20ª Sessão Ordinária - 19/03/2014
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente, srs. deputados, quero me reportar ao assunto da parte da manhã com relação às drogas que nós comentávamos na Casa. Antes, porém, quero cumprimentar os servidores da Fatma que estão no plenário, hoje, mostrando a insatisfação com relação à situação em que se encontram. Sejam bem-vindos!
A Polícia Civil vai inaugurar amanhã a Delegacia de Combate às Drogas. Essa nova unidade vai funcionar no prédio da Central, na avenida Osmar Cunha, em Florianópolis. Nós temos ainda um projeto para a diretoria de Combate às Drogas, que está parado. E aguardamos o encaminhamento para que possamos ter essa atuação em nível de estado.
A propósito do que falava o deputado Edison Andrino e o deputado Sargento Amauri Soares, essa marcha da família que está circulando nas redes sociais, marcha da família com Deus II - o retorno, será no sábado, com concentração à rua Bocaiúva, a partir das 15h, na frente do comando da 14ª Brigada da Infantaria Motorizada. E a intenção é fazer um panelaço pacífico, pedindo a intervenção militar no estado brasileiro. Não serão permitidos símbolos de partidos nem mascarados, apenas a bandeira do Brasil.
Com todo respeito que tenho pelas pessoas que irão lá, pela intenção, mas vivemos em plena democracia e não acho interessante radicalismo nem de esquerda nem de direita. Isso para mim é um radicalismo de extrema direita.
Tenho acompanhado e assistido muito radicalismo de extrema esquerda e também radicalismo de extrema direita. Não é bom para nós brasileiros que somos pacíficos e queremos paz, a nossa família também, começarmos a assistir o levante de radicais de esquerda ou de direita, isso não é bom para ninguém nem para a sociedade brasileira.
Em relação ainda ao que foi comentado sobre a Rússia, da anexação da Crimeia, também tem duas vertentes e duas interpretações para esse fato. Muitos interpretam que há um evidente autoritarismo por parte da Rússia que promoveu uma invasão armada no país vizinho, sob o pretexto de proteger os cidadãos de origem russa depois que o governo da Ucrânia foi derrubado pelo voto popular, com o apoio do ocidente, e muitos estão entendendo que isso é uma intervenção absurda.
Pergunto aos senhores, a Crimeia foi entregue para a Ucrânia em 1954, pelo soviético Nikita Khrushchov. A Crimeia antes era da Rússia e a partir de 54 começou a fazer parte da Ucrânia. E essa parte da Crimeia, com cerca de dois milhões de habitantes, 95% deles são de origem russa e falam o idioma russo. Lá na Crimeia tem uma base militar da Rússia e, agora, com esse levante que teve em função do problema de aceitar em fazer parte ou não do mercado comum da União Europeia, aquela parte da Crimeia não aceitou, mas a outra fez a revolução toda, derrubaram presidente e tudo mais.
E o que aconteceu? A Crimeia pediu socorro para a Rússia, porque são todos russos ali. O Parlamento fez um referendo, e 99% da população aceitou e quer ser anexada à Rússia. Depois do referendo pediram ajuda à Rússia que imediatamente aceitou. Tem lá base militar, conterrâneos.
Evidentemente que se não fizesse isso seria uma traição; se não estendesse o braço à Crimeia e não dissesse que cuidaria deles, aí sim seria uma traição. Mas se são os Estados Unidos - isso que sou democrata, capitalista, e se tem um lugar que gosto de ir é os Estados Unidos, lugar que mais gosto de ir quando posso é Nova Iorque - que fizessem isso para uma nação vizinha deles, onde tem uma base americana e tudo mais, estaria tudo bem. Está tudo certo. Quer dizer, metem o bedelho lá no outro lado do mundo, que não tem nada a ver com eles, num país eminentemente russo, de cultura russa, aí a Rússia está passando a ser o país que está trazendo a guerra fria para o mundo.
Então essas coisas têm dois pesos e duas medidas.
O que lamento é que isso vai trazer novamente uma coisa que já vivenciei quando eu era mais garoto, a chamada guerra fria. É uma coisa horrível, porque o mundo vive sob tensão, por causa de um intervencionismo não da Rússia, mas dos Estados Unidos, em um negócio que não tem nada a ver com o peixe. Essa é a grande verdade.
O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Pois não!
O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - Muito obrigado, deputado Nilson Gonçalves.
Inscrevi-me, porque também aguardei para ouvir o seu pronunciamento. Para ser muito sincero, eu esperava receber uma tijolada de v.exa., em virtude do meu aparte ao discurso do deputado Edison Andrino.
Quero dizer que fico feliz que nesses dois pontos nós dois estamos na mesma posição. E nessa questão da Ucrânia/Crimeia etc. estamos plenamente de acordo com a mesma leitura. É um perigo de se provocar uma guerra, uma imensa guerra, porque são duas potências nucleares, Estados Unidos e Rússia, por conta da divisão, da intervenção indevida dos Estados Unidos.
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Uma intervenção indevida, metendo-se na conversa dos outros.
O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - Se a Rússia fizer isso aqui na Colômbia, ou em qualquer outro país da América Latina, com certeza não terá a simpatia do governo dos Estados Unidos.
Então, precisamos observar a soberania dos povos, respeitar isso e ficar felizes por estarmos com a mesma posição em uma questão polêmica internacional aqui neste Parlamento.
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Eu afirmo e reafirmo que sou capitalista por opção, democrata por opção, na minha vida inteira, e serei assim até os meus últimos dias de vida.
Mas estamos assistindo muitas vezes à incoerência e àquele complexo de poder muitas vezes de nações que se mantivessem dentro dos seus parâmetros certamente o mundo não teria tantas guerras, tantos problemas como vivemos nos dias de hoje.
Infelizmente eu ia tratar de um assunto que é muito mais importante para nós do que falarmos da Crimeia. Refiro-me ao meu Projeto de Lei n. 226.6 que institui a coleta seletiva de medicamentos vencidos nas farmácias. Mas gostaria de ter mais um pouco tempo. Então, à hora que for possível quero tratar desse assunto, porque embora seja um projeto simples vem ao encontro das necessidades das pessoas como um todo, nesse nosso estado.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)