Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Joares Ponticelli

95ª Sessão Ordinária - 08/12/2004

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, com relação à manifestação do Sr. Deputado Wilson Vieira, Dentinho, quero me reportar a uma entrevista, Deputado, concedida pelo Governador Luiz Henrique da Silveira, à TV-Record, no dia de hoje. E nesta entrevista eu vi a capacidade que o Governador tem de enganar a gente catarinense.

Ele pensa que engana. Certamente, essa capacidade vai se reduzindo a cada dia, na medida em que os compromissos de campanha não estão sendo cumpridos. Certamente, a máscara vai caindo e a verdadeira face, aquela que enganou a maioria dos catarinenses em 2002, vai aparecendo.

Pasme, Deputado Antônio Carlos Vieira, não sei se V.Exa. teve oportunidade de assistir. Mas o Governador disse, hoje, que a extensão do abono que ele encaminhou ontem para a Polícia Civil e para os agentes prisionais não foi por pressão.

Diz que não recebeu pressão nenhuma. Ele encaminhou, porque isso era uma conseqüência normal. Disse que era uma etapa seguinte.

É muita coragem.

Na semana passada, quando nós pedimos a inclusão, não tinha nem previsão. Recebeu a pressão, encaminhou, agora disse que não foi pressão, que não houve pressão nenhuma, que ele é quem resolveu ser generoso e está concedendo. Que só não o fez antes porque as Oposições não deixaram.

De novo, ele voltou à velha tática de dizer que não está cumprindo o que prometeu porque as Oposições não deixam. Quando o que ocorreu, Deputado Altair Guidi, Deputado Onofre Santo Agostini, durante o ano todo, foi exatamente o contrário. Só se votou matéria, aqui, quando a Oposição aqui estava para dar quórum.

Nem isso o Governo conseguiu fazer, ou seja, colocar os seus aqui dentro, tendo maioria o tempo todo. Mas não perde, ele, a oportunidade de atacar as Oposições.

E disse mais, Deputado Antônio Carlos Vieira, essa eu pedi para colocar entre aspas. Ele concluiu dizendo: "Nada mais gratificante do que manter a coerência e ter sempre a consciência tranqüila do cumprimento do dever".

Aqueles, todos, beneficiados pela Lei Complementar 254 devem acreditar nisso. Ele pode enganar todos os outros que não são atingidos pela lei, mas certamente nenhum dos seus correligionários, que são contemplados pela lei.

Mas eu quero, também, nesta minha manifestação, até porque vou me afastar da sessão em seguida, justificar já, Sr. Presidente, a minha ausência, daqui para a frente, uma vez que me desloco para Brasília, agora, no vôo das 16h. Temos alguns Prefeitos do Sul do Estado, com o nosso Deputado Federal Leodegar Tiscoski, e lá tenho compromisso com esses Prefeitos hoje à noite e no dia de amanhã.

Por isso, para a tranqüilidade de todos os representantes das diversas categorias do sistema fazendário catarinense que aqui estão, que há dias aguardam por esta oportunidade de ver o seu plano de cargos e salário ser deliberado por este Plenário, quero antecipar que, em reunião realizada com o Deputado Pedro Baldissera, Líder da Bancada do PT, que é o proponente da obstrução, que nós estamos aderindo por alguns dias aqui nesta Casa, juntamente com o Deputado Antônio Carlos Vieira, com o Deputado Reno Caramori e com outros Parlamentares, nós decidimos, hoje, pelo encaminhamento da votação favorável dessa matéria.

No dia de hoje vamos votar aqui, em Plenário, em homenagem a todos vocês que se deslocaram de diversas regiões de Santa Catarina e em homenagem também à sua representação, aos seus representantes, que estão presentes aqui, nesta Casa, há aproximadamente umas cinco semanas.

De cinco semanas para cá nós temos encontrado os representantes de vocês quase que diariamente, cuidando muito bem dos seus interesses. Por isso, saibam que eles são também os grandes responsáveis para que pudéssemos chegar a este momento de termos, daqui a pouco, a deliberação favorável ao pleito de todos vocês e de todos aqueles que não puderam estar aqui.

Portanto, a nossa Bancada tem posição favorável, e o Deputado Reno Caramori, na condição de vice-Líder da Bancada, fará o encaminhamento. O Deputado Antônio Carlos Vieira, por ser profundo conhecedor da área, dos funcionários, foi o nosso grande colaborador, o orientador da Bancada, para que pudéssemos chegar a este entendimento.

Portanto, parabéns antecipado, já, pela luta, e pela conquista que todos vocês terão aqui neste Plenário, daqui a pouco, durante a votação da matéria, na Ordem do Dia.

Por último, Sr. Presidente, Srs. Deputados, quero trazer aqui a denúncia de um fato lamentável que ocorreu, coincidentemente, com um familiar de um funcionário desta Casa, na noite de ontem.

Um familiar de um funcionário desta Casa, que prefiro não apontar o nome, sofreu um acidente por volta das 18h de ontem, fraturou a perna em dois locais e foi levado para atendimento no Hospital Regional de São José, entre 18h e 19h. Lá permanecendo durante um longo período, constatou-se que não havia nenhum ortopedista de plantão.

De lá contataram com vários outros hospitais aqui de Florianópolis, e não havia ortopedista de plantão. Por volta de 20h30min ela foi transferida para o Hospital Celso Ramos, porque lá foi identificado um ortopedista que estava realizando uma cirurgia, na expectativa de que quando ele terminasse a cirurgia pudesse atender essa paciente com duas fraturas na perna.

Ela permaneceu, aproximadamente, um hora e meia sem nenhuma medicação. E como é estudante de enfermagem, lá pelas tantas se automedicou, entalou a perna, uma vez que a dor, a essas alturas, era muito grande.

Exatamente, à 1h30min da manhã ela foi atendida por um ortopedista. À 1h30min da manhã, Deputado Antônio Ceron, e o acidente ocorreu por volta das 18h. Mas somente à 1h30min da manhã ela recebeu atendimento médico.

Conseqüência: está hospitalizada, a perna está infeccionada, vai ocupar um leito de hospital por um bom período, leito que poderia ser ocupado por outro paciente. Vai ter que receber uma medicação cara, antibióticos e tudo mais, para que depois possa realizar a cirurgia. Tudo por falta do pronto atendimento.

E com quem aconteceu isso?

Com uma parente de um funcionário desta Casa, portanto, de alguém que atua no centro do segundo Poder do Estado.

E como que fica um cidadão, um agricultor, lá do interior de Pouso Redondo, de onde sou originário, lá do interior de Passos de Torres, Deputado Altair Guidi, lá de Dionísio Cerqueira, ou de qualquer outro Município catarinense?

Isso é profundamente lamentável, Deputado Cézar Cim. Se aqui, na Capital, onde estão concentrados os principais serviços de pronto atendimento de média e alta complexidade, nós já temos essa dificuldade, imaginemos a situação que se encontra o atendimento do restante do Estado de Santa Catarina.

É apenas uma reflexão, Deputado Manoel Mota, que precisamos fazer, porque isso ocorreu com o familiar de um funcionário desta Casa.

Eu reconheço o esforço que o Deputado Eduardo Cherem tem feito, mas é um tipo de atendimento que precisa ser prestado na primeira hora, para evitar gastos maiores por parte do Governo no momento seguinte.

Esses eram os registros que eu queria fazer neste horário, Sr. Presidente, ao tempo em que justifico desde já a minha ausência a partir de agora. E antecipo já a justificativa pela minha ausência, também, nas atividades desta Casa no dia de amanhã.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)