Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Onofre Santo Agostini

85ª Sessão Ordinária - 08/11/2005

O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Sr. presidente, quero registrar, com muita alegria, o aniversário do nosso companheiro, o grande deputado Cesar Souza, que hoje está colhendo mais uma flor em sua vida.

Parabéns, deputado Cesar Souza!

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, ontem, alguns jornalistas fizeram contato comigo, como devem ter feito contato com outros deputados, sei que com o líder de minha bancada foi feito, com o deputado Antônio Carlos Vieira e outros. E eles nos deram conta da decisão do governo de ter ainda ontem acionado o trator para mais uma vez não deixar pedra sobre pedra aqui na Assembléia.

A decisão política da privatização da Celesc foi tomada ontem. Quando cheguei no plenário achei que a decisão não havia sido cumprida à risca, mas na primeira chamada para verificação de quórum já pude perceber que, efetivamente, o governo tinha agido de qualquer sorte, com qualquer método, para garantir apoio para iniciar a privatização da Celesc.

Essa data de 8 de novembro de 2005 ficará registrada nos anais desta Casa e na consciência de cada parlamentar que vai autorizar o início da privatização da Celesc.

Na pressão, no açodamento, sem discussão, este governo está impondo a esta Casa, impondo aos seus... E muito deputado vai votar contrariado, entristecido, mas certamente vai saber explicar para o consumidor. A sociedade catarinense haverá de questionar o porquê. E existe gente que vai ter dificuldades para explicar, especialmente quem até ontem tinha uma posição contrária, especialmente quem até ontem militava no outro lado e, de uma hora para outra, converteu-se, entregou-se, curvou-se e talvez por isso tenha como prêmio uma grande cota de Fundo Social para distribuir.

Como estamos vendo, lá pelas bandas do sul do estado, muito especialmente no extremo sul, para invocar aquele meu pronunciamento de ontem, vamos ter muitas informações interessantes de quem virou o grande distribuidor do Fundo Social, de quem virou o preposto do governador, mais do que o próprio correligionário do governador.

Deputado Manoel Mota, v.exa. tem sido um defensor incansável do governo nesta Casa, mas tem vizinho seu, tem novo adesista ao governo passando v.exa. para trás; portanto, fique atento. A oferta é a seguinte: "Quanto você quer?" Em Laguna, um vereador visitado há poucos dias disse: "Eu não quero nada", mas recebeu como resposta: "Não, mas eu tenho de sobra, leve." Mas são assuntos que virão aqui para discussão.

Quanto àquele assunto anterior, vão ter que explicar para a sociedade catarinense, para o consumidor, que estão permitindo o início da privatização da Celesc. Eu recordo, deputados Celestino Secco, Antônio Carlos Vieira, Valmir Comin, que quando entrou nesta Casa, há três anos, o novo modelo de gestão proposto pelo governo passado, a bancada do PMDB fez discursos belíssimos, inflamados.

À época, eu, na condição de líder do governo compus. Inclusive, deputado Vieirão, v.exa., que era secretário de estado, e o deputado Celestino Secco também tiveram uma participação muito positiva no sentido de que ficasse assegurada a Celesc pública, de que se colocasse todos os impedimentos para impedir a privatização. E agora, este governo, quase no apagar das luzes...

Nobres deputados, o governador uma hora diz que vai renunciar para ser candidato; em outra hora o presidente do partido já não sabe mais se ele vai renunciar. Porque até o cargo de governador está em negócio, até o posto de governador está sendo colocado em negociação. É um escândalo o que está acontecendo! É venda de empresa, é cotação, é oferta de convênio para prefeito mudar de partido, é deputado que muda de partido e vira o rei da subvenção social e do Fundo Social.

Agora, temos a imposição por este governo da privatização da Celesc, do início da privatização. Meu Deus do céu! Eu defendo muito que devemos ter uma posição só; agora, quem fica bandeando assim vai ter que se explicar. Não é possível que o eleitor não cobre, não é possível que o eleitor não tenha consciência. Não subestimemos mais a inteligência do eleitor! Vai ser uma campanha muito interessante a do próximo ano, vai ser uma campanha muito interessante!

Eu estou com a minha assessoria e vou ter que contratar mais uma só para resgatar discursos e comparar a prática de quem agia até três anos atrás de um jeito, dois anos atrás, um ano atrás, enfim. Ah, quantas atas, quantas informações! Que debate bom vai ser o da eleição do ano que vem! Que debate bom, deputado Valmir Comin.

Ah, se aquelas atas de almoço de bancadas falassem! Ah, se elas falassem! Mas estão registradas para dizer o que alguns pensavam daquele que é o grande interessado na venda da Celesc hoje e como estão agindo agora. Vai ser muito interessante esse debate do próximo ano, vai ficar muito bom o debate nesta Casa daqui para frente.

Agora, a sociedade catarinense não vai esquecer o dia 8 de novembro de 2005, o dia em que a Assembléia Legislativa de Santa Catarina, através de uma atitude imposta pelo governo ditatorial, através de uma atitude antidemocrática, desrespeitosa ao Parlamento, não permitiu a discussão de um projeto sério, de um projeto decente.

Eu imaginava que fôssemos tratorados, mas não dessa forma, deputado Vânio dos Santos! E vou repetir: há muitos deputados contrariados aqui. Eu vi hoje, na comissão de Constituição e Justiça, e vejo agora, que há deputado que irá votar "sim". Daqui a pouco irá votar contra o povo catarinense, irá votar a favor do início da privatização da Celesc, mas com o coração partido; irá votar dessa maneira porque lhe foi imposta essa posição pelo governo.

Eu lamento muito! Mas nós vamos ter todos os registros à disposição. A sociedade catarinense vai perceber, muito em breve, o mau que está sendo feito por este governo, com o apoio, infelizmente, da maioria desta Casa. Mas esta votação, que é nominal, ficará gravada nesta Casa e haverá de, no próximo ano, quando os efeitos já maléficos dessa privatização começarem a ser sentidos no bolso do consumidor catarinense, ser questionada, porque aí cada consumidor será eleitor.

Em menos de um ano, deputado Paulo Eccel, cada consumidor terá a oportunidade de responder àquilo que será feito aqui hoje; cada um poderá dizer como estará agradecido a esta Casa pela sua posição. E tudo isso por causa da imposição de um governo mandão, de um governo ditatorial, de um governo que está entregando, dilapidando o patrimônio dos catarinenses.

Este dia vai ficar marcado, este dia vai ficar registrado, e eu lamento que isso esteja acontecendo com uma empresa, deputado Francisco Küster, que v.exa. tanto se empenhou para que não fosse privatizada. V.Exa., que foi um dos que mais defendeu a manutenção da Celesc pública, que defendeu a colocação de cláusulas que impedissem a sua privatização.

Confio em v.exa., deputado Francisco Küster. E quero pedir a v.exa., pois foi um grande presidente dessa empresa e tem o meu respeito por isso, que haja como naquele tempo e diga conosco "não" ao início da privatização da nossa Celesc, porque v.exa. se empenhou muito por isso. Esperamos que não tenha mudado de posição.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)