trilhar junto com aquele que me trouxe para o PSDB, que hoje está no PR, que é o meu querido amigo Jorginho Mello, e deveremos construir o PR em Joinville de maneira forte, e levar para 2016 candidatos a vereadores com condições reais de chegar.

Agradeço a todos e tenho certeza de que vez por outra estarei nesta Casa, pelo menos para matar a saudade.

Muito obrigado, sr. presidente! Muito obrigado a todos!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)