103ª Sessão Ordinária - 12/11/2014
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, prezados catarinenses presentes nesta Casa, público que nos acompanha pela TVAL e Rádio Alesc Digital; queremos saudar a vereadora,de Papanduva, que nos visita, toda a delegação; também o secretário da Assistência Social do referido município, o Betão. Eu quero cumprimentar todas as lideranças e autoridades que estão nas galerias da Casa acompanhando os nossos trabalhos.
Eu quero inicialmente saudar o prefeito Edelvânio Nunes Topanoti, de Bom Jardim da Serra, uma bela cidade encravada lá no ponto mais alto da região serrana, extremamente bonita, com extraordinários recursos naturais, com recursos humanos muitos grandes, mas que, naturalmente, carece de recursos financeiros, de investimentos maciços para transformarmos aquela região, juntamente com São Joaquim, Urubici, Urupema, Rio Rufino, numa grande região turística.
E o prefeito, através da secretaria da Saúde, está promovendo, assim como as demais secretarias municipais de Saúde pelo estado afora, atendendo a um clamor social, chamado Novembro Azul. Esse programa tem o objetivo de chamar a atenção das famílias para o fato de que o chefe da casa, o pai, o dono da casa, o homem, também adoece, e que há uma doença muito comum, muito frequente, que mata, mas se for tratada com seriedade tem um grande índice de cura. Os índices mostram que de 85% a 95% das pessoas diagnosticadas a tempo com câncer de próstata, têm cura. Então, quase todos os pacientes que são diagnosticados e tratados adequadamente, praticamente todos, têm grandes chances de cura, basta que sejam diagnosticados rapidamente.
O câncer da próstata, assim como o câncer de colo do útero ou o câncer de mama nas mulheres, tem muito a ver com o momento em que é diagnosticado. Quando o médico faz um diagnóstico de uma doença num estagio muito avançado, como por exemplo, no caso do câncer de mama, quando já está nas axilas, no pulmão, na coluna, não há muito o que fazer. Ainda é feito um grande esforço para melhorar a qualidade de vida, mas não há um resultado efetivo. O câncer de colo do útero, que acomete muitas mulheres, está sendo diagnosticado precocemente, graças às campanhas que estão sendo feitas há mais de 30 anos, pois virou rotina de praticamente todas as mulheres fazer o exame ginecológico uma vez por ano, o chamado Papanicolau. Com isso, o câncer de colo de útero é diagnosticado num estágio muito inicial e, na grande maioria das vezes, simplesmente com o procedimento cirúrgico já ocorre a cura, numa cirurgia simples de ser feita. Em nossos hospitais temos equipes médicas com cirurgiões qualificados em quase todas as regiões do estado, aptos a prescreverem um tratamento definitivo.
Mas isso tudo porque se criou essa rotina de a mulher procurar o posto de saúde e fazer o exame preventivo, o Papanicolau. E o que se quer com a campanha Novembro Azul é exatamente isso, criar uma rotina para os homens acima de 45 a 50 anos. Quando alguém da família, tio, pai ou avô já teve câncer de próstata, aconselha-se começar a fazer o exame um pouco antes, aos 40 anos, no posto de saúde ou no seu médico de preferência, que basicamente consiste num exame clínico, numa avaliação de laboratório dos exames de sangue e também com imagens e, principalmente, uma ultrassonografia. No caso de alguma suspeita o médico pede o exame da próstata que, há 20, 30 anos era muito agressivo, pois era usada uma agulha que, de certa maneira, traumatizava o paciente. Atualmente, até mesmo a biopsia é fácil de fazer, pois enquanto um médico fica olhando pelo monitor onde está a ponta da agulha; o outro, monitora o transistor do ultrassom para ter a imagem da próstata, ou seja, a imagem do cenário que o médico urologista, com a agulha na mão, precisa encontrar.
Então, estou querendo dizer que se tornou algo extremamente fácil fazer o diagnóstico do câncer de próstata e iniciar o tratamento adequado.
Mas qual é o grande detalhe? Em que consiste a deficiência desse procedimento? Todos os postos de saúde dispõem de médicos, mas não há urologistas em todos os postos. Com isso, os pacientes são encaminhados, num primeiro momento, ao clínico geral. Eu estive semana retrasada falando com o diretor do Hospital Florianópolis e já estou aguardando uma audiência com a secretária da Saúde, que tem uma agenda grande e, certamente, não tem muito tempo nem para as grandes sugestões, imaginem as outras questões.
Mas qual é o grande problema hoje relacionado com essa questão? Não existe esse exame no serviço público - e duvido que alguém me diga onde pode ser feita hoje a biopsia de próstata em algum serviço público -, porque ele é extremamente delicado, é feito sem causar trauma ao paciente, como já disse, com uma agulhinha e com um aparelho de ultrassom, em que o médico retira um pedacinho da próstata da área suspeita e manda fazer o exame patológico para saber se é câncer e qual o grau de agressividade da doença.
Então, existe um grande número de pacientes que necessitam fazer esse exame, porque de cada seis homens com mais de 60 anos um, seguramente, tem câncer de próstata. Para exemplificar, basta olharmos o número de homens, neste Plenário, com mais de 60 anos, a começar pelo presidente, temos mais de seis. Certamente, um de nós poderá ter o câncer de próstata e o único jeito de saber se temos a doença ou não é fazendo os exames de rotina, que são confirmados pela biopsia. Mas o grande problema é que há muita gente para fazer esses exames, em Santa Catarina temos, no mínimo, 600 mil homens acima de 60 anos.
Então, dos 600 mil homens acima de 60 anos, se fizermos uma relação de um para um, dá um total de 100 mil homens que têm câncer de próstata. Onde está a equipe e a disponibilidade da secretaria da Saúde para fazer a biópsia da próstata? Só faz biópsia hoje quem conseguir pagar, no mínimo, R$ 140,00 para o médico do ultrassom, R$ 150,00 para o médico que faz a biópsia e mais R$ 100,00 para cada fragmento, que geralmente são seis ou oito. Ou seja, somando, passa de R$ 1.000,00.
Assim sendo, sr. presidente, hoje isso não existe em lugar nenhum do Brasil! Em Santa Catarina, eu desconheço que existe algum lugar que faça a biópsia de próstata pelo SUS sem ter que pagar R$ 1.000,00, R$ 1.200,00. Quem não tiver como pagar, vai ficar com o câncer de próstata guardado ali, esperando na fila, até encontrar alguma benevolência ou algum jeito de pagar os R$ 1.000,00.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)